Visão, paixão e estranheza

O studium é um estúdio com um conceito diferenciado, que congrega a prática da Arquitetura e do Design de Comunicação. Com uma metodologia unificada para todos os criativos e uma forma de projetar que o cliente acompanha e valida a cada etapa, este é um estúdio que vive a Arquitetura em pleno, como explicam o arquiteto e cofundador ,Sérgio Magalhães e a diretora criativa, Catarina Rodrigues.

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Porto HBK Innovation do atelier de arquitetura Studium Creative Studio com fotografia de arquitetura Ivo Tavares Studio

Quais as principais vantagens de se reunir, num único espaço, todas estas áreas?

Sérgio Magalhães (S.M.): O que fazemos é um trabalho direto, de um para um, com o cliente. A diversidade de áreas de atuação permite-nos ter um projeto diferenciador e que tem que ver com a vontade de estabilizar uma carreira em torno destas áreas – a área da Arquitetura e do Design de Comunicação – que se ampliam, depois, para as áreas específicas dentro destas. No caso da Arquitetura, temos o Design de Interiores, a Arquitetura e o Desenho de produto, a estabilização de sistemas, de mobiliário…Estas têm sido áreas que ajudam a reconhecer o studium como oferta diferenciadora. No Design de Comunicação, há cada vez mais uma convergência do design impresso com o design digital e uma maior convergência entre o meio físico e o digital.

Fale-me um pouco do seu método estruturalista e do Sistema Metodológico. De que se trata?

S.M.: É simples. É fácil o público confundir criativos, de várias áreas, pois é fácil pensarem que, por serem criativos, dispõem de uma linguagem própria que lhes permite um entendimento imediato, mas isso não é verdade. Cada criativo tem a sua forma de estar, tem as suas condições de base académica – formação, experiência – e uma das primeiras dificuldades que encontrámos foi precisamente como traduzir conceitos entre todos estes criativos, de forma a que a inteligibilidade prevaleça. Se não existir comunicação, nada funciona. Assim, descodificámos as diferentes linguagens e tentámos convergi-las num ponto que fosse compreendido por todos. Daí a criação do sistema metodológico.

Catarina Rodrigues (C.R.): Esta metodologia foi criada por nós. Já tem mais de 10 anos e vai-se adaptando à nossa realidade e à nossa forma de perceber a profissão. Esta metodologia é a nossa guia, através dela conseguimos pôr um arquiteto a comunicar com um designer e depois extravasar isso para o próprio cliente. A forma como nós abordamos o projeto tem muito a ver com estas boas práticas e é o que permite a um grupo de trabalho multidisciplinar conseguir falar a mesma língua. Este sistema metodológico é composto por Manuais de Boas Práticas, Manuais de Ética, Manuais de Tendências, ou seja, um conjunto de elementos que permite um acompanhamento muito próximo, entre os profissionais de forma autónoma, em grupo e com os clientes.

Como se verifica isto nos projetos finais, sobretudo no que respeita ao HBK Spectris Innovation Centre e ao GKN Automotive Business Centre?

C.R.: Nós envolvemos o cliente desde muito cedo na abordagem ao projeto. Ele próprio constrói um briefing e é partir daí que são desenvolvidas as bases de trabalho, essencialmente teóricas – na Arquitetura há muita recolha de informação – que o cliente acompanha e valida connosco, seguindo a nossa metodologia. Por isso é que raramente o cliente fica insatisfeito, acompanha passo a passo o processo, é fácil perceber o seu desenvolvimento.. Talvez a maior surpresa, para ele, seja a nossa abordagem crítica, que é um ponto fundamental da nossa estrutura. Nestes dois projetos, o processo foi exatamente esse.

S.M.: O projeto da GKN resulta de um concurso privado, no qual participámos por convite e ganhámos. A nossa participação foi feita no consórcio com a Fantoffice, que se tornou num frequente parceiro nos projetos de arquitetura e interiores. Demonstrámos as nossas capacidades diretamente à AICEP. Fomos contratados para gerir e dirigir criativamente, tecnicamente e metodologicamente o projeto. Isto faz a diferença no mercado da Arquitetura em Portugal. Neste projeto em particular, o espaço foi desenhado para o máximo de 300 pessoas, sendo que a equipa foi aumentando à medida da necessidade do cliente. No caso do projeto da HBK, o objetivo era distinto – foi-nos deixado claro que a equipa era de 100 pessoas, mas o edifício deveria permitir a acomodação de 200, pois esse era o aumento previsto. Assim, na matriz do projeto foi contemplada essa necessidade – deixámos as bases necessárias para a criação de uma mezzanine, de forma a criar um piso superior que permita acomodar mais 100 pessoas. O piso superior será exatamente igual ao rés-do-chão, com as mesmas condições de luminosidade e conforto.

C.R.: Raramente um projeto se foca apenas numa área. O projeto da GKN engloba a área da Arquitetura e do Design Gráfico. É esta envolvência e sentido crítico, proativo que traz ao cliente uma experiência que ele não teve até então. Por isso criamos relações duradouras e a longo prazo com os clientes. Esse reconhecimento começa a acontecer de outras formas que não só o cliente, como por exemplo, o nosso projeto HBK foi selecionado pela curadoria da plataforma Archdaily para votação a Building of the Year. Ser um dos projetos finalistas desta edição é algo que muito nos orgulha.

Arquitetura: studium creative studio | Obra: Fantoffice | Fotografias: Ivo Tavares Studio

Como projeta o ano de 2021 para o Studium?

S.M.: Neste momento, temos trabalho até ao primeiro trimestre de 2022. Estamos a contratar, mas na verdade não consigo encontrar quem queira trabalhar. Se conseguisse, poderia ter inclusivamente trabalho assegurado durante mais tempo.

Que avaliação faz do setor da Arquitetura em Portugal?

S.M.: Sou extremamente crítico em relação à academia, pois eu fui formado exatamente da mesma forma que um colega meu e tenho colegas radicalmente diferentes de mim, que vivem no caos, passam uma ideia ao cliente que depois não conseguem materializar, porque não existe organização. A academia deveria centrar-se mais em capacitar aqueles que se distinguem, que são muito bons, dando-lhes as bases técnicas para que sejam ainda melhores, mas atualmente não é o que acontece. A Arquitetura é algo que exige motivação e dedicação. Tem de se viver com a Arquitetura e não a partir dela. É uma profissão de grande exigência.

www.studium.pt

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