“A qualidade de vida passa pela Saúde Mental”

Miguel Gonçalves é diretor clínico e psicólogo na Learn2be, uma empresa que procura promover a qualidade de vida das pessoas e conta já com 20 anos de experiência. O regresso às aulas em tempo de Covid-19 e as precauções a ter nesta altura foram tema de conversa.

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Miguel Gonçalves, psicólogo e diretor clínico

Fale-me um pouco da Learn2be e da sua experiência, sobretudo relativa à Psicologia Infantil. Que problemas mais afetam as crianças e jovens?

O Learn2be é uma empresa cujo mote é a promoção da qualidade de vida emocional das pessoas. Contamos com a experiência de mais de 20 anos de trabalho clínico com famílias, adultos e crianças e especializamos também colegas psicólogos nestas áreas. A Psicologia Infantil depara-se atualmente com problemas muitos semelhantes aos encontrados no adulto, isto porque a criança está a ter de crescer demasiado depressa para conseguir corresponder às expectativas que os adultos têm delas, não só a nível emocional, como físico e comportamental e isso traz consequências. Felizmente começa a haver uma grande consciencialização para este tema.

A pandemia obrigou a que as famílias ficassem em casa e convivessem por um período mais alargado. Como lidaram as crianças com isso?

Considero que o mais importante é lembrar vezes sem conta às pessoas que a família serve de porto seguro para todos os elementos. Se olharmos para as pessoas que estão confinadas em casa connosco e as virmos como aqueles de quem mais dependemos emocionalmente para estarmos em paz, isso fará com que nos consigamos relacionar com eles de forma mais tranquila, independentemente do que nos distingue.

A falta dos amigos e do ambiente escolar pode afetar psicologicamente a criança?

Sim, a falta dos amigos e da escola pode afetar muito a psique da criança, na medida em que a retira do contexto fundamental de socialização que necessita para que ocorra todo o bom desenvolvimento. Aprendemos muito por modelagem. Ora, se não há ninguém a quem observar, também não há ninguém para modelar. No que respeita a explicar às crianças sobre a pandemia, acredito que a informação deva ser o mais honesta e verídica possível, adaptando-a à faixa etária de cada criança. O mais importante é explicar sem transmitir medo.

Como se lida com o período de regresso às aulas?

O regresso às aulas deve ocorrer da forma mais natural possível, tendo em conta todas as medidas adotadas pelas escolas ao nível da higienização e cuidados. Explicar, exemplificar e confiar que a criança será capaz de reproduzir o comportamento correto. Acho sinceramente que, em faixas etárias mais jovens, o distanciamento social será difícil e, posto isto, acredito no bom trabalho das escolas com as suas educadoras e auxiliares, para higienizar as crianças e os ambientes sempre que necessário.

Quais os sintomas a que os pais devem estar atentos, que podem indicar perturbação emocional?

Os pais deverão estar atentos a sintomas como tristeza, choro frequente, alienação, terrores noturnos, enurese, violência da criança para com os pais ou cuidadores, alterações de apetite. Sempre com o bom senso de que estes sintomas poderão ocorrer nesta fase inicial de retorno, mas que deverão desaparecer depois, procurando apoio especializado caso se mantenham por longos períodos.

Que serviços não presenciais têm disponíveis?

Além das nossas sessões de Psicoterapia, Psicologia e Coaching online, temos disponíveis também a consulta online de Aconselhamento Parental e de Coaching parental.

Que conselhos pode deixar para reduzir o impacto emocional do regresso às aulas?

Penso que deverá lidar-se com isso de forma natural, segura, assertiva e amorosamente, transmitindo à criança que está tudo bem, que precisa de ter alguns cuidados, mas que acredita na capacidade dela o fazer corretamente e salientar acima de tudo as coisas boas do regresso às aulas.

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