Incluir é investir: o modelo da SANTUGA

A SANTUGA prova que integrar migrantes é mais do que justiça social: é uma estratégia para reforçar talento, inovação e competitividade. Da cooperação lusófona aos direitos humanos, investir nas pessoas é investir na Europa que aí vem.

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Como é que a integração profissional e educativa de imigrantes contribui para a competitividade e preparação da Europa face aos desafios?
Num continente envelhecido, a integração profissional e educativa de migrantes é condição estratégica para a sustentabilidade económica. Reconhecer qualificações, apoiar a requalificação e acompanhar a inserção laboral permite recuperar talento que, de outro modo, ficaria invisível ou subaproveitado. Equipas diversas são mais criativas e empreendedoras, o que reforça a capacidade europeia para responder a transições ecológica e digital justas. A experiência da SANTUGA mostra que inclusão, direitos e competitividade não se opõem: quando investimos nas pessoas, ganham as comunidades, ganham as empresas e ganha a Europa.

De que forma a cooperação lusófona entre Portugal, PALOP e as suas diásporas pode contribuir para a consolidação de uma Europa mais sustentável?
A cooperação lusófona cria pontes de confiança entre Europa, África e diásporas, a partir de uma língua e património comuns. A SANTUGA funciona como plataforma que aproxima comunidades, instituições e agentes económicos, promovendo parcerias em educação, cultura, economia social e empreendedorismo.

Esta rede facilita a circulação responsável de pessoas, ideias e investimentos, diversifica cadeias de valor e reforça o capital humano nos dois lados. Ao mesmo tempo, torna visível o contributo das culturas dos PALOP no espaço europeu, combatendo narrativas discriminatórias e promovendo uma cidadania global coerente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Como é que integram os princípios de defesa dos Direitos Humanos e rejeição da discriminação no trabalho diário, e qual é o impacto destas ações?
Na SANTUGA, os direitos humanos são o critério que orienta decisões e prioridades. Isto traduz-se em atendimento personalizado, independência face a agendas partidárias ou religiosas, transparência e opção preferencial por quem se encontra em maior vulnerabilidade. Cada ação – apoio jurídico, formação, projeto cultural ou mediação – procura garantir igualdade de acesso, participação informada e respeito pela identidade de cada pessoa e comunidade.

Assim, oferecemos um modelo concreto de integração baseada em direitos, que ajuda a construir uma Europa onde ninguém é descartado e onde a diversidade é assumida como bem comum.

Que obstáculos ainda persistem na inclusão social e na valorização cultural das comunidades migrantes e que mudanças são essenciais?
Persistem obstáculos estruturais, regularização morosa, dificuldades no reconhecimento de qualificações, precariedade laboral, barreiras linguísticas e discursos de ódio que alimentam o racismo e a xenofobia. Soma-se a subvalorização do contributo cultural das comunidades migrantes, muitas vezes vistas apenas como mão de obra e não como sujeitos de direitos e parceiros de desenvolvimento.

São essenciais políticas mais céleres de acesso a direitos, mecanismos eficazes de combate à discriminação, investimento em educação e cultura intercultural e espaços formais de participação cívica e política para pessoas migrantes. Só assim poderemos afirmar que o projeto europeu se constrói verdadeiramente “com” e “para” todos.