Mobilidade elétrica – deslocações amigas do ambiente aumentam em 2022

A MOBI.E é a Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica nacional e o CEO, Luís Barroso, destaca, nesta entrevista, a evolução que houve na rede pública de carregamento elétrico e o quanto o mercado aumentou. A internacionalização é outro dos fatores a ter em consideração para 2023 e a MOBI.E já identificou o primeiro mercado de interesse.

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Foi há um ano que tivemos a nossa primeira entrevista, na qual assinalou a evolução do número de postos de carregamento – de 800 para dois mil, à data. Que balanço é possível fazer atualmente, considerando o número de postos de carregamento disponíveis e a evolução do setor elétrico de mobilidade?

Continuamos a crescer a um bom ritmo. A rede de acesso público tem vindo a aumentar à média de 25 postos por semana, quando, no ano passado, o ritmo foi de 20 postos por semana. Assinale-se que mais de 90% deste investimento tem sido efetuado pelo setor privado, bem demonstrativo do interesse que o modelo Mobi.E desperta no mercado. Em termos de utilização, se em outubro do ano passado atingimos pela primeira vez o recorde de um milhão de carregamentos num ano, este ano, em novembro, atingimos os dois milhões de carregamentos. Por sua vez, os portugueses têm vindo a optar cada vez mais por veículos elétricos e, nos últimos meses, a venda deste tipo de veículos tem vindo a ser superior à de veículos a combustão, mau grado a dificuldade que as marcas têm vindo a sentir em satisfazer a procura de veículos elétricos por falta de componentes e quebra das cadeias logísticas.

A MOBI.E disponibiliza aos consumidores vídeos que ajudam a esclarecer questões e factos falsos sobre a mobilidade elétrica e o seu impacto na sociedade, nas empresas e nas famílias. Quais são as principais questões que ainda se colocam?

Se atentarmos às discussões que proliferam nas redes sociais, damos conta que, de um lado estão aqueles
que decidiram optar pela mobilidade elétrica e que não demonstram desejo de voltar atrás e, do outro, os
céticos que nunca experimentaram um veículo elétrico, mas dizem que não vão dar esse passo, argumentando com mitos que já não têm qualquer razão de existir: autonomia dos veículos, custos, ausência de infraestrutura de carregamento, durabilidade das baterias, etc… Para ajudar a esclarecer, a MOBI.E decidiu apresentar, com o apoio de vários parceiros, uma coletânea de 13 vídeos que explicam a Mobilidade Elétrica num Minuto e que estão disponíveis na nossa página do Youtube.

Este ano, já foram poupadas cerca de 25 500 toneladas de CO2. Tal número está alinhado com os objetivos para 2022?

Não temos propriamente um número. Os objetivos são em 2030 reduzir em 55% a emissão de gases de efeito de estufa relativamente a 1990 e atingir a neutralidade carbónica em 2050. Se tivermos em conta que, durante todo o ano de 2021, a utilização da rede Mobi.E permitiu poupar a emissão de 13.535 toneladas de CO2 e que, em 2022, já atingimos quase o dobro, podemos concluir que estamos alinhados com os grandes objetivos de 2030 e 2050.

Quais são os principais objetivos a cumprir, por parte da MOBI.E em 2023?

O próximo ano será bastante desafiante para a MOBI.E. Até ao final do primeiro trimestre, queremos ter o
desenvolvimento da nova plataforma de gestão da rede concluído, de forma que, durante o mês de abril, possa entrar em produção. Esta nova plataforma irá ser uma ferramenta importante de apoio ao crescimento do mercado, interno e externo. Neste campo, Espanha surge como o primeiro país natural para a internacionalização. Portugal está muito mais avançado do que Espanha em termos de mobilidade elétrica e queremos contribuir para que os nossos CEMEs e os nossos OPCs ou agentes de mercado espanhóis possam fazer crescer a sua atividade, criando um mercado ibérico totalmente interoperável, onde os utilizadores possam circular com um único cartão ou app, tal como já acontece em todo o território nacional. No último trimestre,
queremos começar a desenvolver um Balcão Único Virtual para a mobilidade elétrica que permita desmaterializar os procedimentos administrativos associados à mobilidade elétrica, desde contratualização de serviços, passando pela adesão à rede Mobi.E ou tramitação de pedidos de licenciamento e certificação. Será um projeto complexo, envolvendo várias entidades públicas e privadas, e moroso, inserido na medida Simplex do Governo.

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