Turismo: uma força para o bem

Fundado em fevereiro de 2019, o NEST é um centro de inovação do Turismo de Portugal que visa apoiar o desenvolvimento de novas ideias de negócio, a experimentação de projetos e a capacitação de pequenas e médias empresas no que diz respeito à inovação e à economia digital, cujos sócios fundadores são o Turismo de Portugal, NOS, Brisa Via Verde, Google, Microsoft, AnA Aeroportos Vinci, Millenium BCP e BPI. Roberto Antunes, diretor executivo do NEST, destaca a competitividade do turismo português a nível mundial.

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De que forma é que o NEST potencia o nosso país no que diz respeito ao turismo?

Consideramo-nos um pivot, dentro do ecossistema do turismo, que catalisa a inovação. Somos um agente que consegue entrar dentro deste sistema e recriar condições para que haja uma experimentação do que será mais importante para a competitividade no futuro. Em adição a experimentar, que fazemos de modo geral com suporte de espaços concretos como um hotel de aplicação onde selecionamos projetos transformadores, procuramos também manter o setor informado e cativado para a inovação através da discussão e disseminação de novas ideias e serviços que estão a entrar no setor. Ajudamos na vertente de capacitação, apoiando as PME’s (pequenas e médias empresas) desenvolvendo ferramentas de apoio e informação acessível, por exemplo, a título da sustentabilidade. E por fim, conectamos internacionalmente com outros, com quem trocamos conhecimento e oportunidades. O turismo é um setor que, por natureza, já nasce de fronteiras abertas. Portanto, a conexão internacional é natural e é algo que queremos ter cada vez mais.

De que forma é que o turismo tem mudado ao longo dos últimos anos e como é que a tecnologia tem influenciado essa mudança?

Do ponto de vista do turismo, somos uma das nações mais competitivas do mundo. Temos, inclusivamente, o primeiro lugar em matéria de infraestruturas. Temos um setor que se destaca exatamente porque tem vivido de uma boa estratégia e execução. Valorização do produto, oferta de qualidade superior, desenvolvimento das pessoas, coesão territorial, são áreas bem executadas pelo turismo e que retratam a transição um destino de sol e mar de há umas décadas atrás, para um destino de emoções e cultura portuguesa que é hoje em dia. Houve um entendimento, desde cedo, de que o turismo precisa de trabalhar muito em coordenação. Se um dos elos não funciona, a apreciação do produto turístico é colocada em causa. Por isso é que esta noção de estratégia tem sido a fórmula de sucesso do turismo, em Portugal. Não obstante, este setor tem das coisas mais tecnológicas e desenvolvidas, no entanto, tem também áreas absolutamente desprovidas de tecnologia, por exemplo, uma boa base da oferta de animação turística não tem website, sem venda online. Temos, portanto, esta realidade muito díspar. Durante o período da pandemia, houve um grande despoletar de conhecimentos a nível tecnológico, uma grande evolução no uso da tecnologia digital. No entanto, é um pouco avassalador para muitas pessoas imaginar a quantidade de coisas que tem para escolha e a dificuldade passa por lidar com esta panóplia de possibilidades. A resolução passa por desenhar estratégias de crescimento que bem orientam para quais áreas são críticas e passíveis ao digital, sempre pensado como uma alavanca e não como uma área espartilhada e desligada das restantes. Este é o grande pensamento para que possamos desconstruir e dar o salto na matéria.

Que turismo podemos esperar no futuro?

Este pensamento do caminho do futuro está muito bem pensado. O futuro do turismo é mobilizador de impactos económicos, ambientais, de oportunidade social. A visão futura passa pela sustentabilidade e pelo desenvolvimento das pessoas e dos territórios. Tornar o turismo “Smart” é uma grande aposta, pois dados e insights em uso para manter uma oferta adequada à procura é formula de sucesso. Melhorando ainda mais a qualidade da nossa oferta, poderemos galgar muito mais na competitividade e desenvolver inteligência e conhecimento da tecnologia aplicada ao setor que podemos também exportar. Estas alavancas estão muito bem descritas no Programa Reativar Turismo, que orienta o setor para o futuro. No final das contas, o que se pretende do turismo é que seja uma força para o bem. Foi muito importante para a nossa identidade, na última década, porque o mundo descobriu Portugal e nos deixou orgulhosos de quem somos e do que aqui construímos.

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