“Valorizar o capital humano é fundamental para o sucesso da organização”

A Lowjoule já conta com mais de 10 anos de presença no mercado, na área da energia e da sua otimização, junto das empresas. A fundadora, a engenheira Graça Gomes, relembra o período de criação da empresa e realça a importância da criatividade, para encontrar soluções diariamente, no âmbito da gestão equipa e do trabalho.

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Quando decidiu criar a Lowjoule, em 2009, como esperava que o processo decorresse? Passados 13 anos, como avalia essa fase em que começou, também para si, o percurso de líder?

A Lowjoule tendo sido planeada durante os dois anos que antecederam 2009, tem vindo a assumir com sucesso as metas que nos propomos ano após ano. Durante este tempo, houve um processo de amadurecimento pessoal e profissional que permitiu perceber que a liderança é um comportamento que pode ser desenvolvido e aperfeiçoado. Atualmente, para liderar não basta apenas saber comandar. Para alcançar o sucesso é precisa a colaboração e motivação da equipa, por isso é muito importante conhecer cada elemento, aproveitando o melhor de cada um para o ganho de todos, além de desenvolver as suas potencialidades e a capacidade de saber ouvir. A partir do momento que as exigências e regras do mercado mudam, e em 13 anos mudaram bastante, estimuladas pela globalização e alta competitividade, há uma necessidade de adequação por equipas produtivas, eficientes e com capacidade de
adaptação às mudanças, sendo esta a minha principal missão na Lowjoule. Diariamente o maior desafio é ser capaz de pensar e agir criativamente, de forma a encontrar novas soluções.

Analisando as diferenças existentes no mercado hoje e há mais de 10 anos, que evolução considera ter existido, sobretudo no que diz respeito ao posicionamento da mulher no mercado de trabalho?

Hoje em dia a diversidade seja em género, etnia, nacionalidade ou outra, assume uma maior
relevância dada a possibilidade de uma maior panóplia de pontos de vista, experiências e
competências. Esta variedade contribui de forma fundamental para o sucesso das organizações, trazendo uma melhor resposta às necessidades de mercado e, simultaneamente, uma maior realização pessoal e coletiva. A representatividade
do género feminino nas empresas transmite maior confiança na igualdade a outras mulheres e, consequentemente, atrai mais talento feminino. O número de mulheres em cargos de liderança é, assim, fundamental para servir como exemplo para encorajar mais mulheres
a ambicionarem o seu crescimento profissional.

Quais as características que considera fundamentais para uma boa liderança? Existem características particularmente femininas que possam ajudar a levar esse trabalho a bom porto?

Quando se trata do futuro de uma organização, é necessário enfatizar competências e comportamentos definidos a partir da organização e das suas estratégias. Nesse sentido, as competências para a liderança do futuro são ter uma visão ampla do negócio, gerir complexidades e mudanças, ter a capacidade de nos desenvolvermos a nós mesmos e aos outros, com alinhamento emocional e sempre com foco nos resultados. Posso citar algumas skills que se demarcam no feminino, como perspicácia, sensibilidade, perfecionismo, arrojo e vontade de vencer.

Quão importante é a equipa, numa liderança de sucesso?

A valorização do capital humano é a caraterística mais importante para o sucesso da organização, seja de que natureza for. No nosso caso, em que a equipa é pequena, todos assumimos um papel importante. Cada elemento apresenta determinadas caraterísticas interpessoais que, unidas, se combinam e os resultados profissionais aparecem. Obviamente que a formação contínua é essencial, mas é o espírito empreendedor de cada um para trabalhar novos temas e a flexibilidade no trabalho que assumem um papel de relevo no desenvolvimento e crescimento sustentável da Lowjoule.

Que lhe parece que falta ainda fazer para que o mercado de trabalho se torne mais equilibrado, entre homens e mulheres?

A 19 de novembro é comemorado o Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino. A iniciativa vem das Nações Unidas que, em conjunto com várias organizações globais, dão incentivos para que mais mulheres abram o seu próprio negócio. Se por um lado as
vantagens associadas à criação do próprio negócio são bastante atrativas para uma grande parte das mulheres portuguesas, os desafios são também inevitáveis, tanto para mulheres como para homens. Não basta ter vontade para criar o próprio negócio. Assumir as
dificuldades também faz parte, bem como ser otimista para as transformar em oportunidades de trabalho, para que não se desista durante o percurso. A resiliência é o que possivelmente trará mais equilíbrio no mercado de trabalho, no que diz respeito ao género.

Quais os grandes desafios de futuro, para os líderes das empresas nacionais? Como antecipa os próximos tempos, a nível económico?

No atual contexto económico da Europa e em especial de Portugal, foi divulgado nos relatórios da Confederação Empresarial de Portugal que 83% das empresas portuguesas estão a sofrer o impacto pelo conflito entre a Ucrânia e a Rússia, tendo dificuldade no acesso a matérias-primas, cancelamento de encomendas e aumento exponencial de custos energéticos e operacionais. A Comissão Europeia, mesmo assim, projeta um crescimento de 5,8% em 2022 e 2,7% em 2023, e a razão para este crescimento prende-se com a posição geográfica do nosso país. Estando inserida na área energética, o maior desafio destes próximos dois
anos impactará no desenvolvimento de estratégicas mais sustentáveis das organizações e na redução da dependência das importações de combustíveis fósseis.

Que mensagem gostaria de deixar às mulheres que estão agora a iniciar a sua carreira, nas mais variadas áreas?

Avaliem as competências necessárias para lançar um negócio, estudem o mercado, registem o projeto e superem os desafios. O importante é não desistir e manter o foco e a determinação. Não esquecer de reciclar os conhecimentos e manter-se a par das alterações de mercados, reajustando a estratégia a cada nova necessidade. Falhar faz parte, mas cada erro deve ser encarado como uma oportunidade de melhoria e crescimento.

http://www.lowjoule.pts, engenheira e diretora

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