A Madeira tem vindo a tornar-se, nos últimos tempos, uma localização privilegiada para investidores e estrangeiros que querem mudar-se para a ilha. Que impacto isso tem tido na oferta imobiliária disponível?
É verdade, a Madeira tem registado uma imensa procura, sobretudo neste último ano. O interesse manifestado
pelos investidores estrangeiros no mercado madeirense continua muito forte, gerando um grande dinamismo
no mercado imobiliário, sobretudo no imobiliário residencial de luxo. Como em qualquer mercado, uma subida na
procura, sem aumento do produto disponível, necessariamente conduz a uma menor oferta e a um acréscimo
dos preços. Este é o fenómeno que, surpreendentemente, temos assistido na Madeira, cujo reverso é a diminuição da escassez de produto, em particular no nosso segmento.
Como lhe parece que a Madeira se tem estado a preparar para o futuro, no que respeita ao mercado imobiliário, considerando o tipo de clientes que atrai e a forma como pensa a sua economia?
Vejo que a Região Autónoma da Madeira tem implementado políticas para atrair quem pretende investir na
ilha, desde logo na aposta que tem vindo a ser feita a nível de criação e melhoria de infraestruturas e utilização
de novas tecnologias. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas notamos que há uma preocupação maior em construir bases mais sólidas para o futuro da Região e um desenvolvimento mais pensado e estruturado. Espero ainda que o retorno, por exemplo económico e fiscal, seja utilizado para manter e melhorar a vida de todos os cidadãos, incluindo os nacionais.
Enquanto private broker, acompanha muitos clientes estrangeiros que pretendem fazer negócio na Madeira. Como caracteriza a forma como se relaciona com os clientes, de forma a passar-lhes a confiança e o profissionalismo necessários para avançar com um negócio imobiliário?
Na nossa área de negócio, e segmento, a confiança e profissionalismo transmitem-se sobretudo através de
um acompanhamento de excelência e personalizado face ao nosso tipo de cliente. De facto, a nossa dedicação
excede a mera exposição de imóveis, pois pretendemos que o cliente adquira a noção do que é viver numa
ilha com uma extraordinária qualidade de vida, uma localização privilegiada entre quatro continentes e uma cultura muito característica. Para além de uma boa comunicação e capacidade de negociar, acho essencial ter empatia e saber colocar-se no lugar do vendedor e do comprador, para melhor entender como é que se prepara um acordo que seja satisfatório para ambas as partes. É necessário proporcionar uma experiência única aos clientes e prestar um bom atendimento, significa muitas vezes oferecer os melhores serviços antes, durante e depois da compra. Acabamos por construir um relacionamento sólido e duradouro entre ambas as partes.

Recentemente, fechou o negócio para a venda da casa mais cara alguma vez vendida na Madeira, com um preço de mercado que ultrapassava os três milhões de euros. Avaliando a forma como tudo aconteceu, quais os fatores que destacava como tendo sido essenciais à concretização do negócio?
Sem dúvida que os elementos-chave na concretização deste negócio foram o encontro perfeito entre os clientes e o imóvel em si, que é deveras especial. Por outro lado, foi também importante o profissionalismo de todos os envolvidos até ao momento da escritura. Chegar ao cliente não basta. O esforço em entender o que o cliente procura é essencial para um atendimento de excelência.
Esta forma de estar nos negócios valeu-lhe já vários prémios e distinções. Quais aquelas que considera importante destacar e por que motivo são estas distinções importantes para um profissional do ramo imobiliário?
É muito gratificante sentirmos que a nossa total dedicação ao trabalho e a busca da excelência são recompensadas e reconhecidas. Mais do que o prémio em si, é ver os clientes felizes. Porque estamos a falar de um grande investimento, que envolve burocracias e emoções, até porque uma nova casa representa uma nova vida. Clientes felizes querem que outras pessoas experimentem o que eles experimentaram, pelo que acabam
também por nos recomendar a amigos, familiares, colegas e outros. É sinal que confiam em nós e a confiança é um elemento importante num relacionamento feliz com o cliente. Por tudo isto é que os prémios e distinções
nos dão a validação de que estamos no caminho certo.
Que balanço faz do seu ano profissional de 2022?
Foi um ano excecional, penso que dos melhores a que a ilha da Madeira já assistiu. O aumento da pressão e dos preços não teve grande impacto no nosso segmento. Apesar do grande aumento dos preços imobiliários na região, a verdade é que, comparados com o preço médio europeu, os preços diferenciados na região são ainda mais baixos e muito competitivos.
Como perspetiva o comportamento do mercado imobiliário, particularmente na Madeira, no próximo ano?
Creio que a ilha da Madeira continuará bastante atrativa para investidores e estrangeiros em 2023. Perspetivando-se que se manterá a instabilidade amplamente provocada pelos conflitos recentes e demais fenómenos políticos, ambientais, económicos, etc, a Madeira destaca-se cada vez mais como um oásis a meio do Atlântico, que reúne condições muito apetecíveis. É um dos destinos mais procurados para investimentos na Europa, pois é considerado um destino seguro face à criminalidade e à pandemia. Possui uma diversidade de belezas naturais, a variedade de microclimas com origem nas condições topográficas é deveras espantosa e muito atrativa. O Funchal é uma cidade cada vez mais cosmopolita, mais sofisticada, com uma qualidade de vida
extraordinária, onde o mar se projeta até às montanhas. É o conjunto de características que tem contribuído para dar uma maior visibilidade internacional ao imobiliário madeirense. Juntando a vontade de investir mais os benefícios fiscais, a Madeira faz com que este seja um local preferido por muitos, que reúne todas as condições para investimento, no âmbito da habitação e negócios. Por outro lado, se quisermos manter o volume do
investimento, e sobretudo, mantermos o entusiasmo dos investidores, é muito importante que a legislação portuguesa, e também a europeia, progrida e contenha normas mais recentes, que não dificultem o andamento dos projetos.











