“A tecnologia apoia o crescimento dos negócios”

Com a chegada da pandemia, muitos negócios e serviços transferiram a sua existência para o mundo digital. A Axiz é uma empresa de tecnologias e soluções digitais que trabalha o continente africano e, em entrevista, Luís Rego, diretor regional para os países africanos de Língua Portuguesa, explica o caso particular de Moçambique.

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Luís Rego, diretor regional para os países africanos de Língua Portuguesa

A Axiz tem como apresentação “transcending technology”. Quando trabalham num novo produto ou serviço, o principal objetivo é que este, de facto, se transcenda e ultrapasse a mera tecnologia, tornando-se um verdadeiro valor?

A tecnologia é um dos instrumentos da transformação das empresas e da criação de valor. Mas a tecnologia sozinha não é a resposta. Embora seja fundamental investir na tecnologia certa, esperar que a tecnologia resolva e transforme as empresas é um erro e pode ser uma barreira para o sucesso. A tecnologia tem de ser ativada pelas pessoas, pela cultura empresarial e pelos processos certos para poder criar valor.

A chegada da pandemia e a necessidade de desenvolver grande parte dos negócios pela via digital levou a que muitas empresas necessitassem de uma estratégia de implementação e de novos serviços e produtos. Como se preparou a Axiz para enfrentar estes pedidos?

Adaptámos os nossos processos e ferramentas de trabalho. Lançámos um ambicioso programa de trabalho a partir de casa e estamos a encorajar os nossos clientes, parceiros e fornecedores a fazer o mesmo. Virtualizámos as nossas reuniões de trabalho e a nossa presença em eventos externos e internos. Criámos políticas de segurança, relacionadas com a deslocação dos nossos colaboradores e a receção de visitantes. Implementámos medidas de contingência adequadas à continuidade dos negócios. As nossas equipas de supply chain e suporte foram reestruturadas para garantir serviços 24/7 e atender às necessidades de tecnologia críticas aos negócios.

Sendo fornecedora das principais empresas de tecnologias e tendo como foco o mercado africano, quais as dificuldades encontradas para continuar a fornecer soluções digitais em mercados em desenvolvimento?

O “gap” entre a procura e a oferta de tecnologia e soluções digitais é maior em África do que em qualquer outra região, pelo que as oportunidades são muitas e unanimemente reconhecidas. Mas as dificuldades estão relacionadas com variáveis que não se limitam à disponibilidade da tecnologia. Fornecer, implementar e tornar produtivas novas tecnologias e soluções digitais é um trabalho que tem de ser motivado, em primeiro lugar, por lideranças capazes e focadas nas empresas. Tem de haver uma cultura tecnológica forte para reconhecer onde a tecnologia pode alavancar negócios e nem sempre existe esta cultura e o necessário compromisso com a mudança. Outra grande dificuldade é a comum falta de recursos e competências tecnológicas nas empresas.

Como caracteriza o mercado moçambicano, a este respeito?

O mercado moçambicano partilha as mesmas dificuldades de outros mercados da sub-região (SADC). Mas enfrenta desafios adicionais relacionados com a fragilidade das infraestruturas de energia e comunicações, que colocam constrangimentos adicionais à transformação digital das empresas e organizações moçambicanas.

O crescimento do mercado digital trouxe consigo desafios reforçados. Que tipo de consumidores e necessidades vem este “novo mercado” criar?

O mercado global e a economia digital crescem aceleradamente, “puxados” pelas novas possibilidades e negócios criados pela tecnologia. O Big Data e a IoT, pela necessidade de selecionar, tratar e trabalhar mais informação, mais rapidamente e de forma mais inteligente trouxeram investimentos impressionantes em recursos de processamento e armazenamento. A Inteligência Artificial e o Machine Learning são hoje os drivers de uma indústria e distribuição mais inteligentes e que estão a mudar a forma como produzimos, transportamos e consumimos, quer bens tecnológicos, quer bens de consumo tradicionais. As ferramentas colaborativas e as redes sociais empresariais estão a mudar a forma como cooperamos e aprendemos, na escola e no local de trabalho. As ferramentas de trabalho remoto permitiram-nos responder a desafios globais, como os da atual pandemia e, ao mesmo tempo, tornar o trabalho mais produtivo e mais descentralizado. O enorme crescimento do e-commerce e o consumo de serviços de media e lazer online forçaram o desenvolvimento de novas e melhoradas tecnologias de relacionamento com o cliente e que permitem uma melhor experiência online.

A necessidade de digitalização e o processo de transição digital que estava a ser efetuado em muitas empresas foi apressado aquando da pandemia. Essa evolução tecnológica foi evidente, ou ela ainda decorre, gradativamente?

O processo de transformação digital raramente é caracterizado pela disrupção. Uma empresa não altera o seu modelo de negócios de um dia para o outro e raramente a tecnologia pode, sozinha, fazê-lo. Os processos de digitalização e transição digital são gradativos e, apesar de a pandemia ter criado uma forte perceção da necessidade dessa transformação, a satisfação dessa necessidade exige uma adaptação das lideranças, dos skills, da cultura e processos das empresas. E essa transformação requer tempo.

Quais os desafios que se perfilam no ano de 2021, especialmente no mercado de Moçambique?

A incerteza económica – relacionada com a pandemia principalmente, mas também com o futuro dos grandes projetos extrativos e o seu impacto na política monetária e cambial – poderá limitar os gastos com novos projetos de tecnologia para lá do que é absolutamente necessário e crítico nos processos de transformação digital. O mercado puxa as empresas para investirem em e-commerce (e muitas start-up têm nascido), serviços na cloud, na eficiência das forças de vendas e processos no backoffice, em logística inteligente e noutras tecnologias. Mas a incerteza e a debilidade das infraestruturas limitam o ROI tradicional destes investimentos. Mesmo em contexto de incerteza, a tecnologia tem a capacidade de reduzir o risco e, ao mesmo tempo, apoiar o crescimento dos negócios.

www.axiz.com

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