Como avalia o seu percurso até ao momento?
Há 30 anos, licenciei-me em Engenharia Alimentar na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto e, na época, o estágio de final de licenciatura tinha de ser internacional. Por isso, passei seis meses na Holanda e voltei outra pessoa. Mudou completamente a minha perspetiva das coisas. Em termos pessoais, foi enriquecedor, mas em termos profissionais abriu-me uma perspetiva de inovação, de formas de trabalhar diferentes. Eu já possuía um espírito um pouco irrequieto, característica que se aguçou. No início da minha carreira passei pelo ensino, fui diretora técnica numa indústria de cosméticos. Depois fui convidada para coordenar um projeto de formação profissional pós-Secundário, os CET’s – Cursos de Especialização Tecnológica na ESB-UCP. Foi na altura em que estava na Universidade Católica que desenvolvi a minha rede de contactos,
o que permite, ainda hoje, gerir a minha empresa com base numa rede de networking e parcerias. Aliás, mantenho esta ligação com a ESB-UCP até hoje, recebendo estagiários e sendo convidada a dar aulas nos últimos anos nos Mestrados e Pós-Graduações de Segurança Alimentar.
Trabalham nas áreas da Formação, Consultoria e Auditorias, no que respeita às áreas da Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar e Tecnologia Alimentar. Como se posicionam, em cada um destes setores, no que respeita às formações disponibilizadas e aos serviços de consultoria?
A formação foi a nossa grande alavanca, no início. Foi através da formação certificada nas áreas da segurança alimentar que muitas empresas nos conheceram. As áreas onde atuamos são a Qualidade e Segurança Alimentar, incluindo os Sistemas de Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar. Relativamente à Consultoria, atuamos
como um apoio às empresas que queiram implementar o sistema de gestão de segurança alimentar – o HACCP. Nós ajudamos as empresas a implementar referenciais de qualidade e de segurança alimentar, bem como também a garantir a autenticidade dos produtos alimentares, muito importante num momento em que a guerra na Europa aumenta o risco de fraude alimentar.
Quais as características basilares para o futuro da empresa e para a continuidade deste caminho?
A competência e dedicação são muito importantes. A inteligência emocional também é fundamental. Neste momento, a BioConnection seleciona os clientes com quem trabalha, porque é fundamental que tenhamos – as duas partes – o mesmo ponto de vista e que estejamos alinhados nos mesmos objetivos. Caso contrário, não faz sentido aceitar o trabalho.
Que análise é que faz à evolução do mercado, desde há 10 anos, altura em que a BioConnection nasceu?
O mercado tem evoluído muito também devido às exigências dos consumidores. As empresas vão além dos requisitos de segurança alimentar exigidos por lei. Os produtos alimentares nacionais têm, atualmente, muita qualidade. Todavia, os custos de produção têm subido muito e isso constitui um grande constrangimento à indústria alimentar e a toda a cadeia alimentar no geral. Em termos de clientes, mais de 60% são da indústria
alimentar, mas cada vez mais temos outros clientes da cadeia de fornecimento alimentar, nomeadamente da área da logística, armazenamento e transporte e grandes superfícies comerciais e fabricantes de materiais de
embalagens alimentares. Quando começámos, tínhamos dois clientes. Agora, são mais de 300 empresas que confiam em nós.
Como antecipa os próximos tempos no que respeita à evolução da BioConnection? Que objetivos estão definidos para o futuro, de que nos possa dar conta?
Seremos sempre uma empresa especializada no setor agroalimentar, em quem os nossos clientes e parceiros confiam, mas tenho em mente desenvolver outras áreas, nomeadamente dirigidas a produção primária animal. Julgo que ainda há muito para fazer nessa área. É claro que os produtores estão muito pressionados, pelos custos de produção e pelos preços, mas ainda assim é possível melhorar este setor. É fundamental que estas produções sejam sustentáveis e que o bem-estar animal seja salvaguardado.











