Definem-se como “centro criativo”, que procura juntar a arte e a ciência, entre o irracional e a concretização física de um projeto. Como levam a cabo este trabalho multidisciplinar?
A Arquitetura é o centro de todo o processo, o fator impulsionador de toda a ação do Grupo. É, na sua génese, uma atividade colaborativa, uma cooperação entre pessoas, disciplinas, conhecimentos, implica obrigatoriamente uma
reflexão conjunta, entre o Lugar, o Objeto e o Homem. Através da Arquitetura, estimulamos todo um pensamento do conjunto, uma linguagem e visão interna, que permita olhar para toda a nossa atividade de uma forma singular,
identitária e criativa.
O facto de terem, no grupo, muitas áreas que se complementam, como a Arquitetura, a Construção, o Mobiliário e o Imobiliário faz com que consigam desenvolver um projeto “chave na mão” para os vossos clientes?
O conceito “chave na mão” entende esta dimensão de que o cliente nos delega a responsabilidade e coordenação de todo o seu processo, desde a conceção do projeto até à sua materialização. Implica uma estrutura eficiente e
dedicada em todas as fases, sob um forte compromisso profissional e humano. Os nossos projetos são assim o reflexo dessa relação de cumplicidade e colaboração que desenvolvemos com os nossos clientes, a procura de um constante equilíbrio entre as suas próprias vontades e a visão que nós temos para a sua pretensão. É um campo sensível, onde, tem de existir um elevado grau de confiança e necessariamente uma identificação com a nossa linguagem.

“A sustentabilidade não é uma “meta”
imposta, mas sim uma condição
natural do que deve ser uma
boa opção arquitetónica”.
Que projetos gostariam de assinalar como sendo aqueles que melhor exemplificam esta amplitude de serviços prestados?
Diria que os projetos relacionados com a habitação são aqueles que conseguem expressar melhor todos os nossos princípios, essencialmente, porque trabalhar sobre o tema habitação possibilita-nos intervir e pensar numa
Arquitetura de “proximidade” para com as pessoas, contribuir para o seu bem-estar, para o melhoramento da sua condição de vida. Por outro lado, estimula-nos a refletir sobre as diferentes vivências, de apropriações do espaço, as necessidades de cada um, porque todos temos uma identidade e a Arquitetura deve ser capaz de dar respostas
adequadas a problemas diversos.
São já vencedores de alguns prémios de Arquitetura. Que fatores consideram relevantes nos projetos vencedores que os fizeram alcançar estes lugares?
Acreditamos que a Arquitetura deve ser “honesta”, que deve refletir uma visão clara da nossa identidade enquanto autores e o “discurso” a que nos propomos. Olhando para estes 16 anos de atividade, penso que são relativamente
identificáveis os princípios sob os quais sustentamos o nosso trabalho, existe uma narrativa expressa, na procura, na pesquisa, na espacialidade e numa constante interpretação e reinterpretação da forma como habitamos. Penso
que de certa forma é esta clareza que promove o reconhecimento do nosso trabalho.
Já é possível, em Portugal, fazer uma Arquitetura que seja sustentável, mesmo com um orçamento mais limitado?
A “sustentabilidade” é uma premissa base da Arquitetura. Atualmente, associa-se o termo “sustentável” na sua dimensão ambiental e ecológica, mas, a sustentabilidade, para o interesse do pensamento arquitetónico, tem mais dimensões, nomeadamente a social, económica, espacial, entre outras. A Arquitetura tem, assim, esse dever – ser sustentável em todos os seus campos. É um erro entender-se que o orçamento é um inibidor de se conseguir fazer uma Arquitetura capaz de dar estas respostas. Importa, sim, uma consciencialização das pessoas, uma mudança
de mentalidades, no sentido de percebermos que a sustentabilidade não é uma “meta” imposta, mas sim uma condição natural do que deve ser uma boa opção arquitetónica.
Que elementos são fundamentais para uma boa Arquitetura? A luz, a Natureza e elementos como formas geométricas e materiais naturais ajudam a criar um espaço diferenciado?
Projetar é exprimir-nos! Uma boa Arquitetura é a que consegue estabelecer um bom “Diálogo”. Elementos como a luz, a sombra, o cheio e o vazio, a forma e a materialidade são “recursos estilísticos” que enriquecem este “Diálogo”. Entenda-se aqui “Dialogar” na forma como nos relacionamos com um espaço, como nos apropriamos dele, como nos emocionamos e nos sentimos tocados por ele. Afastamo-nos de uma perceção da Arquitetura
enquanto “tendência”, interessa-nos o seu carácter de longevidade, de adaptabilidade e de perduração no tempo.
“Os nossos projetos são assim o
reflexo dessa relação de cumplicidade
e colaboração que desenvolvemos
com os nossos clientes, a procura de um constante
equilíbrio entre as suas próprias vontades e a visão que nós temos
para a sua pretensão”.
Como analisam o presente e o futuro da Arquitetura em Portugal?
Do ponto de vista autoral, é inegável a qualidade dos nossos profissionais, observa-se um reconhecimento expressivo da nossa comunidade arquitetónica e artística no panorama nacional e internacional. No que diz respeito
à prática, poderíamos estar a explorar muito melhor as oportunidades que o nosso país nos oferece. Falo das oportunidades que advêm das dificuldades, passamos hoje por uma manifesta crise habitacional e deveríamos, todos, ter a capacidade de a transformar em oportunidade. As gerações mudam, as necessidades mudam, os modos de habitar alteram-se e, incrivelmente, assistimos a uma resistência, generalizada, em alterar paradigmas, tipologias, regulamentos, diplomas legislativos e formas de planear o território que deveriam estar a apresentar-se como estímulos para um outro olhar sobre a Arquitetura, mais Humanista!










