“O aluno é o elemento central da escola do futuro”

O Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos é muito familiar e essa sua característica permitiu-lhe levar a cabo as aulas à distância de forma relativamente articulada, contando com a ajuda de toda a comunidade escolar e dos agentes autárquicos. O professor José Santos, o diretor deste agrupamento escolar, destaca, nesta entrevista, a nova oferta formativa, bem como as principais linhas da “escola do futuro”.

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Prof. José Santos, diretor

Ao longo destes últimos dois anos, com desafios muito particulares no que respeita à gestão educacional e ao acompanhamento dos alunos, como se adaptou este agrupamento escolar?

O Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos tem a particularidade de ser um Agrupamento
muito familiar, conhecemos os nossos alunos pelo nome e a maioria dos Encarregados de
Educação também já foram nossos alunos. Foi esse cariz familiar que nos permitiu responder
da melhor forma ao período pandémico que atravessámos. Foi essa particularidade que nos
permitiu conter a pandemia de forma proactiva. O ensino à distância no nosso Agrupamento
funcionou da melhor forma devido a vários fatores, de onde se destaca o papel das
parcerias e das dinâmicas colaborativas interconcelhias.

Como estão as comunidades educativas a adaptar-se aos novos desafios, trazidos pela tecnologia e pela renovação dos métodos de ensino?

Os novos desafios trazidos pela tecnologia e pela renovação dos métodos de ensino são
desafios que já existem há muito tempo. O que aconteceu foi que a pandemia levou a que
urgisse uma necessidade premente de adequação (quase) imediata, que se passassem a utilizar novas tecnologias de forma consistente e que os métodos de ensino fossem
alterados e consequentemente mais centrados no aluno. O grande desafio inerente a estas
situações é manter a utilização das tecnologias de forma interativa e não expositiva.

Qual a oferta formativa que disponibilizam para 2022/2023?

Após a chegada da nova direção, imprimiu-se um novo rumo ao ensino profissional, através da certificação EQAVET e das dinâmicas inerentes ao POCH, bem como ao ensino regular, com
uma aposta na criação de um novo paradigma educacional e de um novo clima de escola,
alicerçado num combate à indisciplina e à responsabilização do aluno:

-Ensino pré-escolar e 1.º ciclo do ensino básico: é nestes primeiros anos que assentam as bases do conhecimento e que é neles que devemos criar alicerces para os ciclos futuros;

-Escolas Básicas, compostas por 1.º e 2.º ciclo do ensino básico: permitem que os alunos se sintam em família e que os mais velhos funcionem como “tutores” dos mais
novos;

-Escola-sede, composta por 3.º ciclo e Secundário: funcionam aqui os cursos de Línguas e Humanidades , Ciências e Tecnologias e Artes Visuais;

-Cursos Profissionais: Técnico de Desporto; Cozinha e Pastelaria, Restaurante e Bar;
Gestão e Programação de Sistemas Informáticos. A nossa preocupação é fornecer aos alunos um ensino de qualidade e excelência que lhes permita a integração plena na vida de
trabalho ou até seguir para um percurso universitário. Para além disso, é nossa preocupação a concertação destes cursos por forma a estarem integrados na procura a nível concelhio e regional.

Qual o papel que a tecnologia desempenha atualmente no processo de ensino, aprendizagem e gestão educacional nas escolas?

O nosso agrupamento tem criado parcerias no sentido de explorar da melhor forma a tecnologia ao nosso dispor, ao invés de a utilizar de forma meramente expositiva. O melhor exemplo que temos dessa dinâmica é a plataforma “Dreamshaper” que permite que os alunos
trabalhem em projeto, sistematizando e orientando o processo e permitindo que o aluno
seja a parte mais ativa no seu processo de ensino/aprendizagem.

Quais os desafios a que a comunidade educativa é compelida a responder, sobretudo no que respeita à ideia de “escolas do futuro”?

A comunidade educativa é, hoje, chamada a assumir um grande papel social. A escola é
amiga, mãe, confidente, e não só, dos nossos alunos, mas também das famílias. Esta é a
escola do futuro no presente. No entanto, numa época em que se fala muito das escolas ligadas à tecnologia e às novas metodologias de ensino centradas no aluno, esse é um caminho que tem de ser percorrido.

Quais as competências fundamentais de desenvolver nos alunos, neste novo conceito escolar?

Os alunos de hoje são crianças e jovens com potencialidades ilimitadas. No entanto, também
são crianças e jovens marcadas por um passado recente bastante conturbado, marcado pela
pandemia. Neste momento, temos de identificar e conter os resultados de dois anos de
isolamento e contenção, quer a nível social como a nível de bem-estar psíquico. Creio que
as maiores áreas de atuação terão de passar pelo civismo e interação social, acompanhadas
por desenvolvimento de competências ligadas à autonomia. Por outro lado, ao pretendermos
desenvolver metodologias alicerçadas em novas tecnologias, teremos invariavelmente de
desenvolver competências informáticas e de autonomia.

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