“O modelo de negócio mudou”

A atividade seguradora sofreu algumas mudanças com a pandemia, a maior delas está relacionada com a implementação do digital no seu dia a dia de trabalho. Fábio Nunes é o diretor da Beira Dinâmica, uma empresa de mediação de seguros que viu aumentar o interesse dos clientes por seguros de Saúde e de Cibersegurança.

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A pandemia trouxe novos modelos de trabalho e de vida para muitas pessoas e empresas. Em que medida é que esta mudança social exigiu também uma adaptação por parte da mediação de seguros?

A atividade seguradora aproveitou a ocasião para dar “o salto”, de meses, que levaria anos – falo do digital. É inevitável toda a transformação e evolução tecnológica que vivemos e que se avizinha. O mercado segurador passou a fazer o mesmo, com menos custos e de forma mais simples e célere. O que há uns meses precisava de uma assinatura, hoje precisa apenas de um clique. Há uma companhia de seguros, neste momento, com 95% dos seus colaboradores em teletrabalho, e funciona. Revela que o modelo de negócio mudou. Na minha opinião, a mediação em Portugal não está preparada para esta mudança, porque não evoluiu. Muitos mediadores estão agora a reagir porque precisam de uma rede social, de um site, de um programa de gestão…pois não estão a conseguir comunicar com o seu cliente e vice-versa. Se não conseguem comunicar não há relação, logo, não há negócio.

A cibersegurança é um tema central nesta nova fase. Como se posicionou a Beira Dinâmica de forma a alertar os seus clientes sobre a importância de estarem protegidos deste tipo de ataques?

A suspeita do costume, a pandemia. Aqui sim, teve um papel mais importante no que toca ao aumento dos ciberataques às empresas. Porquê? Simples. As empresas que colocaram colaboradores em teletrabalho abriram as portas aos hackers. O colaborador, na sua habitação, não tem as mesmas proteções que tem na empresa, ou porque acabou a licença do antivírus, ou o antivírus free é limitado, ou não tem uma proteção firewall essencial…enfim, há mecanismos que deixam de ser usados pelos colaboradores, pela via do teletrabalho, que apenas poderiam ser ultrapassados com investimento das empresas em softwares de segurança. Este problema não surgiu agora, já existe há anos. Acontece que muitas empresas ainda não olharam para este tema como um sério e grave problema. A Beira Dinâmica tem vindo a alertar os clientes, havendo negociações em curso, mas ainda é um tema que continua a ser desvalorizado.

Quais as coberturas essenciais para que uma PME esteja totalmente protegida face a situações de ciberataques?

Existem várias coberturas e até podemos dividir entre prevenção e proteção. Para a prevenção, existe a possibilidade de haver uma avaliação aos softwares e à vulnerabilidade dos mesmos, por forma a identificarmos o que deve ser melhorado ou protegido. Se passarmos para a proteção, danos a terceiros pela via do ataque cibernético, danos morais, judiciais e eventualmente sanções. É ainda possível incluir na apólice os gastos da recuperação dos sistemas informáticos, decorrentes dos ataques.

Além da oferta em seguros para cibersegurança, que outros seguros disponibilizam a empresas e particulares?

Trabalhamos com as principais companhias de seguros do mercado nacional e não só. Realizámos, também em 2021, uma parceria com o maior corretor de seguros a operar em Portugal, como tal, temos capacidade para realizar qualquer tipo de apólice, nos mais variados riscos, mas o foco vai para os seguros de saúde e de vida.

Os seguros, em Portugal, eram vistos como um gasto ou uma obrigação, para as empresas e os particulares. Atualmente, que análise faz deste posicionamento dos portugueses?

Não há dúvida nenhuma, não só está a mudar, como os portugueses já perceberam, que embora não sejam obrigatórios, são tão ou mais fundamentais que os obrigatórios. Não é por acaso que os seguros de vida e saúde em Portugal estão a crescer, é sinal de que os portugueses estão cada vez mais preocupados com a sua saúde e a previdência da sua família.

Como vê a evolução da Beira Dinâmica durante o período pandémico e também neste ano que se inicia?

A Beira Dinâmica tenciona, ainda mais, estar próxima dos seus clientes, de forma presencial e online. O e-mail, Whatsapp ou Messenger são ferramentas cada vez mais importantes. Temos feito investimentos em ferramentas para trabalhar no digital e 2022 não vai ser exceção. Queremos acompanhar a evolução do setor. Um projeto que tanto ambicionámos vai agora avançar, um novo espaço que vai permitir a integração dos nossos clientes e proporcionar experiências diferentes. Queremos que o cliente faça parte de nós.

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