“Os edifícios devem ser pensados para os utilizadores”

A A77 desenvolve projetos arquitetónicos especializados, na área da Saúde e no setor social. O arquiteto Octávio Lourenço, diretor de projeto, destacou, em entrevista, dois projetos que estão prestes a iniciar atividade – o CIDIFAD e o Bloco Operatório de Serpa.

0
518
Octávio Lourenço, diretor de projeto

Como caracteriza a A77, sobretudo tendo em conta o trabalho que desenvolve?

Temos, há alguns anos, um papel relevante na área da Saúde. Inicialmente, trabalhávamos essencialmente na fiscalização e gestão de obra, mas a partir de 2014 apostámos nos projetos de edifícios ligados à Saúde e ao Setor Social, como residências seniores e instituições que respondem a diversas necessidades da população idosa. Desde que nos especializámos nestas áreas, demarcámo-nos como uma empresa cujo papel será importante na inovação e na conceção deste tipo de espaços.

No vosso site, referem a expressão “Arquitetura para todos”. O que significa isso?

Um projeto deve ter em conta os funcionários e os utentes. No fundo, são estes dois grupos que irão utilizar o edifício todos os dias e é para eles que ele tem de ser confortável e acessível, pois não podemos esquecer-nos de que muitos idosos já estão fragilizados pela idade e, muitos deles, também pela doença. Por esta razão, aspetos como a escolha de cores, dos materiais, o posicionamento das janelas e mesmo a orientação solar do edifício são fundamentais. É nestes detalhes que queremos deixar a nossa marca, porque temos noção que isto deve ser pensado desde o início da conceção dos espaços.

Existem dois projetos – o CIDIFAD e o Bloco Operatório de Serpa – que estão prestes a entrar em funcionamento. Que características das que descreveu anteriormente estão presentes nestes edifícios?

É muito importante escolher com cuidado os materiais. Os materiais de fachada são essenciais, não só pela durabilidade, mas pelo conforto térmico e acústico. Houve também cuidado na escolha da orientação solar, na dimensão e na forma dos vãos. Privilegiámos o sombreamento exterior, com estores orientáveis. Em termos acústicos, o Bloco Operatório de Serpa está organizado de forma a ter as áreas técnicas num volume quase destacado do edifício. No caso do CIDIFAD, que é um complexo desenhado para pessoas com demência, houve esse cuidado na conceção desde o início. A SCM Riba de Ave e o ICBAS ajudaram-nos, desde o início da conceção, a perceber o que seria mais importante para pessoas com demência. Por exemplo, só existem quartos individuais, tendo em conta que as pessoas com demência não têm tendência para cultivar relações de amizade com colegas de quarto, os quartos são o mais semelhante possível com o quarto de uma casa – as pessoas podem trazer os seus bens e fotografias e as cores e os materiais são aproximados ao que seria um quarto pessoal. Os espaços comuns têm cores diferentes, para se destacarem do espaço privado. Ainda não há muitas certezas sobre as reações destas pessoas a estes estímulos, mas efetivamente tudo naquele edifício foi pensado para elas.

Sendo Portugal um país de população envelhecida, cada vez há mais margem para quem quer investir neste setor. Tal pode representar uma oportunidade de renovação deste edificado?

Penso que sim, sobretudo porque as IPSS sofrem de problemas de escala e carecem de gestão profissional. Devido ao facto de este ser um setor com gestão apertada, o investimento tem sido baixo, mas isso tem de mudar, até porque o parque edificado é antigo e a nova geração de idosos tem padrões de vida diferentes dos idosos atuais. Têm outras expectativas e esperam locais com outras características.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here