Como caracteriza os desafios que hoje mais se colocam aos consultores e clientes que querem adquirir habitação?
Os desafios que hoje se colocam aos consultores passam cada vez mais pela especialização e aquisição de conhecimentos. O ciclo de mercado dá notas de alteração e iremos assistir, por parte do cliente, a uma maior exigência por um serviço de excelência. Do lado dos clientes compradores, o desafio é encontrar no mercado imóveis que conjuguem as suas necessidades. A falta de imóveis no mercado leva a que seja sempre necessário
mais tempo para uma análise cuidada e direcionada.
Nota uma diminuição da procura por imóveis, por parte das famílias nacionais, após a subida das taxas de juro e do aumento do preço dos imóveis?
A procura mantém-se elevada, notamos alguma diminuição nas concretizações efetivas de compra e venda. O aumento das taxas de juro veio alterar as condições de financiamento das famílias, algumas deixaram de ter
capacidade para comprar na faixa de produto que inicialmente pretendiam e anteriormente conseguiam, tendo de alterar os seus objetivos para outras localizações, tipologias ou características.
Que soluções existem que possam minorar as dificuldades para a compra de casa?
A solução mais adequada é sem dúvida o aumento do stock de imóveis no mercado, a grande dificuldade de aquisição não é a falta de capacidade financeira, quando temos uma percentagem substancial dos imóveis comprados com mais de metade do valor em capital próprio. O problema não está na falta de condições, mas sim na falta de imóveis para adquirir. O aumento da quantidade de imóveis em venda irá retirara pressão sobre o mercado e consequentemente gerar uma redução dos preços.
O arrendamento pode ter um papel importante, considerando o comportamento do mercado?
O arrendamento tem sempre um papel importante. Existe sempre o cliente que procura o arrendamento porque não tem como objetivo ser proprietário, porque não tem condições atuais para adquirir, ou ainda porque se trata de um cliente nómada ou em processo transitório e como tal não se pretende fixar na zona atual. Neste momento o stock de imóveis para arrendamento é igualmente diminuto, o que leva ao aumento da especulação e a serem pedidos valores de renda por vezes superiores ao valor da prestação mensal do financiamento, caso o
cliente optasse por adquirir um imóvel. Uma vez mais a solução passa também pela construção, pelo build-to-rent. As medidas previstas pelo Governo não melhoram este mercado, com o congelamento das rendas e com a carga fiscal elevada, a dificuldade em aprovar os projetos e a volatilidade com que as regras são alteradas geram uma contração do investimento.
O programa “Mais Habitação” pode influenciar positivamente a aquisição de habitação?
O programa “Mais Habitação”, nos moldes conhecidos, não influenciará a aquisição de habitação. A promoção de melhores condições para a aquisição de habitação é efémera quando não há habitações para adquirir. A falta de imóveis em zonas habitacionais, onde as famílias possam viver com qualidade, é flagrante face à procura.
Todas as medidas que visem a melhoria de capacidade de construir estas habitações em falta são promissoras, nomeadamente a simplificação dos processos de licenciamento. Por outro lado, todas as medidas que repudiem investidores e capitais internacionais vão ter um efeito de suspensão do investimento privado, e o Estado precisa do setor privado para alavancar esta construção.











