“Reconstruir casas devolutas é uma forma de equilibrar o mercado”

A Gross & Reis tem, na sua filosofia, a perspetiva de servir bem o cliente. Na base do seu trabalho está a ideia de que existe um imóvel que se adequa, de forma particular, a uma família. Para encontrar esta correspondência, Fernanda Gross e Sérgio Reis, os fundadores e responsáveis pela agência de mediação imobiliária, trabalham a empatia com o cliente e preocupam-se em pensar este investimento como o mais importante que qualquer família faz.

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Acreditam que existe sempre um imóvel que se pode ajustar perfeitamente a uma família. Como é possível encontrar essa combinação? Para fazer isso, quão importante é a comunicação com o cliente?

Sérgio Reis (S.R.): Em primeiro lugar, procuramos conhecer o cliente e as necessidades dele. É importante entender bem aquilo de que o cliente gosta, o que ele procura e o que está por detrás dessa procura, quais os elementos a ter em consideração. No fundo, é uma qualificação do cliente, de forma a sabermos o que procurar.

Fernanda Gross (F.G.): A compra da casa é a aquisição mais importante e todos têm grandes expectativas quanto a isso. Nós fazemos uma qualificação para perceber o quotidiano do cliente, quantas pessoas constituem a família e o que realmente é relevante para eles. A casa perfeita, por si só, não existe. O que temos são casas que são próximas da nossa necessidade. Às vezes, as pessoas estão muito preocupadas com a parte estética do imóvel, mas hoje em dia há algo mais importante: a funcionalidade.

Como analisam o mercado nas regiões onde trabalham, sobretudo considerando o preço dos imóveis novos e a escassez de construção para a classe média?

F.G.: Essa é a parte mais difícil, porque o mercado em Portugal oscila muito, é inflacionado. Nós não conseguimos ter um padrão para cada zona, não têm um padrão efetivo de valor para o metro quadrado. O que nós conseguimos fazer é uma pesquisa e acabamos por gerar uma média. Por exemplo, na região do Entroncamento, a média do metro quadrado hoje varia entre 800 e mil euros. Nós conseguimos perceber isso através de plataformas e indexadores. Na verdade, o que acontece em Portugal é que os imóveis são colocados à venda com um preço mais alto do que aquilo que eles valem, e depois acabam por ser vendidos a preços mais baixos.

S.R.: Há sempre muita gente a entrar em Portugal e o crescimento da construção não acompanha este
aumento do fluxo populacional.

F.G.: Isso é uma motivação para a requalificação e reconstrução de imóveis abandonados ou devolutos. Nós precisamos de produto.

O que vos parece, assim sendo, que se pode fazer para equilibrar este mercado?

F.G.: Existem muitas casas em ruínas ou devolutas. A verdade é que, em alguns casos, a família já não existe, os herdeiros emigraram ou, simplesmente, não querem fazer nada com aquele imóvel. Era um imóvel que podia ser reconstruído e ser colocado de volta no mercado, mas as autarquias, nesse campo, tinham de ajudar. Outra grande dificuldade é a burocracia: muitas vezes as pessoas querem construir e têm o terreno, mas a Câmara demora muito tempo a libertar as licenças de construção ou de reabilitação. Isto torna o processo mais lento e
reduz a vontade de as pessoas investirem em casas devolutas para recuperar.

Considerando as dificuldades que a economia atravessa, como olham para o comportamento do mercado imobiliário no próximo ano?

F.G.: Parece-me que as casas pararão de se vender por si só, o que significa que nós, mediadores, teremos de ter uma performance ainda melhor para fazermos acontecer o negócio. Mas isso é o lado bom da crise, porque as pessoas vão precisar de um profissional para vender a sua casa. Enquanto que, atualmente, apesar de enfrentar
algumas dificuldades, o proprietário ainda consegue vender a sua casa sozinho, numa crise tal não acontece.

Em 2023, e tendo em conta todas as questões anteriormente mencionadas, como se posicionará a Gross & Reis? Quais os objetivos a alcançar?

F.G.: A referência da Gross & Reis é a família, porque estamos a fazer isso pela nossa família e pela família dos outros. E estamos a crescer. Até ao final deste ano, o nosso objetivo é que as pessoas entendam a nossa identidade, percebam que a Gross & Reis está no mercado e que é uma empresa sólida. Para 2023, a Gross & Reis terá novidades, nomeadamente sobre novas formas de divulgar e vender a sua casa no mercado. Acreditamos, por isso, que a marca vai ficar mais forte e que a crise nos vai ajudar, porque nos reforçará.

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