“Tavira é uma combinação única de tradição e modernidade”

Ana Paula Martins exerce funções há 12 anos no município de Tavira, data assinalada a 8 de março, no Dia Internacional da Mulher. Cumpre o primeiro mandato enquanto presidente da Câmara Municipal de Tavira desde setembro de 2021, embora já esteja à frente dos destinos do município desde 2019. Com um mandato constituído por cinco objetivos de base, a autarca é perentória em afirmar que os tavirenses podem contar com a sua presença e ação para tudo o que diga respeito ao concelho e às pessoas, que estão – para esta líder – sempre em primeiro lugar.

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Quais são os principais objetivos que pretende ver concretizados, no seu mandato?

Neste programa eleitoral, em particular, definimos cinco grandes objetivos e é para eles que vamos trabalhar:

Apoiar as pessoas – este primeiro objetivo visa apoiar as famílias, sobretudo no que diz respeito ao desafio que é conseguir uma habitação, atualmente. O problema da habitação existe em todo o país, mas aqui no Algarve assume dimensões maiores, pois o custo de um
imóvel é muito elevado e as rendas também subiram imenso. Nós temos trabalhado, desde o mandato anterior, na construção da Estratégia Local de Habitação, e conseguimos protocolar um acordo financeiro com o IHRU que nos permitirá ter até 15 milhões de euros de
financiamento para a construção de habitação – social e a custos controlados;

Valorizar a nossa identidade cultural – nós temos particularidades próprias e a nossa identidade é muito importante para nós. Por isso, queremos valorizá-la, promovê-la e destacá-la, sobretudo por aquilo que nos distingue, no que respeita ao património histórico, cultural, material e imaterial – somos a cidade representativa da Dieta Mediterrânica em Portugal. Penso que, neste ponto, com a finalização do cineteatro, tenhamos um espaço cultural fechado, que faltava à cidade, e que nos permitirá impulsionar a cultura, continuando a diversificar a programação cultural a que já acostumámos Tavira;

Diversificar a economia – somos muito dependentes do Turismo e, com a pandemia, ficou claro que isso não era algo positivo. O objetivo é criar mais emprego e mais qualificado, bem
como ter um papel dinamizador na dinamização da base económica da região;

A sustentabilidade – a qualidade de vida das pessoas é uma preocupação. É importante requalificar o concelho, criar espaços verdes, intervir no espaço público para o tornar melhor, no que respeita à acessibilidade, à mobilidade e também para o usufruto da população, promovendo a atividade física e criando mais instalações desportivas;

Modernizar o município e aproximá-lo das pessoas – é importante simplificar o acesso ao município e promover uma cidadania ativa, envolvendo as pessoas nas escolhas para o seu concelho, para que se sintam integradas nas decisões que são tomadas por quem as governa.

São cinco objetivos, concretizados em 100 medidas, que esperamos que sejam exequíveis ao longo destes quatro anos. O objetivo final é executar este programa, pelo menos, em 95%
do que está previsto.

Tavira é, assim, um bom local para viver e para criar uma família? Que infraestruturas de apoio existem?

Eu acredito que somos um excelente concelho para fixar os jovens – temos o problema da habitação, mas estamos a tentar desenvolver ações estratégicas, com a construção de 200 fogos de habitações sociais. A procura de habitação social mudou um pouco. Agora há muita procura por parte de famílias monoparentais, com dois filhos e cujo vencimento ronda o
ordenado mínimo. A habitação a custos controlados pode ser uma alternativa para fixarmos jovens. Em termos de infraestruturas, temos uma excelente resposta: as creches e pré-escolar respondem praticamente a 100% das necessidades das famílias, tendo em consideração as instituições públicas e privadas. A Câmara Municipal apoia as famílias na compra dos materiais escolares, nomeadamente os livros de fichas para as crianças do primeiro ciclo e queremos alargar esta medida progressivamente. Atribuímos também bolsas de estudo e de mérito a alunos do Ensino Superior – o ano passado atribuímos cerca de 300 mil euros em bolsas de estudo. Relativamente aos transportes públicos coletivos, os alunos em idade escolar não pagam pela sua utilização e devo salientar, também, a nossa rede de
transporte escolar, que responde à quase totalidade de pedidos que nos chegam. Além disso, estamos a tentar, em conjunto com a Segurança Social, conseguir a gratuitidade das creches,
de forma a promover também os nascimentos.

Existe uma incubadora de empresas e um parque empresarial em Tavira, que dinamizam a economia da região. Quais as medidas que são necessárias para alavancar e alargar as atividades económicas do concelho?

Cabe-nos promover estas infraestruturas e tentar criar condições para fixar empresas. Além disso, esperamos poder aproveitar o próximo Quadro Comunitário de Apoio e os 300 milhões de euros que estão também previstos chegar, para diversificar a base económica da região. A Câmara Municipal pode e deve ter esse papel dinamizador, de apoio às empresas, de
captação de investimento. Temos também um outro objetivo, que é a construção de um pequeno porto de pesca e recreio. Uma infraestrutura náutica é muito importante para um
concelho que tem uma frente de rio como nós temos.

Estando Tavira dividida em três sub-regiões – litoral, barrocal e serra -, como podem as características naturais de cada espaço ser aproveitadas para dinamizar a economia?

Na cidade, o importante é dar a conhecer às pessoas e às empresas as condições que temos para oferecer, e que permitem a fixação de novos residentes e empresas. O Turismo pode
ser diversificado, pois os turistas que nos visitam procuram-nos pela parte histórica, cultural – e antes da pandemia apostávamos em ter uma programação chamada “Tavira todo o
ano”, para esbater a questão da sazonalidade. Temos também outras datas comemorativas que fazemos questão de assinalar, como o 25 de abril, com a Mostra da Primavera e a Feira da Dieta Mediterrânica. No barrocal e no interior, o que queremos é promover o nosso turismo de natureza. A nossa serra é lindíssima, temos imensos trilhos, um parque de lazer que também é muito interessante e muitas atividades que importa dar a conhecer: lagares de azeite, que ainda funcionam; o Museu Zero, o primeiro museu de arte digital, que abrirá portas em Santa Catarina; excelentes restaurantes e hotéis, que promovem a gastronomia típica serrana; a produção de medronho, alfarroba, queijos, bem como as artes do trabalho do ferro, cestaria e empreita.

Que mensagem gostaria de deixar aos seus concidadãos, enquanto presidente?

Quero que os tavirenses saibam que podem sempre contar comigo, para tudo, quer seja para lutar junto do Governo, quer seja para dar resposta aos problemas do concelho ao nível
regional e local. As pessoas estão mesmo em primeiro lugar em Tavira. Contam com a minha disponibilidade total para lutarmos sempre por uma Tavira melhor.

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