“Valorizarmo-nos e acreditarmos que somos capazes é a chave do sucesso”

Sofia Dias é engenheira civil e assume que a Reabilitação é a sua área de interesse. Criou o seu próprio negócio, através do Querido Obras e, atualmente, a marca Querida Sofia Dias ajuda famílias a reabilitar as suas casas. Enquanto empresária e formada numa área onde a maioria dos alunos são homens, Sofia Dias sentiu por diversas vezes que era tratada de forma diferente, profissionalmente, por ser mulher. Com perseverança, profissionalismo e constantes provas da sua capacidade, conseguiu ganhar o respeito dos seus pares. Às mulheres que querem criar o seu próprio caminho profissional, Sofia Dias aconselha humildade e algo fundamental: acreditar que se é capaz.

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A Sofia Dias fez parte do projeto Querido, Mudei a Casa. Quão importante é, para si, este projeto e de que forma se revê no mesmo?

Participar no projeto do Querido, Mudei a Casa foi uma experiência enriquecedora e muito
desafiante. Sair da nossa zona de conforto e abraçar desafios que nos testam os limites,
tanto físicos como emocionais, ajuda-nos a desenvolver novas competências. Trabalhar e, com isso, mudar a vida das pessoas foi uma sensação muito gratificante.

Porquê a opção pela área da construção/remodelação, obras e decoração?

Em 2016, quando constitui a empresa que dá vida à Querida Sofia Dias, o objetivo foi inovar na área das obras e da construção. Apesar de todos termos as nossas veias criativas,
devemos entregar a quem tem experiência e know-how a responsabilidade de tomar as
decisões acertadas para o espaço. Fazer uma remodelação não é apenas melhorar a estética, é melhorar a funcionalidade do espaço. As ferramentas do conhecimento técnico ajudam a
tornar as decisões mais ponderadas, minimizando os erros e as alterações ao longo da obra.

Em Portugal, as mulheres são as principais responsáveis por avançar com negócios próprios. O que a fez, no seu caso, assumir um negócio próprio?

A independência financeira e profissional foram os maiores pesos para esta decisão e, de seguida, a diferenciação e a minha afirmação. Eu não me identificava com o que todos faziam e como faziam, e procurei desenvolver o meu estilo e a minha marca neste mercado que está “tão mal tratado”. Quando não nos identificamos só temos duas hipóteses: ou nos tornamos pessoas acomodadas ou temos de caminhar em direção àquilo em que acreditamos. Sou uma lutadora, não permito que me digam que não sou capaz só por ser mulher.

Quais os maiores desafios que enfrentou, até ao momento, na sua carreira, que acredita poderem ter sido agravados/influenciados pelo facto de ser mulher?

Ser mulher no mundo de homens é algo a que me fui habituando desde a época da faculdade. É necessária alguma resiliência e firmeza para nos destacarmos. Felizmente, sinto que este estigma tende a dissipar-se na sociedade atual. Nos dias que correm, ainda é um desafio diário coordenar equipas totalmente constituídas por homens. Quando comecei, chegar à obra e ser vista como uma miúda pouco credível foi um processo difícil. Eram situações tão simples como ter uma casa de banho só para mim ou aceitar uma diretriz minha. Tive de encontrar estratégias para comunicar e ser ouvida. Aos poucos, fui ganhando a confiança de todos. Saber ouvi-los, partilhar as dificuldades, assumir responsabilidades e trabalhar em equipa
foram algumas das ferramentas para ser vista como a Engenheira Sofia e merecer respeito.

A inteligência emocional é fulcral para gerir um negócio e transformá-lo num sucesso, mas existem outras características determinantes para o sucesso. Quais as características que, enquanto líder, lhe parecem mais importantes para gerir eficazmente um negócio, as equipas e a sua vida familiar?

Ter inteligência emocional é sem dúvida uma das armas mais fortes, mas o autoconhecimento e a capacidade de gestão também. Temos de estar em constante alerta, pois gerir pessoas e prestar serviços é um desafio constante. Conhecermo-nos e acreditarmos que somos capazes é fulcral para tomarmos decisões de forma mais segura. Saber tomar uma decisão e sermos responsáveis pelas suas consequências faz toda a diferença e transmite segurança a todos os que nos rodeiam. Ter uma atitude firme e de partilha de liderança torna o grupo mais coeso e assim os objetivos alcançam-se com mais facilidade. Nada se faz sem humildade, ser humilde em tudo é essencial, pois é assim que somos verdadeiros para connosco e para com os
outros.

“Sou uma lutadora diária,
não permito que
me digam que
não sou capaz
só por ser mulher”.


Como avalia o mercado de trabalho nacional, no que respeita à capacidade de as mulheres conseguirem alcançar cargos de topo de gestão empresarial? Ainda considera que existe “um caminho a percorrer”?

Sem dúvida que ainda existe um longo caminho a percorrer. Ainda existem alguns setores na
sociedade que continuam a ver a mulher como aquela que tem a obrigação de ser responsável pelo cuidado familiar, em detrimento do seu papel profissional. Contudo, têm sido alcançados grandes progressos. Na rede Querido Mudei a Casa Obras já são muitas as unidades lideradas por mulheres.

Que mensagem gostaria de deixar às mulheres que gostariam de iniciar uma carreira em nome próprio?

Quando me pedem conselhos para vingar num setor, sobretudo, de homens, eu prefiro apenas referenciar algumas máximas, sobretudo aquelas que eu vivencio diariamente e que me dão provas de estar no caminho certo. Ser mulher não é ser menos sábia, menos forte nem menos capaz. Temos de saber usar a nossa força naquilo em que somos boas e canalizá-la para o que fazemos todos os dias. Enquanto engenheira civil e gerente de uma empresa, diria que valorizarmo-nos e acreditarmos que somos capazes é a chave do nosso sucesso pessoal. Eu não acredito que sou uma mulher no mundo dos homens. Eu acredito que estou num mundo de grandes homens e incríveis mulheres.

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