“2021 será um bom ano para o imobiliário”

Sara Fernandes é a broker da Remax Coral, uma agência imobiliária situada em Coimbra que abriu em 2014, aproveitando o final de um ciclo de crise económica que o país viveu. Empreendedora, começou o seu percurso no setor imobiliário como consultora e reconhece que a sua fase de maior crescimento aconteceu após a abertura da sua própria agência.

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Sara Fernandes, broker

O que a levou a ingressar na área do imobiliário?

A minha área de formação é Arqueologia. Quando acabei o curso, estive um ano a lecionar a disciplina de História e depois fiz acompanhamentos arqueológicos, durante dois anos. Entretanto, nasceu a minha filha mais velha e eu deparei-me com o facto de ter de sair de Coimbra caso pretendesse continuar a realizar trabalhos no âmbito da Arqueologia. Tomando em consideração o facto de ter de me afastar da minha filha e o interesse remuneratório do trabalho, optei por deixar a Arqueologia e entrei no setor imobiliário, em 2002. Quando o fiz, entrei para uma imobiliária de Coimbra, tradicional, que não era um franchising. Só iniciei o meu percurso na Remax em 2011. A determinado momento, julguei que fazia sentido abrir a minha agência, dado que já tinha muita experiência no setor e porque estávamos a sair de uma crise, o que representa sempre um bom momento para montar um negócio.

Como define a sua forma de trabalhar enquanto broker?

Ser consultora imobiliária e ser broker são posições completamente distintas, isto porque se enquanto consultora eu tinha flexibilidade, procurava uma determinada rentabilidade, acompanhava o cliente e ainda conseguia conciliar a atividade com a minha vida familiar, enquanto broker o meu principal objetivo é conseguir criar e gerir uma equipa, permitindo que a mesma cresça. É muito importante saber gerir a parte emocional de cada um e a parte empresarial. Todas as pessoas são diferentes e é essa diferença que é importante saber gerir.

Quais os traços característicos da sua equipa?

A minha equipa é constituída por pessoas maduras, acima dos 40 anos, casadas e licenciadas, na sua maioria. Muitas ficaram sem trabalho e veem no setor imobiliário uma forma de criar uma carreira estável, com uma realidade de faturação que lhes permite ter uma vida bastante confortável. Os mais novos também se candidatam, mas têm mais urgência em que a faturação comece a surgir, isto porque querem iniciar a vida – comprar casa, carro, ou casar – e acabam por desistir mais facilmente quando percebem que esta carreira precisa de tempo.

A formação é atualmente um fator decisivo no desenvolvimento e na concretização de negócios?

Desde que entrei para o setor imobiliário, em 2002, até ao momento, noto uma mudança enorme. Quando entrei para o setor imobiliário, não havia formação. As pessoas que trabalhavam nesta área estavam acostumadas a trabalhar de uma determinada forma e não alteravam essa forma de trabalhar. Quando entrei para a Remax, vivia-se um período de mudança no setor imobiliário. Quem estava desempregado – fruto da crise que o país atravessava – via no ramo imobiliário uma possibilidade de carreira e também de aportar ao setor algo novo, fruto dos seus próprios conhecimentos. Foi nessa altura, quando conheci o projeto da Remax e a forma como eles consideravam que um consultor devia trabalhar, que percebi que me identificava muito mais com a Remax do que com as imobiliárias tradicionais. Na Remax, a formação é contínua e isso permite aos consultores adaptarem-se às alterações do mercado e aos clientes que surgem, porque todos são diferentes: há os mais exigentes, os mais informados, aqueles que têm mais ou menos cultura geral, e o papel do consultor passa por saber estar com todos. Para um consultor, é importante reconhecer o perfil de cliente e tratá-lo de forma adequada.

Como é que define o mercado imobiliário da região de Coimbra?

Coimbra sempre foi uma cidade bastante interessante, no que respeita ao imobiliário, embora nos últimos dois anos tenhamos tido algumas dificuldades, nomeadamente no que respeita à oferta. Apesar da Covid-19, o que se tem notado é que tem havido uma procura contínua por parte das pessoas, sobre diferentes tipologias – moradia, apartamento, com ou sem terraço ou varanda…Muitas pessoas querem sair das cidades, outras querem voltar à cidade….Há sempre compradores, para todo o tipo de produtos. O problema está na escassez da oferta, que acabou por levar à subida dos preços. Ainda assim, mesmo com as dificuldades de circulação inerentes à pandemia, o mercado estrangeiro continua a procurar casa em Portugal, sobretudo no que respeita a franceses, ingleses, brasileiros e norte-americanos.

A Remax faz 20 anos. Que avaliação faz do seu próprio caminho na área imobiliária e da evolução da Remax?

A Remax era completamente diferente daquilo que é hoje, quando chegou a Portugal. Atualmente, é seguramente a marca mais bem representada no país. Tem imensas lojas e consultores e a formação contínua que oferece permite a todos serem cada vez melhores profissionais. Além disso, o sistema de partilha em rede e as plataformas digitais permitem aos consultores acompanharem o cliente de uma forma próxima, fazendo-o sentir-se especial. Em termos pessoais, o meu maior crescimento aconteceu com a abertura da agência, pois tive de aprender a gerir pessoas e expectativas e, sobretudo, a acalmar.

Qual lhe parece que será o comportamento do mercado nos próximos tempos?

A Covid-19 e a dificuldade económica adjacente farão com que haja uma maior diversidade de casas para vender nos próximos tempos, porque vai haver muito mais pessoas que vão querer realizar negócios nesta altura pós-pandemia, com os preços estabilizados a um nível mais baixo. Creio que 2021 será um bom ano.

www.remax.pt/coral

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