“2022 trará crescimento e diversificação”

A OPCO, uma academia de formação e consultoria particularmente especializada nos setores da aeronáutica e automóvel, apostou fortemente no e-learning em 2021. Com base na sua plataforma de aprendizagem online OPCOnline, alargou as suas formações a outras áreas geográficas e antecipa, para o futuro, que o modelo híbrido será o adotado para as sessões de formação. Pedro Silva, CEO da empresa, salienta, no entanto, a necessidade de adaptação da OPCO à nova realidade do mercado, que coloca o setor automóvel, em particular, como fonte de muita incerteza, devido à escassez de matérias-primas e à dificuldade de transporte dos materiais.

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Pedro Silva, CEO

A OPCO aproveitou o ano de 2020 para reforçar a sua aposta no e-learning, bem como no desenvolvimento da OPCOnline, uma plataforma digital de aprendizagem. Que balanço faz desta nova área de serviços, após um ano de criação e desenvolvimento?

O balanço é extremamente positivo. A adesão, fosse primeiramente condicionada pela pandemia, seja agora já por decisão do cliente, foi bastante elevada, tendo-se tornado claramente num modelo a seguir, com as devidas lições aprendidas e com as respetivas melhorias. Tal como abordado em devido tempo, por altura do Automotive Summit 2020, com outros parceiros europeus, cremos que o modelo futuro será um modelo híbrido, que combine a atividade presencial com a atividade remota. Tal modelo trará claramente várias vantagens, a vários níveis.

2021 acabou por se concretizar, efetivamente, como um “ano de consolidação”, como pretendia?

Sim e não. Sim, neste aspeto de novos modelos de formação, ou mesmo de realização de auditorias ou seguimento de projetos. Como antes tinha referido, vamos ainda incluir várias alterações e melhorias, mas essa consolidação definitivamente concretizou-se. Já a nível de equipa, por exemplo, funções, estrutura, está ainda a decorrer essa consolidação, fruto de algumas alterações introduzidas, fosse pela pandemia, seja agora pela instabilidade que afeta, principalmente, a indústria automóvel.

O ano que agora termina trouxe desafios estratégicos grandes às empresas nacionais. A indústria automóvel e a da aeronáutica viveram dificuldades e mesmo a produção – no caso dos automóveis – viu-se afetada. Como lidou a OPCO com estas questões?

Sem dúvida. Primeiro a pandemia, com todas as consequências sobejamente conhecidas. Depois, com a retoma, inclusive em 2020 com vários meses de produção muito acima do planeado, veio a situação que agora atravessamos, da falta de semicondutores e, agora, mais recentemente, da falta generalizada de matérias-primas e dificuldades de transporte. Atravessamos, sem dúvida, um momento único, em que uma indústria tida como exemplo em termos de planeamento e sincronização da cadeia de fornecimento, se vê agora perante uma instabilidade e incerteza enormes. Sem querer fazer futurologia, mas baseado em tudo que ouvimos nos vários fóruns, 2022 continuará a mesma tendência, pelo que claramente temos em cima da mesa um conjunto de atividades que visam diminuir a nossa vulnerabilidade a tais fatores.

A mão de obra é cada vez mais fundamental – ainda que, atualmente, muitos dos processos sejam automáticos e robotizados. Quais os desafios para a geração de trabalhadores que precisa de reconverter os seus conhecimentos e adaptar-se a trabalhos que combinam, cada vez mais, a capacidade humana com a tecnologia?

Essa é já hoje uma realidade. Sendo a nossa atividade principalmente orientada para funções técnicas de suporte e de liderança, verificamos claramente essa evolução. Podemos referir, por exemplo, a importância cada vez maior da componente de software, em termos de desenvolvimento e em termos dos processos normativos e de referência associados. Podemos falar também do aumento da preocupação com as vulnerabilidades relativas a cibersegurança e segurança da informação. Temas como a segurança funcional de sistemas e de sistemas conectados em rede, com atualizações over the air, entre outras.

Existem formações recentes ou particularmente relevantes que gostasse de salientar?

Sim, toda a componente de cibersegurança e segurança da informação, em que temos já alguns projetos concluídos com sucesso e área na qual iremos também apostar internamente. Ou então, nas áreas de supply chain, área na qual também a preocupação em termos de cumprimento de referenciais internacionais e integração com os sistemas de gestão já implementados tem vindo a aumentar consideravelmente.

O país está a entrar na fase de retoma económica, de acordo com autoridades governamentais. Enquanto entidade formadora certificada, que lida tão de perto com a realidade das empresas nacionais de setores de ponta, como analisa esta possibilidade de retoma?

Os números assim o dizem, de forma geral, contudo se nos focarmos em particular na indústria automóvel, a palavra de ordem é preocupação, devido a toda a instabilidade em relação aos semicondutores e matérias-primas. A cadeia de fornecimento, seja em termos de materiais, seja em termos de transportes, seja em termos do aumento do preço das energias, está seriamente afetada e esse cenário torna-se bem mais visível à medida que descemos na cadeia de fornecimento. Chegando aos níveis mais abaixo, onde encontramos já não multinacionais, mas PME’s, a situação agrava-se com os efeitos de todas essas alterações: stocks aumentados, consequentemente dificuldades de cash flow, impossibilidade de planear… Temos todos que estar atentos ao início de 2022.

Perspetivando o próximo ano, quais os objetivos a atingir para a OPCO?

Duas palavras: crescimento e diversificação. Diversificação, seja a nível de oferta de serviços, seja a nível de mercados-alvo. Em 2021 contamos igualar o ano de 2019, o nosso melhor, pelo que a confiança, com as devidas prevenções, é elevada para 2022.