“Olhamos 2022 com esperança”

A MeioTermo tem oito anos de mercado e já desenvolveu trabalhos nas áreas do marketing, comunicação e audiovisual com muitos parceiros de renome, particularmente na área do stand-up comedy. Ana Cunha, uma das responsáveis pela empresa, explica como a MeioTermo se adaptou ao momento de pandemia e relembra as dificuldades que todos aqueles que trabalham no meio artístico e cultural atravessam.

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Ana Cunha, responsável de produção e gestão (ao centro)

Como avalia a evolução do mercado, sobretudo no que diz respeito ao mercado de comunicação digital, ao longo destes anos?

A MeioTermo está presente no mercado desde 2013, e o seu crescimento e afirmação têm sido graduais. Começámos por ser uma agência de stand-up comedy, mas hoje assumimo-nos também como uma produtora, que tem como missão assegurar as melhores soluções de humor e entretenimento para o seu público, clientes e parceiros, em todos os formatos e plataformas de distribuição de conteúdos, e ao longo de todas as fases do processo criativo. O mercado do humor cresceu muitos nos últimos seis anos, e acreditamos que temos a nossa quota parte de responsabilidade nesse crescimento.

Como se posicionou a MeioTermo nestes dois anos de mercado, onde os eventos físicos foram escassos?

Percebemos que o digital poderia ser a resposta e, apesar dos espetáculos ao vivo terem estado parados, a necessidade das empresas em continuarem a comunicar com o seu público não. Percebemos que o Live Streaming seria a resposta para as necessidades de parte a parte e foi isso que fizemos. Durante o ano de 2020 e 2021, realizámos dezenas de eventos em Live Streaming, aprimorando cada vez mais a técnica e as plataformas de emissão; criámos, em conjunto com alguns dos nossos artistas, canais digitais para a partilha de conteúdos de humor e entretenimento; e demos ao vídeo um papel de destaque dentro da nossa produção.

A Meio Termo foi distinguida com o selo Top 5% Scoring 2021 para PME’s. Quão importante é esse reconhecimento?

A distinção que nos foi atribuída é forte motivo de orgulho para toda a equipa. Mas receber esta distinção num ano em que a nossa indústria foi tão abalada e onde assistimos ao desaparecimento de muitos operadores torna-nos ainda mais vaidosos, pois temos a consciência de como foi difícil. Nada do que digo teria sido possível sem o enorme espírito colaborativo dos que trabalham connosco. Ao longo destes últimos dois anos, a dedicação, espírito de sacrifício e de iniciativa foram fundamentais para que mantivéssemos a nossa estrutura intacta.

Que análise faz sobre esta mudança que ocorreu no mundo digital e como pode esta alteração afetar a própria forma de fazer negócios?

A presença de uma marca no digital é importantíssima para o crescimento da mesma e é aí que nós entramos. Mais do que textos bonitos, o digital vive de imagens, e aqui falamos de vídeo, de fotos, de design. Mais do que nunca, a forma de comunicar é através das imagens. Paralelamente, julgo que muitas áreas de negócio perceberam o impacto direto que o digital tem (e teve) na sua operação. Não só pela comunicação com os clientes, mas também ao nível operacional, com o crescimento exponencial do e-commerce. Foi a pensar nisso que no início de 2021 lançámos a MTDigital. Aproveitando o know-how adquirido ao longos dos últimos anos e os recursos que já dispúnhamos internamente percebemos que a criação de um segmento dentro da MeioTermo totalmente dedicado ao digital nos permitiria reter novos clientes e alavancar novos negócios.

Considerando as dificuldades que o nosso país enfrentou, qual a sua opinião sobre a possível retoma anunciada pelos órgãos governamentais?

Houve muitas empresas que tiveram de fechar portas e temo que, se voltarmos a ter restrições apertadas que não nos permitam atuar em pleno, muitas mais sigam pelo mesmo caminho. Ora isso não é vantajoso para ninguém. Na MeioTermo costumamos dizer que quem trabalha e vive desta área sofre de uma pequena dose de loucura, pois só assim se explica as horas intermináveis de trabalho que todos passamos, traduzidas depois numa sala cheia de pessoas a apreciar um espetáculo durante pouco mais de duas horas, ou um vídeo traduzido em escassos minutos. Com ou sem restrições, o importante é não pararmos, e é por isso que nos debatemos.

www.meiotermo.pt