“A Arquitetura tem uma responsabilidade grande na organização do território”

Ricardo Vieira de Melo é arquiteto no atelier ao qual dá o nome e destaca a importância de uma Arquitetura simples, funcional e intemporal. O desafio é oferecer projetos onde a naturalidade esteja presente. Este profissional e docente de arquitetura no Porto destaca a falta de preocupação com o território e com o direito à habitação que se vem instalando em Portugal.

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A RVDM tem quase três décadas de atividade, dedicada à Arquitetura, ao Desenho Urbano e ao Design. Como evoluiu? Há alguma “marca”?

As respostas e os desafios têm sido bastante diversos. O que tento manter é a máxima atenção ao projeto, procurando dar uma resposta que ultrapasse as expectativas do cliente. A Arquitetura impõe-se. Por isso tem de responder além do programa, ser mais do que se espera e equaciona. Na RVDM procuramos (porque somos uma equipa) dar mais do que aquilo que nos solicitam. Mas há constantes no nosso trabalho – a luz natural, a amplitude dos espaços, os materiais naturais. No entanto estas características têm de ser doseadas em função do local, das relações urbanas, da solução construtiva. É esse equilíbrio que se procura sempre. Para que o projeto e sobretudo a obra acabada possa ser o mais natural possível. Que se justifique a si mesma.

Casa Forca-Vouga – Ivo Tavares – its studio

Que projetos gostaria de salientar que vão ao encontro do que explicou acima?

É mais fácil mencionar os mais recentes. A Casa na Forca-Vouga em Aveiro, por exemplo, teve de se equilibrar entre exposição e clausura, definindo critérios para os vãos. A posição de uma janela, de uma porta, é importante na qualidade de um ambiente. Ela ajuda à entrada de luz, mas também a deve controlar. Ela permite ângulos de visão, mas também organiza a imagem exterior. Tudo tem de ser testado e verificado previamente, no projeto.
Uma pequena torre de habitação no centro de Aveiro também reflete esse cuidado com o resultado urbano. As especificidades do sítio, a relação com um grande edifício existente e a orientação solar, bem como a organização
interna num terreno escasso e triangular, definiram a forma final do Edifício Lumínea. Esteve sempre presente a vontade de obter mais espaço público, de qualificar o lugar e propor habitações mais confortáveis e amplas. Não desperdiçar espaço!

Edifício Lumínea – Maro Studio

Como organiza a criatividade para cada projeto?

Edifício Orizzont – Ivo Tavares – its studio