“A construção civil é uma área aliciante”

A JMM Demolições é uma empresa familiar, que conta já com três gerações da família Mendes. O fundador foi José Manuel Mendes, que incutiu nos filhos o valor de uma boa gestão, no que respeita à capacidade de investir em novos equipamentos e técnicas, mas também ensinou à geração seguinte a importância de ter bom nome no mercado. Dotada de novas instalações, onde consta uma homenagem ao fundador, a JMM Demolições é responsável por várias demolições emblemáticas e procura, constantemente, estar na vanguarda da tecnologia, como salienta Cristina Mendes, gestora na empresa.

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A JMM Demolições tem novas instalações, para as quais se mudaram em janeiro. Que marco representa para a família e para a empresa este “novo começo”?

Nós já estávamos a sentir esta necessidade há bastante tempo. As coisas foram piorando com o tempo, considerando que quando o meu pai começou só tinha um funcionário no
escritório e, ultimamente, éramos 12 pessoas, o que significava que havia sempre, pelo menos, duas pessoas por gabinete. Éramos pouco produtivos e chegávamos muito cansados ao fim do dia de trabalho. Fazia realmente falta uma nova infraestrutura. Atualmente,
todos temos noção de que a parte organizacional é fundamental para uma empresa. Se queremos estar na vanguarda da técnica, da tecnologia e da formação dos nossos colaboradores, toda a parte burocrática deve estar em dia, sob pena de sofrermos
penalizações ou atrasos no desenvolvimento do trabalho que nos podem custar caro. Por isso, já tinha chegado a hora de equipar bem o escritório. Estas instalações são muito amplas, têm muita luz, muito boa energia e não há realmente como nos queixarmos. O espaço tem 12 pessoas a trabalhar, mas com facilidade podemos duplicar esse número, pois foi preparado para isso. De entre as condições das novas instalações destacam-se uma zona para reuniões,
para a equipa técnica, com equipamentos de vanguarda e uma sala onde sentamos 14 pessoas para uma reunião. Estamos muito felizes e agora temos finalmente condições
para receber bem quem nos visita.

Quais os desafios e problemas que as empresas da área da construção civil enfrentam diariamente, que importa salientar e resolver rapidamente?

A organização é fundamental a todos os níveis, e é desafiante, porque cada vez mais temos de ter em atenção pequenos pormenores. O primeiro contacto que temos com um cliente é a
orçamentação e, só isso, é um desafio. A execução também o é – até porque nós, enquanto empresa dedicada às demolições – sabemos que cada demolição é única. As técnicas são
diferentes, as dificuldades também, mas é difícil dar orçamentos tendo que prever tudo o que será necessário fazer e tudo o que pode acontecer durante uma demolição. Outro grande
problema – e que tem tendência a piorar – é a mão de obra, ou falta dela. A verdade é que os jovens nunca pensam em vir para a construção civil. Falta desmistificar que as profissões
ligadas à construção civil já não são tão físicas quanto eram antigamente. Há mais e melhores equipamentos, mais tecnologias, técnicas mais avançadas e maior segurança. É muito importante falar diretamente nas escolas, levar os jovens a interessar-se por profissões
ligadas à construção civil e às especialidades, como serralharia, por exemplo. Todavia, a verdade é que os próprios cursos profissionais também não procuram salientar estas áreas.
Temos sempre, em quase todas as escolas, cursos ligados à mecatrónica, à hotelaria… e a construção civil nunca é considerada. É importante passar a ideia de que a construção civil é uma área aliciante. É um trabalho interessante, onde se aprende muito e onde se ganha bem. No nosso caso, as desmontagens são ainda mais difíceis e é importante ter gente com muito
conhecimento a tratar deste serviço. O preço do combustível é outro problema – nós consumimos imenso combustível e este é muito, muito caro. Além disso, os fornecedores exigem quase pronto pagamento por este bem, pelo que é algo que temos de manter sempre em dia.

A JMM Demolições é conhecida por fazer questão de estar sempre na vanguarda, no que respeita às tecnologias, às técnicas e formações providenciadas aos vossos colaboradores. A sustentabilidade também não é dissociável disto. Como se posiciona a JMM Demolições nesta questão?

O meu pai foi o fundador da empresa e foi ele que nos incutiu a ideia de que tínhamos de ter sempre carros novos, equipamento novo e máquinas de última geração, pois se assim for, o risco de uma paragem inesperada é menor e a manutenção é sempre mais barata,
considerando que nos primeiros dois a três anos nem temos de nos preocupar com ela. Ele diz sempre que “só quem tem muito dinheiro é que tem um carro velho”, porque dá mais despesa mantê-lo. Da mesma forma, o nosso pai sempre nos incutiu a importância de termos bom nome no mercado, de forma a podermos ter sempre crédito bancário disponível. De acordo com ele, a única coisa com que seria necessário preocupar-se, tendo um crédito, era
liquidá-lo e, se tudo corresse como planeado nas obras, o investimento feito em material seria pago de acordo com o previsto e, felizmente, assim tem sempre sucedido. Neste momento, distinguimo-nos dos outros parceiros por termos uma máquina que chega a
40 metros de altura, para retirar materiais, e uma outra, mais recente, que escava até 30 metros de profundidade. Ambas são máquinas únicas em Portugal. Isso permitiu-nos
ficar com obras como a demolição do prédio Coutinho, em Viana do Castelo, ou a do edifício da EDP, em Lisboa. Somos verdadeiramente inovadores e tecnológicos. Relativamente à sustentabilidade, aqui nada é deitado ao lixo. Quando fazemos uma demolição, analisamos o que será necessário fazer para levar a cabo a mesma, quais as técnicas a utilizar e qual o melhor método para recuperar e reutilizar o material retirado daquela demolição.

O que reserva o ano de 2022 para a JMM Demolições?

Nós temos muitos projetos em mãos. Já temos associada uma marca de vinho verde, uma produção de mirtilos e temos vindo a ver com outros olhos estas áreas e o seu desenvolvimento. Além disso, vamos investir na área do turismo em Marco de Canaveses. O
nosso objetivo é dinamizar esta terra e fazê-la evoluir. Este projeto – a correr bem – estará pronto em 2024. Estamos conscientes de que é um projeto muito exigente, vamos precisar
de sabedoria e perspicácia, porque é uma nova área de negócio, mas acreditamos que, pela forma como o temos pensado, vai ser algo que vai fazer a diferença na região.

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