“A digitalização é incontornável no Turismo”

A Les Roches e o Glion Institute of Higher Education são instituições de ensino suíças, especializadas nas áras de Hotelaria, Turismo, Marketing de Luxo e atividades intrinsecamente relacionadas com estas. Sempre voltadas para o futuro e com um ensino que combina a parte teórica e prática, estas escolas de renome mundial estão cientes da importância da digitalização e da tecnologia para estes setores e já preparam os líderes do futuro com base nestas premissas, como explica Pedro Martins, educational counselor para Portugal.

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A Les Roches e a Glion são ambas escolas de hotelaria com um ensino inovador, virado para o empreendedorismo dos jovens estudantes. Como distingue o modelo educativo de cada uma?

A Les Roches e o Glion Institute of Higher Education são ambas instituições de ensino suíças e que aplicam o modelo suíço de educação, através de uma sinergia perfeita entre conteúdos teóricos e formação prática. Ambas são especializadas no campo da hotelaria e do turismo de luxo. Oferecem cursos de licenciatura, mestrados e pós-graduações, bem como formação executiva em gestão hoteleira internacional, turismo, marketing de luxo e setores relacionados. Todos os programas académicos são lecionados inteiramente em inglês e combinam disciplinas de gestão e administração de empresas com estágios profissionais nas melhores cadeias hoteleiras e empresas do mundo. Quer a Les Roches, quer a Glion organizam grandes eventos agregadores, que debatem os setores da Hotelaria e do Turismo, nas suas vertentes mais atuais, como a digitalização ou a sustentabilidade, como é o caso de SUTUS, com foco no turismo espacial e subaquático (Marbella) ou o ShiftIn, dedicado à sustentabilidade. Penso que é mais a geografia em que estão inseridas que torna a vida dos alunos nos campus mais diferenciada, pelas caraterísticas climáticas, sociais e mesmo turísticas. A Les Roches tem campus universitários em destinos turísticos por excelência, onde os alunos podem experienciar no dia a dia o rigor e a prática da indústria. A Glion tem campus na Suíça e em Londres, dois hubs perfeitos para a inserção dos alunos no mundo empresarial e do luxo.

Relativamente à oferta formativa, o que lhe parece importante salientar, para a Les Roches e para a Glion?

No caso da Les Roches é de salientar o BBA em Gestão Hoteleira Global, é sem dúvida o ex-libris da instituição. É um curso que combina na perfeição o rigor académico suíço, berço da hospitality, com uma forte componente prática. O curso tem a duração de três anos e meio e é completado por dois estágios internacionais nas melhores cadeias hoteleiras internacionais ou empresas em que o core business é o turismo. Por outro lado, há um investimento total por parte do corpo docente no desenvolvimento das capacidades pessoais dos alunos, dotando-os de capacidades de liderança e gestão de crises, por exemplo. Um dos grandes objetivos dos campus Les Roches é formar os líderes da indústria do futuro e estes líderes têm de combinar conhecimento teórico-prático com capacidades únicas, que farão todos a diferença face aos desafios que o setor irá enfrentar nos tempos próximos. A Glion tem uma vertente mais virada para o Luxury Management e neste momento temos um programa que combina o BBA com o Master nesta área (cinco anos de formação). Destaque ainda para os Masters em International Hospitality Business; em Hospitality, Entrepreunership and Innovation ou ainda em Luxury Management and Guest Experience. São formações onde os alunos, depois de uma licenciatura, podem dar continuidade à sua formação orientando-a para uma determinada área de hospitality.

Considerando que estes dois últimos anos foram passados sob a ameaça da Covid-19, como lidaram ambas as escolas com esta questão? Como foi possível continuar a ensinar e a preparar os alunos com o mesmo grau de exigência antes utilizado?

A Les Roches e a Glion já ofereciam alguns programas online ao nível da pós-graduação como o nosso Master Executive (Les Roches), mas as circunstâncias obrigaram a criar um programa com base no remote learning que se veio a mostrar revolucionário nesta área. Criámos o programa Les Roches e Glion Connect, que consiste em fazer uma parte do curso em ensino à distância (os alunos recebem um package para aulas práticas, em suas casas, e seguem as aulas em streaming com os alunos que estão em regime presencial). As plataformas são super interativas e recriam um quotidiano autêntico no campus (as aulas são lecionadas seis horas por dia cinco dias por semana). Também se pensou nas restantes atividades, projetos, apresentações, trabalhos em grupo, dando oportunidade a que os alunos Connect pudessem estar em permanente interação com todos os departamentos das escolas.

A Les Roches criou, recentemente, o Spark Innovation Sphere by Les Roches. Qual a importância estratégica da criação deste tipo de oportunidades, para alunos e empresas? Que projetos já resultaram daqui (se existentes), que gostaria de salientar?

Lançado em finais de 2020, o Spark é um ecossistema global concebido para fomentar a inovação (especialmente entre os atores da hotelaria, turismo, luxo e restauração), fazer parte da estratégia de desenvolvimento económico, e atrair um número crescente de start-ups. O Spark oferece serviços de consultoria, investigação e apoio a projetos, com recursos tecnológicos e digitais avançados. Também fornece serviços de pré-incubação e incubação para jovens empresas com ideias inovadoras. Atualmente, o Spark reúne uma importante rede de peritos, tanto a nível local, como internacional. Mais de 35 empresas parceiras já trabalham juntas no centro de Marbella, em projetos de grande escala, incluindo o Airlander 10 (OceanSky Cruises), o novo dirigível de luxo que voará para o Polo Norte em 2024,que é o mais recente projeto com selo Spark.

A Les Roches criou, também recentemente, um Digital Board, ressaltando a importância que a digitalização assume para esta escola. Como definiria a importância estratégica que conceitos como digitalização, inteligência artificial e robótica assumirão num futuro próximo?

O mundo da hotelaria tem mudado muito ao longo das décadas e os últimos anos apresentaram verdadeiros desafios, no que toca à perceção e desejo dos clientes de várias gerações. Neste momento, a pandemia veio também alterar formas de estar e a própria gestão hoteleira. A digitalização é incontornável no mundo global e fundamental para qualquer negócio atualmente, mesmo os negócios que são pensados com base na relação humana, como é o caso dos setores da Hotelaria e Turismo. A constituição do Digital Board teve como objetivo apoiar a Sommet Education no aumento de competências digitais dos alunos e propor novas ideias, serviços, produtos e soluções alavancando a estratégia de digitalização a implementar nos campus e cursos e integrar com mais força a digitalização nas experiências de aprendizagem dos alunos, preparando-os para pensarem e implementarem soluções, a vários níveis, com base em tecnologia de ponta, nomeadamente a robótica e a inteligência artificial.

2020 e 2021 foram anos muito complicados para o setor hoteleiro mundial. Como lhe parece que o próximo ano se desenrolará, para esta área?

Penso que o setor terá de se continuar a adaptar aos desafios endógenos e exógenos. Os decorrentes da atividade são mais fáceis de prever e também de ultrapassar. A pandemia trouxe também uma reflexão profunda no que toca a posicionamento e procedimentos do setor e agora o setor está mais bem preparado para lidar com outros desafios futuros.

Para 2022, o que está reservado para a Les Roches e a Glion?

A Les Roches e a Glion estão no Top 3 mundial no que toca à formação hoteleira e turismo e também ao nível da reputação junto dos empregadores, em termos globais. Os nossos alunos são os líderes do setor. Para o próximo ano, e para os seguintes, queremos continuar a crescer, mas, sobretudo, continuar a proporcionar a melhor experiência de ensino, com base na tecnologia, nas tendências do setor e preparar os futuros líderes para cenários de crise. Em 2021 tivemos um record de alunos oriundos de Portugal, o que significa que, apesar da pandemia e das suas limitações, estamos confiantes que em 2022 iremos superar estes números. No nosso país já iniciámos o Roadshow 21/22, com visitas e apresentações a colégios internacionais em Lisboa, Porto e Algarve, a par com as personal meetings a potenciais alunos para os cursos e masters de março e setembro do próximo ano.