“A preparação prévia dos projetos é fundamental”

A Critical Path Managers (CPM) conta com seis anos de existência, mas os sócios fundadores têm muitos anos de know-how no que respeita à engenharia e construção. Os engenheiros José Paulo e José Miranda Rodrigues são os responsáveis por esta empresa cujo trabalho visa garantir a donos de obra públicos e privados uma adequada gestão de projetos e obras.

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Com base nos vossos conhecimentos do setor, quais os principais problemas que identificam e que análise estes vos merecem?

O setor da construção é muito extenso e tem muitos intervenientes, como fornecedores de materiais e equipamentos, empreiteiros e subempreiteiros, projetistas de arquitetura e especialidades, consultores e empresas de fiscalização. Os problemas de cada um destes intervenientes são distintos e provavelmente não os conseguiria enumerar todos. Tentarei centrar-me nos problemas que poderão ser comuns: prazos médios de recebimentos de clientes privados e Estado elevados; prazos médios de pagamentos a fornecedores, subempreiteiros e prestadores de serviços elevados; falta de mão de obra especializada; subida de preços de matérias-primas, combustíveis, eletricidade e consequentemente aumento nos materiais e equipamentos a incorporar na construção. As subidas de preço continuadas de mão de obra e materiais/equipamentos levam a um aumento dos custos de construção para valores acima dos preços que seriam razoáveis e expectáveis.

José Miranda Rodrigues, engenheiro e sócio-gerente

Considerando o período pandémico, como vê o comportamento das empresas do setor da Construção, Engenharia e Projetos?

A grande maioria das empresas do setor da Construção, Engenharia e Projetos não foi atingida pela crise que assolou outros setores da economia nacional. Mesmo no auge do período pandémico, as obras em Portugal não pararam e os projetos e prestações de serviços continuaram a ser desenvolvidos com o recurso a trabalho presencial e teletrabalho. Em muitos casos ficou criada a ideia, errada, que vai ser sempre assim e em nossa opinião, para além do que já referimos como resultante dos aumentos dos valores de matérias-primas e materiais/equipamentos, tem havido algum aproveitamento da situação por parte de muitas empresas.

Em Portugal, uma das grandes questões colocadas prende-se com as demoras no tempo de execução de obra. Quão importante é uma preparação prévia de todo o projeto, para prevenir qualquer atraso?

Em Portugal, continua a investir-se pouco na fase pré-construção. Os projetos são na generalidade mal pagos e com períodos de execução muito curtos. Isto leva a que haja pouco tempo para pensar, encontrar as melhores soluções, rever o trabalho feito (peças escritas e desenhadas), medir com a maior atenção e cuidado, procurar eliminar erros e omissões, rever a documentação contratual para concurso. O objetivo deve ser sempre procurar eliminar na fase pré-contratual as situações que possam, numa fase de obra, gerar conflitos devido a imprevistos, que geram quase sempre acréscimo de custos e de prazo, pelo que o trabalho de preparação prévia dos projetos é fundamental.

Como lhe parece que o próximo ano será, se considerarmos que existem ainda muitas empresas que têm moratórias ativas, que terminarão em dezembro?

Na generalidade dos setores económicos, a situação das moratórias constituiu uma ajuda às empresas, que foi imprescindível na “travessia” do ano de 2020. Reconhecemos que é difícil para muitas empresas pagar as suas obrigações normais, acrescidas do valor das moratórias. Não nos parece haver outra solução que não seja prolongar as moratórias existentes para além de dezembro, ou converter essas moratórias em novas moratórias, que permitam às empresas fazer o pagamento das mesmas e aos Bancos recuperar os valores investidos nas empresas. As empresas que recorreram às moratórias necessitam de tempo.

Como está a CPM a preparar o próximo ano? Já existem trabalhos em carteira?

O objetivo da CPM para 2022 é manter a faturação média dos últimos três anos e para isso temos vindo a trabalhar nos últimos meses. Para 2022, para além da conclusão de um conjunto de obras em curso, temos em carteira, com continuidade para 2023, a fiscalização de empreendimentos novos destinados a habitação, tais como Quinta da Trindade, Lote 1, Seixal – 100 apartamentos e Parque dos Cisnes, lote 3 – 168 apartamentos – Miraflores, fiscalização do Nasoni Oporto Hotel, em Gondomar e também fiscalização de alguns empreendimentos de reabilitação urbana, como o Quarteirão Inglês, na Estrela e Palacete Pessanha, na Junqueira, ambos em Lisboa.