“As empresas portuguesas deviam apostar mais na formação”

A APCER celebra este ano o 25º aniversário e assinala-o vincando um dos seus valores – a confiança. Tiago Mimoso, international market coordinator da empresa, assume que um dos principais objetivos da APCER é continuar a ser líder de mercado na sua área de atividade, alargando a presença internacional e salienta ainda as principais diferenças entre Portugal e Angola, no que respeita à importância dada à certificação.

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Tiago Mimoso, international market coordinator

Como avalia estes 25 anos de existência da APCER e a sua ação entre clientes, fornecedores e parceiros?

O lugar de liderança de mercado que a APCER ocupa, tanto em Portugal como nos PALOP’s, onde temos atividade, é prova evidente da avaliação positiva de todas as partes interessadas relativamente ao valor ‘confiança.’

Como pode a APCER ajudar, no que respeita às certificações de qualidade e segurança, a promover um ambiente de trabalho e de produção saudável e seguros nas empresas?

A atividade de Certificação é um fator de grande peso no desenvolvimento empresarial de qualquer economia. Qualquer atividade relacionada com Verificação de Conformidade incentiva os mecanismos de melhoria contínua, no caso da Qualidade, e promove as condições de trabalho para patamares de segurança nivelados com os que se praticam nos países, ditos, mais desenvolvidos.

Relativamente às formações que a APCER faculta, quais aquelas que gostaria de salientar?

Os programas de Formação que a APCER tem em oferta cobrem um vasto número de temas, ainda que o enfoque principal seja na formação em referenciais normativos direcionados à certificação e às suas respetivas metodologias de auditoria. Continuo a considerar a Formação em Qualidade (ISO 9001) como o ponto principal de abordagem aos sistemas de gestão, pois contém os elementos essenciais que são comuns a muitos outros sistemas de gestão. No entanto, as novas realidades e consciencialização das empresas, e do público em geral, sobre matérias como o Ambiente, as questões Sociais e a Segurança da Informação estão a causar uma diversificação na procura de temas de formação.

Considerando o contexto pandémico em que o mundo, e Portugal em particular, mergulhou, qual o papel que a APCER desempenhou junto das empresas?

É surpreendente a agilidade com que a APCER reagiu perante o desafio da crise causada pela pandemia. Ainda que tivéssemos temido efeitos devastadores na nossa atividade, estes acabaram por não se revelar tão nocivos como pensámos. Em alguns casos foi até possível transformar o desafio em oportunidade, forçando-nos a aprender a trabalhar de forma diferente, de maneira a permitir às empresas a continuidade dos seus processos de certificação e a normal manutenção dos seus sistemas de gestão.

A importância da certificação já está largamente divulgada junto das empresas nacionais? Que avaliação se pode fazer do panorama empresarial e industrial nacional, atualmente, relativamente à evolução das condições de trabalho e produção, nos últimos 25 anos?

É verdade que nos mercados mais desenvolvidos, aqueles que associamos aos designados ‘países do primeiro mundo,’ a certificação já está quase ao nível rotineiro de exigência dos próprios mercados. As vantagens que a certificação aporta, não só em termos económico-financeiros, mas também ao nível da imagem e do prestígio das empresas, estão bem compreendidas pelo empresariado. Adicionalmente, a evolução em termos legislativos, devido à nossa progressiva integração na UE, tem levado à procura de implementação de sistemas de gestão que reforçam, e em alguns casos ultrapassam, a conformidade com as novas exigências. O mesmo já não é evidente em ambientes empresariais onde as pressões concorrenciais e as vantagens competitivas não são tão evidentes. No que respeita a Portugal tem-se notado, nos últimos 20 a 25 anos, uma evolução quase exponencial na perceção e reconhecimento do impacto que a certificação tem no desempenho das empresas. Em outros ambientes empresariais, como nos países africanos, essa evolução é mais paulatina, seletiva e numa perspetiva mais pragmática.

Muitas empresas portuguesas desenvolvem a sua atividade profissional também em Angola. Quais as diferenças entre o trabalho desenvolvido pela APCER em Portugal e a APCER em Angola, que mais se destacam?

Em princípio, não haverá diferença na maneira de trabalhar da APCER em Portugal ou em Angola. Esse é, diria, o objetivo primário da normalização – ter uma forma padronizada nas metodologias de avaliação. Só assim se garante que uma empresa certificada em Angola é ‘tão certificada’ como uma certificada em Portugal ou nos EUA. A diferença, a existir, reside mais ao nível da motivação e dos objetivos que levam as empresas a buscar o estatuto de Empresa Certificada. Logo, a nossa maneira de trabalhar num mercado como Angola difere sobretudo na forma de abordagem à criação da necessidade, que passa, sobretudo, por demonstrar os benefícios que podem advir de se obter um fator diferenciador como a certificação.

Comparando diretamente ambos os mercados, como avalia cada um, no que respeita à sua aposta na certificação e na formação?

No caso português, a minha perceção é que a aposta deveria ser mais forte na Formação, sobretudo nos referenciais emergentes ligados à Inovação e às TI’s. Esta é uma perceção estritamente comercial, com base em tendências de procura. No caso angolano, a Formação é essencial, pois as maiores carências encontram-se na escassez de recursos humanos com as devidas competências para implementar e manter sistemas de gestão. Creio que terá de ser ultrapassada a relutância do empresariado angolano relativamente a investir em Formação, que se deve à dificuldade que têm em fidelizar os recursos formados.

Quais os próximos objetivos a alcançar, pela APCER?

Prevalecer na posição de líderes de mercado, garantindo a nossa capacidade para entregar serviços de valor acrescentado aos nossos clientes será sempre um objetivo prioritário para a APCER. Consolidar e alargar a nossa presença nos mercados internacionais continua a ser a direção que mantemos como o objetivo estratégico dos últimos anos.

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