“As mulheres apostam cada vez mais na sua independência”

Rita Faria é a diretora da FEspaços, uma empresa especializada na avaliação, diagnóstico e quantificação de todo o tipo de origens e danos em imóveis. Enquanto responsável pela empresa, Rita Faria destaca, em entrevista, como é ser líder de uma empresa e realça a importância cada vez maior do digital para o funcionamento das empresas.

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Em Portugal, as mulheres são as principais impulsionadoras do empreendedorismo e são a maioria dos responsáveis por novos negócios. Enquanto CEO da FEspaços, como vê esta realidade?

Esta realidade espelha a adaptação das mulheres a um contexto profissional cada vez mais exigente, encontrando nos desafios com que se confrontam oportunidades de desenvolvimento. Expostas a vários constrangimentos no mundo empresarial, tanto no acesso, como na progressão na carreira, e enfrentando desigualdades várias, desde logo associadas à remuneração, as mulheres apostam cada vez mais na sua independência e sentido de autorrealização.

Que avaliação faz relativamente à liderança feminina e masculina? São diferentes? Em que medida? Como se avalia, enquanto líder?

A liderança não é um atributo que se esgote no simples facto de se ser mulher ou homem. O que pode ser caracterizado em termos de género são as representações sociais em torno de se ser líder mulher ou líder homem e, nesta ótica, são frequentes os estereótipos. Espera-se que as mulheres assumam uma liderança emocional e os homens uma liderança instrumental, sendo esta última mais valorizada. Conta, peso e medida, é o caminho que eu faço por traçar.

Cada vez mais, as mulheres estão mais presentes no Ensino Superior e ambicionam construir a sua própria carreira. Parece-lhe que já existe espaço, neste mercado de trabalho nacional, para mulheres que queiram alcançar cargos de liderança, ainda que não seja em negócios próprios?

Esse espaço tem vindo a ser conquistado, a pulso, pelas mulheres, existindo como resultado de décadas de conquista no que respeita à igualdade. Também por questões que se prendem com a dificuldade em conciliar a vida profissional e a familiar, a ocupação de cargos de liderança continua a ser particularmente exigente para as mulheres, o que se pode constituir como um fator de desmotivação.

A FEspaços

A FEspaços é uma empresa especializada na avaliação, diagnóstico e quantificação de todo o tipo de origens e danos em imóveis. Como foi, para a empresa, ultrapassar estes dois anos em que, em parte, o confinamento foi obrigatório e, noutros casos, o trabalho estava dificultado por muitos negócios fechados e a obrigação de distanciamento social?

O digital está implícito na competitividade das empresas, e a pandemia generalizou-o como condição sine qua non ao seu funcionamento. Agilizando o home office, asseguramos o controlo contínuo de todo o fluxo operacional através de um portal próprio e interativo. Uma plataforma desenvolvida à medida para a monitorização completa de todos os serviços e respetivos SLAs, em tempo real. Quanto ao trabalho de terreno, para fazer face aos casos em que a deslocação de técnico ao local não seja pretendida/possível, disponibilizamos a vistoria remota por vídeo geolocalizado. Serviço user friendly, em que estabelecemos o acesso web via link direto.

Quais os serviços que surgem com maior regularidade?

O core da FEspaços incide no diagnóstico de fugas de água e demais origens de humidades e infiltrações em imóveis. Aliando o saber à tecnologia, disponibilizamos um pack com várias soluções não destrutivas, que garante a identificação da anomalia com redução de tempo de serviço e custos associados. Identificamos o ponto onde a reparação deve iniciar ou efetuamos a contenção da anomalia.

O desafio que a pandemia colocou à Economia é imenso, mas também se considera que, não sendo esta uma crise de cariz financeiro, a recuperação será mais rápida. Enquanto empresária, como vê essa questão?

A pandemia ocasionou várias tipologias de crise associadas, sendo uma delas financeira. Tendo em conta os múltiplos efeitos negativos dos últimos quase dois anos, a recuperação não vai ser tão rápida como seria desejável. Houve um aumento substancial das situações de desemprego e precariedade, com uma alteração drástica das condições de vida estruturais das pessoas. As empresas foram, também, constrangidas neste processo, tendo tido a necessidade de adaptação às circunstâncias impostas por um cenário imprevisível e desafiante. O ano de 2022 será ainda de readaptação. Às empresas, julgo que nos compete reforçar, em conjunto com os colaboradores, uma postura de resiliência e inovação, no sentido de ultrapassar os obstáculos já identificados e aqueles que ainda se possam vir a colocar.