Clínica, Investigação e Academia: o Conceito Global da Medicina Dentária de excelência

Luís Pinheiro é médico dentista, formador/professor e investigador. Apaixonado pela Medicina Dentária, em particular pela sua prática exclusiva em Cirurgia Oral e Implantologia, este profissional de saúde procura centrar a sua atenção na relação médico-paciente e procura sempre oferecer o tratamento mais atualizado a quem o procura, num Conceito Global no qual acredita em absoluto.

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Em Portugal, a Medicina Dentária foi, durante muitos anos, uma área muito pouco regulada e muitas pessoas foram alvo de procedimentos arriscados e mal-executados, que causaram danos permanentes. Atualmente, que imagem existe da Medicina Dentária? O “medo do dentista” tem vindo a ser ultrapassado?

Atualmente, nós médicos dentistas, temos uma formação curricular altamente especializada e com enquadramento tecnológico cada vez mais presente. Somos médicos, trabalhamos baseados em evidência médica e temos ao nosso dispor um conjunto de tecnologia que nos permite ter exames de diagnóstico muito poderosos e precisos. A opinião pública sabe e reconhece a nossa competência e seriedade setoriais. E sim, o medo tem vindo a ser ultrapassado, a dor já não faz sentido nos tratamentos que fazemos nas clínicas de Medicina Dentária, à luz dos conhecimentos e com a tecnologia de que dispomos. As novas gerações já nos procuram em idades cada vez mais jovens, o que torna a ida ao médico dentista um procedimento mais normal e habitual na vida das pessoas.

Como poderíamos classificar, ou mesmo descrever, a Medicina Dentária atual?

Pessoalmente, olho para a Medicina Dentária de diferentes prismas e perspetivas e classifico-a da seguinte forma:

Medicina Dentária Preventiva, que aposta na prevenção em vez da cura/tratamento, com consultas de “check-up” oral e dentário, em campanhas de promoção de hábitos de higiene oral saudáveis, no rastreio de doenças tão simples como uma cárie dentária ou tão complexas como o cancro oral;

Medicina Dentária de Urgência, com uma intervenção na fase aguda e sintomática da doença, onde atendemos e prestamos tratamento de urgência em cenários de trauma, como um dente ou um maxilar fraturado, ou em cenário de infeções complexas e avançadas, como um abcesso de origem dentária na face ou no pescoço;

Medicina Dentária Interventiva, tratando as partes em separado que constituem um todo, onde o paciente vai tratando, vai resolvendo pequenas partes de uma condição geral de saúde oral, onde muitas vezes o diagnóstico e o tratamento não são completos e rigorosos. Vai-se resolvendo pontualmente, mas sem tratar e resolver de facto o enquadramento global da condição clínica, seja ela fisiológica ou estética;

Medicina Dentária de Reabilitação Oral, sujeita a um planeamento, a um estudo integrado de todas as especialidades clínicas, onde é projetada a função, atingida a saúde e desenhada a estética. Esta é a minha filosofia e a mais completa, acabando por englobar todas as outras num enquadramento pensado, estruturado e executado de acordo com um plano de tratamento.

Como poderíamos descrevê-lo a si, enquanto profissional?

Desde o meu curso de Medicina Dentária generalista que o meu foco, a minha procura, o meu
objetivo sempre foi o da Cirurgia. Durante os seis anos da Licenciatura, percebi que na área da Cirurgia Oral e Implantologia havia, tal como ainda há hoje em dia, um vasto oceano de oportunidades de estudo, pesquisa e de investigação. A cirurgia para mim é uma paixão, é uma forma de estar na vida, na Medicina… Quando comecei este percurso, há mais de 20 anos, sonhava com um mundo perfeito onde eu alcançaria todos os meus objetivos profissionais, eu queria ser Cirurgião, Investigador e Formador/Professor. Estou muito feliz e realizado por ter alcançado todos os meus objetivos. Considero-me uma pessoa altamente motivada, com uma necessidade diária de aprender mais um pouco e melhorar cada vez mais as minhas qualidades, médicas e cirúrgicas. Sou um somatório de tudo o que aprendi com os vários Mestres que tive o privilégio de conhecer. Somos aquilo que aprendemos.

Como vê o relacionamento com os seus pacientes?

Sempre me ensinaram e transmitiram a importância sagrada da relação médico-paciente. Na sociedade atual, o sentido da comunicação não é apenas do médico para o paciente. Os pacientes são atores cada vez mais informados no palco das decisões, têm algo a dizer e com os seus médicos, com as melhores informações obtidas, a melhor evidência científica, poderem consentir, perceber e fazer parte da decisão, do tipo de tratamento a seguir. Para mim, as pessoas estão sempre em primeiro lugar. Faço questão de centrar todo o processo de tratamento no paciente. Toda a minha equipa centra a ação no paciente e todos juntos, planeamos, tomamos decisões, encontramos soluções. O paciente não é apenas um número, uma doença, é um ser integrado numa família, numa sociedade e daí a necessidade de uma visão mais humanista e positiva da nossa parte.

Dr. Luís Pinheiro MSc, DDS

  • -Mestre em Cirurgia Oral e Maxilofacial no Eastman Dental Institute – University College of London
  • -Licenciado em Medicina Dentária (2001-2007) no I.S.C.S.E.M. – Portugal
  • -Diretor Clínico do Centro de Estética e Reabilitação Oral de Lisboa – C.E.R.O. – Lisboa
  • -Responsável pelo Departamento de Cirurgia Oral e Implantologia das Clínicas C.E.R.O

Como posiciona as suas clínicas no contexto da Medicina Dentária em Portugal? E quais os tratamentos mais procurados?

Sou coproprietário das clínicas CERO com o meu colega, Dr. Tiago Ribeiro, que já possuía a clínica de Almada desde 2007, e onde eu já era o responsável pela Cirurgia Oral e Implantologia, tal como eu o fazia noutras clínicas. Em 2013 surgiu a possibilidade e o desafio para um projeto diferente, mais ambicioso. E foi aqui que fundámos o Centro de Estética e Reabilitação Oral de Lisboa (atualmente, o Centro CERO – Lisboa). Somos uma clínica de Reabilitação Oral e Estética Dentária. É este o slogan das nossas Clínicas CERO: Sorrisos com Confiança. Além das mais recentes tecnologias ao nosso dispor, quer do ponto de vista da Cirurgia Oral e Implantologia, como radiologia de última geração como a C.B.C.T. e reconstrução 3D, sedação consciente, quer do ponto de vista da Reabilitação e Estética Oral, com programas de desenho digital, fresadoras CAD-CAM, impressoras 3-D de última geração e laboratório próprio. Além do Laboratório, o Centro de Estética e Reabilitação Oral de Lisboa também tem um Centro de Formação em “Implantologia e Reabilitação Oral”. Os tratamentos mais procurados são:

“Dentes fixos em 1 dia” – este tratamento é mesmo o mais procurado, e conseguimos no mesmo dia fazer a cirurgia de extração dos dentes que se encontram comprometidos, colocar os implantes dentários e no final do dia, o paciente sai das nossas clínicas com dentes fixos provisórios construídos no nosso Laboratório. Uns três a quatro meses mais tarde, os dentes fixos finais serão produzidos;

“Sorriso Hollywood” – Implantologia e Estética com coroas e facetas cerâmicas – “Reshaping Dentário”. A procura pela Estética é o reflexo da nossa sociedade atual, onde a imagem é cada vez mais importante em termos sociais e de mercado de trabalho;

Cirurgia de Implantes Zigomáticos – cirurgias com Anestesia Geral para pacientes que têm o seu maxilar superior com reabsorção óssea severa/extrema e onde os implantes convencionais já não são suficientes para ter dentes fixos.

Somos uma clínica de “fim de linha”, recebemos muitos pacientes com tratamentos menos bem conseguidos, com trabalhos falhados, muitos que vêm ouvir uma segunda, terceira ou última opinião, pacientes com maxilares extremamente reabsorvidos, com situações clínicas muito complicadas. Apostamos de igual forma no Turismo Médico, recebendo nas nossas clínicas muitos pacientes das nossas comunidades emigradas, assim como cidadãos de várias nacionalidades. É uma forma de exportarmos sorrisos e, desta forma, contribuirmos para a balança comercial do nosso país com exportações. Recebemos pacientes de todas as zonas do país.

Há cerca de 10 anos que é consultor científico de uma marca de implantes. Em que consiste? E como vê esta sua faceta na sua vida profissional?

Ser consultor científico de uma empresa multinacional como o é a “S.I.N – Implant System”, a marca de implantes que eu utilizo desde dezembro de 2007, permite-me ter acesso diretamente à Ciência e intervir no processo duas formas diferentes: por um lado, intervenho a montante, na fase de pesquisa de desenvolvimento de conceitos, projetos e produtos, atuando de forma direta e indireta na investigação e pesquisa científica de novos produtos; por outro lado intervenho a jusante, onde faço parte de um lote muito restrito de clínicos, e também aqui privilegiados, que testa toda a potencialidade dos produtos e as suas características antes de todos os restantes colegas. Faço o “test-drive” dos produtos antes de serem utlizados de forma generalizada e dou as minhas notas, pareceres e opiniões sobre os mesmos.

Ser formador e speaker internacional da multinacional – S.I.N. – Implant System, surge como mais uma das suas valências. Como a enquadra na sua carreira?

Quando damos conferências, aulas, temos a oportunidade de voltar a estudar. Ensinar é aprender duas vezes. Temos de aprender para compreender e aprender para explicar. Ora, se isto é verdade para Portugal, o que me permite conhecer colegas de todos os pontos do país, ainda mais o é quando me permite lá fora, um pouco por todo o mundo ir travando conhecimentos, ir aprendendo com as diferentes culturas, com diferentes formas de pensamento e ensino e, no final do dia, consigo oferecer o melhor e mais atualizado tratamento a nível global, a nível mundial aos meus pacientes. E este é um Conceito Global em que eu acredito muito.

Voltando ao Conceito Global… A Universidade de Londres, a U.C.L. é também conhecida como a Global University. Como é que os seus estudos em Londres contribuíram para a sua formação académica?

Não foi só a Universidade, a Faculdade, foi a própria cidade. A minha estadia em Londres, a minha frequência na Universidade, na Faculdade, nos hospitais em que trabalhei, com os quais tinha um Contrato Honorário de trabalho com o NHS (Sistema Nacional de Saúde Britânico) que me moldou e trouxe mais mundo à minha vida. Comecei a ser mais global. Em Londres tive colegas e professores de vários pontos do globo. E isto permitiu-me crescer muito, como médico, como cirurgião, como investigador e como Homem. A minha ligação a Londres e à Universidade de Londres continua e fica para sempre, como uma tatuagem.

Para onde ainda quer ir?

A vida é dinâmica, temos de nos saber adaptar, evoluir, crescer. Não posso prever o futuro, mas enquanto tiver força e condições para estar na profissão, estarei por gosto, por uma paixão muito grande ao que faço, à cirurgia, à pesquisa, à medicina, à capacidade que tenho de melhorar a qualidade de vida dos meus pacientes. Ainda tenho muitos objetivos para atingir e se Deus o permitir, alcançá-los-ei.

Quer deixar uma mensagem final?

Quero agradecer aos meus pacientes, pela confiança depositada em mim ao longo destes anos todos. Quero agradecer à minha equipa, um núcleo muito restrito que me acompanha desde que exerço e que me permite atingir patamares de excelência e de onde destaco a Sofia Pinheiro, que também é a minha enfermeira instrumentista, que sabe ser esposa, amiga, colega e sócia. E é neste Conceito Global que acredito, onde a Clínica, a Investigação e a Academia contribuem de forma direta para os tratamentos que levamos a cabo nos nossos pacientes e que afetam de forma muito forte, humanista, holística e positiva a sua qualidade de vida.

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