Grupo FUTURE: pela valorização da Engenharia portuguesa

O Grupo FUTURE constituiu-se com o objetivo de valorizar a Engenharia e tratá-la de forma respeitável e com a importância que possui. Dotado de uma visão disruptiva, o próximo objetivo passa por incorporar em todos os projetos que realize as tecnologias da Informação. O objetivo? Um mundo mais sustentável, onde a tecnologia seja colocada ao serviço das pessoas, para lhes fornecer mais e melhor qualidade de vida, mesmo em meio urbano, como explicou o engenheiro João Andrade, CEO deste Grupo multinacional.

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João Andrade, CEO

Como foi possível gerir um grupo com estas dimensões, num ano afetado pela pandemia?

Gerir um grupo em quatro continentes é sempre um desafio. Os países onde estamos presentes têm culturas e práticas profissionais distintas, mas com a pandemia, surpreendentemente, essas diferenças esbateram-se, bem como as distâncias. Nós conseguimos, fruto do investimento que fizemos na nossa organização a nível de estrutura informática, que é fundamental para gerir um grupo desta dimensão e sobretudo na área em que trabalhamos, colocar mais de 700 pessoas – das 1200 que somos hoje – em casa, a trabalhar à distância, de um dia para o outro. No futuro, inclusivamente, queremos que as pessoas tenham a oportunidade de trabalhar remotamente, a partir de qualquer local que lhes seja aprazível. Porém, mesmo na fase de confinamento e a trabalhar obrigatoriamente a partir de casa, não sentimos qualquer transtorno na nossa operação.

A primeira semana foi complexa, mas não falhámos nenhuma entrega programada. Além disso, nestas circunstâncias ainda registámos um acréscimo de produtividade, o que é extraordinário.

A nível pessoal, comprometemo-nos a apoiar as pessoas, naquela que foi uma experiência psicológica difícil, com toda a família em casa em simultâneo e a desempenhar diferentes papéis – as crianças a ter aulas à distância e os pais em teletrabalho.

Ainda assim, o resultado foi muito positivo – tão positivo que o nosso novo normal, o pós-pandemia, será muito diferente do que era antes – pois conjugaremos esta aprendizagem. Iremos manter tudo o que funcionou muito bem, nomeadamente a possibilidade de trabalho remoto, procurando sempre que as pessoas interajam fisicamente, porque isso também é importante, mas os nossos escritórios serão fundamentalmente pontos de encontro e de convívio. As pessoas trabalharão remotamente, o que permitirá que tenham uma maior produtividade e mais qualidade de vida. As ferramentas de reunião à distância já existiam antes, mas não tirávamos tanto partido delas como tiramos agora. Neste momento, “vou” ao Brasil cerca de três vezes por semana, via videoconferência, quando antes da pandemia viajava até ao Brasil mensalmente, para uma reunião.

Do ponto de vista comercial, esta fase de pandemia também correu bem. Conseguimos crescer nas nossas operações no Brasil e em Portugal e vamos fechar 2020 com um volume de negócios acima do de 2019.

Por isso, só podemos concluir que a pandemia nos fez aprender e evoluir, com resultados positivos.

Que projetos gostaria de salientar, executados pelo Grupo FUTURE em Portugal, e que efetivamente caracterizam o modo de trabalhar da empresa?

Nos 39 anos de existência da empresa em Portugal temos vários exemplos. Temos uma área de Gestão e Supervisão da Construção que é muito significativa e conta com muitas obras de relevo, como o terminal de cruzeiros do Porto de Leixões, que inclusivamente ganhou alguns prémios, o Centro Comercial Colombo, o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia, o Museu dos Coches, o Palácio da Bolsa…

Na área de obras marítimo-portuárias, a nossa empresa está presente em todos os portos nacionais. Como exemplo das muitas obras realizadas posso destacar o terminal XXI da PSA, em Sines, que é o terminal de contentores mais importante do país, bem como os estaleiros navais da Lisnave, um projeto que está na origem da nossa FUTURE Proman.

Na área da Sustentabilidade e Energia posso salientar os estudos no âmbito das energias renováveis que apenas nos dois últimos anos já totalizam mais de 2 gigawatts de capacidade instalada. Esta é apenas uma parte do muito que tem sido a nossa contribuição para um país mais sustentável – um desígnio FUTURE.

Por fim, gostaria de referir que temos sido uma referência no apoio à implementação de imensos investimentos no setor imobiliário.

Um dos vossos conceitos é o de tratar a Engenharia sempre com E grande. Que conceito é esse?

Em primeiro lugar, nós sentimo-nos muito honrados por ter esta profissão. É uma profissão extremamente importante para criar condições para a evolução da sociedade e melhorar as condições de vida das populações. Foi assim ao longo de toda a História. Até há 20 anos, era assim que era entendida a Engenharia. A partir do momento em que a gestão das infraestruturas se tornou demasiado politizada, acabámos por desvalorizar a Engenharia, e Portugal é um exemplo disso. Hoje, a Engenharia vale menos do que em 2000, quando eu deixei o setor. A Engenharia foi transformada numa commodity, mas é necessário que se entenda que não o é. Ao desvalorizarmos a Engenharia, as nossas empresas desta área foram perdendo valor e dimensão. As grandes empresas de Engenharia, que existiram até ao final do milénio, desapareceram. Todas elas eram escolas de Engenharia. E desapareceram. Isto é uma realidade má para o país, pois esta área é importante para otimizar e rentabilizar os investimentos. Um país não pode definir as suas prioridades a nível de infraestruturas sem que essa discussão passe pelos agentes da Engenharia.

Dada toda a importância da Engenharia para rentabilizar recursos e para criar infraestruturas sustentáveis, só podemos encarar a Engenharia com “E” maiúsculo. A nossa missão é de enorme responsabilidade e valor, por isso lutamos por ela. O Grupo FUTURE é uma voz ativa na valorização da Engenharia portuguesa.

Como caracterizaria a Engenharia nacional?

O projeto FUTURE nasce daquilo que são as vantagens competitivas da engenharia nacional. De facto, é uma pena que Portugal não explore esta vantagem incrível que tem, porque nós conseguimos: temos boas escolas de engenharia, temos as nossas características inatas enquanto povo português que são, por si só, vantagens competitivas em mercados emergentes, como os mercados de África e da América Latina. Somos muito bem recebidos e reconhecidos, pela nossa engenharia e pela nossa capacidade de adaptação a novas realidades. A nossa engenharia é extremamente competitiva nestas geografias.

Porém, e considerando a escala das empresas nacionais, estas não conseguem implementar-se de forma estruturada e sistematizada e acabamos por não aproveitar esta nossa capacidade. Nós, no FUTURE, entendemos que precisamos de escala, porque é preciso escala para tirar partido das vantagens competitivas da Engenharia portuguesa. Isto deveria ser um desígnio português – a afirmação da Engenharia nacional noutras geografias. Nós exportamos engenheiros, estão em todo o mundo, em especial nos países mais desenvolvidos e com desempenhos fantásticos. Temos de exportar antes Engenharia, e precisamos de o fazer em escala.

Todavia, a cultura nacional diz que uma empresa que tenha 300 técnicos é grande. Na Suécia, que tem a mesma população que nós, encontramos empresas com 12 mil técnicos. No Grupo FUTURE, temos 1200 pessoas e continuamos a precisar de crescer.

Como se integram as tecnologias da Informação na Engenharia Clássica?

Nós vemos que a Engenharia Clássica não evoluiu, comparativamente com quaisquer outros setores, como o automóvel ou das tecnologias da comunicação.

Refletimos sobre isso e pensámos de que forma poderíamos fazer a Engenharia evoluir e desempenhar o seu papel na sociedade de forma efetiva. Deparámo-nos com os desafios aos quais importa responder, como a sustentabilidade ambiental e económica, bem como a necessidade de oferecer serviços diferentes. Concluímos que, para sermos bem-sucedidos nesta inovação, teríamos de incluir as tecnologias de informação nos nossos projetos.

Criámos assim, o terceiro pilar do projeto FUTURE, que é a integração das tecnologias da informação na Engenharia Clássica. Somos pioneiros nesta área e estamos a reinventar os serviços.

A partir de janeiro de 2021, tudo o que for projetado pelo nosso Grupo, terá de ter a inteligência artificial incorporada e deverá também ser ambientalmente sustentável. São duas obrigações que nos impusemos. Toda a gestão de um edifício ou de uma cidade é mais eficaz se for feita com base em recursos tecnológicos que já existem. Se as soluções estiverem integradas, as tecnologias irão fornecer-nos dados para uma melhor Engenharia, uma maior eficácia. Por esse motivo, integrámos no nosso grupo, uma das maiores tecnológicas portuguesas, com quase 50 anos de mercado e estamos a desenvolver um projeto piloto e a criar uma plataforma que será lançada já no final de janeiro que revolucionará a supervisão da construção e que trará muitas vantagens para os clientes. Será um dos nossos primeiros produtos disruptivos a ser lançado no mercado, no âmbito da transformação que estamos a operar.

Com a tecnologia incorporada nos projetos que desenvolvemos, ficamos ligados às operações das grandes infraestruturas e poderemos acompanhar e monitorizar, a partir da informação que vamos recebendo, o comportamento das mesmas. Gera-se, assim, muita informação que usaremos para otimizar as soluções técnicas e as próprias operações. Esta é a nossa visão disruptiva, do ponto de vista da abordagem técnica.

É um caminho longo, mas quando conseguirmos, por exemplo, projetar uma cidade inteligente, vamos conseguir gerir melhor recursos como a água, energia, ter melhores espaços verdes, melhor mobilidade e vamos proporcionar muito melhor qualidade de vida às populações. Será um grande benefício e assumimos esta responsabilidade. O desafio é ainda maior, porque as cidades já existem e, portanto, tudo isto tem de ser agregado lentamente, mas podemos transformar, por exemplo, os nossos sistemas de saneamento ou de água em sistemas inteligentes, de uma forma relativamente rápida e começamos imediatamente a poupar e a rentabilizar recursos.

É importante utilizar este saber e esta tecnologia a favor das pessoas, para que as cidades sejam mais verdes, a qualidade de vida seja melhor e se possa conjugar meio ambiente com o espaço urbano.

O Grupo FUTURE valoriza o saber. Qual a importância da vossa colaboração com universidades e centros de investigação, bem como da criação, internamente, do FUTURE Lab?

O conhecimento é muito importante e é crucial cuidarmos dele. É importante que cada geração consiga acrescentar algo ao conhecimento da geração anterior. Nós estamos a perder conhecimento, porque as empresas não têm a escala necessária e não têm níveis de organização suficientes para assegurarem uma continuidade do saber.

Assim, tentamos evoluir nas nossas soluções e criámos, inclusivamente, o Portal do Saber, dentro do nosso Grupo, onde armazenamos e tratamos todo o saber que vamos adquirindo e construindo.

No que respeita à inovação, essa é a palavra que nos permite oferecer algo diferente ao mercado e ser olhado de forma diferenciada. Para isso, temos efetivamente de ter ideias distintas de tudo o que já existe. O FUTURE Lab foi constituído para que todos os nossos colaboradores possam dar sugestões sobre novos tipos de serviço, novas formas de interagir com os clientes, novas maneiras de fazer e apresentar algo. Este esforço deve ser articulado com os centros de investigação e de ensino e sempre julgámos importante uma aproximação deste tipo e é o que estamos a levar a cabo neste momento, junto de algumas destas instituições. Já temos uma relação muito próxima com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, com quem gostamos imenso de trabalhar.

Em 2021, iremos criar uma Incubadora de Ideias, para que todos os jovens ou mesmo pequenas start-ups que tenham uma ideia para desenvolver possam, através da nossa Incubadora, testá-la e desenvolvê-la, numa fórmula “win win”.

Como antecipam o ano de 2021, incluindo no que respeita à posição do Grupo face ao mercado?

Este é um projeto dinâmico e ambicioso, que pressupõe crescimento, mas sempre baseado na implementação dos nossos modelos e conceitos. À medida que vamos fazendo essa implementação, vamos crescendo. Não conseguimos ter modelos disruptivos implementados de um momento para o outro, nem o mercado teria capacidade de absorção para tudo em simultâneo. Será algo que exige tempo.

Em 2021, prevemos ter um crescimento ainda maior do que em 2020, até porque muitas das nossas novidades serão materializadas em 2021. Iremos continuar o crescimento. No que respeita às novas geografias, estaremos presentes, ao longo do próximo ano, em mais quatro países diferentes. Isso permite-nos estar menos dependentes de cada um dos mercados e oferecer, a cada um dos mercados onde atuamos, mais-valias provenientes da nossa oferta diferenciada de serviços.

www.future-motion.eu

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