A construção de casas através da impressão 3D é recente no mercado português e começa a ser encarada como uma solução para a escassez de habitação no país. Que características definem uma habitação com este método construtivo?
Uma construção em impressão 3D com recurso a argamassas industrializadas define-se como sendo uma habitação de rápida execução, sem perda de qualidade e com uma pegada ambiental mais reduzida, não
comprometendo o conforto higrotérmico dos seus utilizadores.
Quais as principais vantagens de apostar numa casa impressa em 3D?
As principais vantagens prendem-se com a maior liberdade de design, sem custos acrescidos; uma maior rapidez de execução; a garantia de controlo de qualidade assegurado quando usadas argamassas industriais; uma
menor pegada ambiental comparativamente à construção tradicional e ainda o facto de ser uma solução que responde à escassez de mão de obra qualificada.

A Saint-Gobain Weber, no Benelux, já teve oportunidade de construir algumas habitações com esta nova forma de construção. Em Portugal, é uma aposta que o grupo Saint-Gobain também espera fazer?
A impressão 3D em Portugal é uma tecnologia que tem vindo a ser explorada pela empresa nos últimos anos, com particular apoio à investigação em ambiente académico no país. Recentemente, a empresa participou na impressão de uma casa modelo com um parceiro nacional, recorrendo à mais recente tecnologia desenvolvida pela empresa, estando assim no bom caminho para a industrialização da tecnologia no nosso país.
Além da vantagem temporal – o tempo de construção é mais curto – esta construção é tida como tendo uma pegada ambiental menor. A que se deve isso?
A menor pegada ambiental deve-se a vários fatores, entre os quais se destacam os seguintes:
–Uso mais racional do material. Apenas é depositada a quantidade de material necessária no local específico, por exemplo, uma parede pode ter espessuras variáveis conforme as solicitações mecânicas a que esteja sujeita, não afetando a produtividade da construção;
–Ausência do uso de cofragens. Parte das cofragens usadas na construção não são recuperáveis e, mesmo que sejam, têm uma duração limitada, não devendo esta pegada ecológica ser descurada;
–Menos transportes. O facto de ser necessária menos mão de obra e durante menos tempo faz com que a pegada ecológica associada ao transporte de pessoas seja reduzida. Ao mesmo tempo, sendo o uso de diferentes materiais reduzido, implica também menos pequenos transportes para obra, sendo este fator também relevante.

Estas casas necessitam de cuidados específicos e permanentes ou são tratáveis exatamente como qualquer outra construção?
Consoante o tipo de material associado à impressão 3D para construção, este definirá se serão necessários mais ou menos cuidados. Usando a abordagem e tecnologia da Saint-Gobain, os cuidados a ter não são superiores aos de uma construção tradicional comum. Isto é possível pela adoção de materiais amplamente conhecidos e estudados, apenas aplicados com recurso a uma tecnologia diferente.
A Weber, marca da Saint-Gobain, desenvolveu uma argamassa própria para a aplicação em casas impressas em 3D. Que argamassa é essa e como se diferencia das restantes?
As argamassas da Saint-Gobain distinguem-se pela sua qualidade assegurada. Mais importante do que apenas a argamassa, é todo o processo a que a mesma diz respeito, ou seja, todo o processo desde a mistura do pó em ambiente industrial até à deposição final. A Saint-Gobain desenvolveu um sistema autorregulável que permite um controlo de qualidade de todo o material usado, e não apenas por amostragem, que assegura uma qualidade constante.
É possível reduzir o nível de poluição ambiental deste tipo de componentes da construção, como são as argamassas e outros produtos, mantendo a sua performance ao mais alto nível?
Sim, esta é uma preocupação transversal da Saint-Gobain a todos os produtos que comercializa, não sendo a tecnologia de impressão 3D uma exceção. A empresa tem como objetivo atingira neutralidade carbónica em
2050, sendo que tem vindo a trabalhar neste tema ao longo de vários anos, esta é uma preocupação tida desde sempre com os produtos associados a esta tecnologia.
A nível económico, esta é uma solução que pode ajudar a resolver problemas quer a nível da falta de edifícios residenciais, quer a nível do preço a pagar pela compra de habitação própria?
Sim, como em qualquer indústria a massificação do emprego da tecnologia e o aumento de volumes associados irá permitir tornar a tecnologia cada vez mais económica, fazendo com que o resultado seja um decréscimo natural no preço por metro quadrado a pagar por uma habitação. No final teremos habitações disponíveis mais rapidamente e a um preço muito mais reduzido face ao panorama atual.










