“Lidamos com escassez de materiais há meses”

A Tecniarte conta com quase quatro décadas de atividade nas áreas da construção civil e reabilitação. Tendo nascido como empresa familiar, fez parte integrante de outra empresa nacional e de um grupo internacional, antes de se tornar novamente independente e começar a apostar em setores específicos do mercado, como a Hotelaria, a Saúde e a habitação de luxo, como explica o CEO, o engenheiro João Campos Forte.

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A Tecniarte conta com 39 anos de mercado, divididos entre construção civil nova e reabilitação. Como caracterizaria a área da construção civil, ao longo destes anos de atividade?

Nas últimas quatro décadas, o setor evoluiu em diversas vertentes, verificando-se uma maior
profissionalização e rigor, fiscalização e controlo na entrada de novos players. A entrada de capitais estrangeiros, a criação de fundos de investimento e outros mecanismos têm contribuído e exigido esse rigor.

De entre as obras que já constam no vosso portfolio, existem algumas ligadas às áreas da Saúde e da Hotelaria. Sendo estruturas desenhadas para o público, quais os cuidados particulares a ter numa construção deste género?

Tanto as obras na área da Saúde, como as de Hotelaria, apresentam características muito especificas, em termos de construção civil e instalações especiais, pelo que a experiência do empreiteiro é fundamental para o sucesso dos projetos. A Tecniarte participou na construção de uma unidade do Hospital Particular de Almada e, até recentemente, de Memoville, uma
unidade de cuidados continuados situada na Quinta da Beloura, brevemente em funcionamento. Também foi responsável pela obra do Aroeira Lisbon Hotel e do Hotel Corpo Santo e está atualmente em fase de acabamentos o Hotel Hilton Garden Inn, em Évora, unidade hoteleira do grupo Mercan, e na reta final o Hotel Sines Sea View, fruto de
investimento estrangeiro, dinamizando a região.

Os maiores desafios
do setor
residem nos meios
de produção,
matérias-primas
e mão de obra.


Quais os principais desafios que o setor da construção civil atravessa presentemente e dos quais é importante dar nota, com vista à sua resolução?

Os maiores desafios do setor residem nos meios de produção, matérias-primas e mão de obra. Se, por um lado, tem havido aumentos atípicos nos mesmos, por outro lado, há já vários meses que temos sentido escassez de materiais. Neste sentido, temos trabalhado em
conjunto com os clientes para procurar alternativas, negociar atualizações de preços, sempre em prol da solução para viabilizar todas as obras e cumprir todos os contratos que assinamos.
Simultaneamente, temos investido fortemente nos nossos Recursos Humanos, modernizámos o sistema de avaliação de desempenho, aumentámos o nível de formações específicas para o setor, incorporámos planos de seguro de saúde ajustados a todos os colaboradores, fomentamos momentos lúdicos e de lazer, promovendo a interação entre todos os colaboradores e dando corpo ao nosso mote interno: “Os nossos colaboradores são os nossos
principais acionistas”.

O PRR aposta fortemente em obras públicas, pelo que a Engenharia e a construção civil serão chamadas a intervir nos próximos tempos. Parece-lhe que isso se trata um efetivo impulso ao setor?

Sem dúvida que a injeção de recursos financeiros no mercado vai incrementar as oportunidades e impulsionar o setor. No entanto, existem dois fatores fundamentais que terão que ser acautelados para que não se percam apoios europeus: por um lado, garantir que
os projetos sejam estimados de forma correta e célere; por outro lado, criar condições para que as empresas de construção civil possam crescer e dimensionar-se às necessidades do mercado, nomeadamente através de apoios para formação de quadros, acesso privilegiado à Banca, benefícios fiscais que promovam o retorno dos quadros técnicos emigrados ou outros.

Quais os objetivos a concretizar em 2022, e nos próximos anos, no que respeita ao caminho que a Tecniarte quer continuar a trilhar?

Em 2020, com a nomeação do atual Conselho de Administração, definimos o nosso plano estratégico com visão até 2024. Estabelecemos objetivos extremamente ambiciosos
baseados em três pilares: crescimento do nosso ticket médio de obra (15k-20k€); entrada em
novas geografias, Porto e Algarve; e entrada em nichos de mercado diferenciados, fit-out de escritórios e construção de moradias na linha Comporta-Melides, este último já em funcionamento, com a criação da marca BIND em parceria com a empresa especialista em estruturas de madeira Portilame.

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