“O comércio de proximidade foi valorizado com a pandemia”

A Unimark é uma central de negociação maioritariamente grossista, nacional, que representa cerca de 10% do mercado alimentar em Portugal. Em entrevista à Valor Magazine, João Vieira Lopes, diretor-geral da Unimark, presidente da Associação dos Distribuidores de Produtos Alimentares (ADIPA) e presidente da Confederação do Comércio e Serviços (CCP) salientou a valorização do comércio de proximidade durante este ano, devido à pandemia, e as ações que a Unimark pretende levar a cabo no próximo ano para continuar a fazer crescer este setor.

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João Vieira Lopes, diretor-geral

Há quanto existe a cooperativa Unimark e que mais-valias existem entre o trabalho desenvolvido com os grossistas e retalhistas?

A Unimark foi fundada há 24 anos e é essencialmente uma central de negociação grossista, agrupando neste momento 21 empresas de cash & carry que, depois, desenvolvem uma atividade articulada que dinamiza o retalho independente de proximidade. Com várias marcas de retalho, a maior, e que agrupa 17 dos grossistas, é a marca Aqui é Fresco.

Como funciona a marca UP?

A marca UP é uma marca da Unimark, que faz 15 anos, que tem mais de 500 referências e abrange quer o setor alimentar, quer o setor de higiene pessoal e do lar. É uma marca que alguns dos nossos associados comercializam como marca própria de base e outros associados – que têm a sua própria marca – utilizam-na de forma complementar.

Os vossos associados estão espalhados um pouco por todo o país. Os desafios que este setor enfrenta são distintos em cada região do país?

Nós temos, efetivamente, associados em todo o país, mas a maioria deles está localizada na zona Centro Norte. Temos também associados na Grande Lisboa e no Algarve. O volume de negócios do conjunto dos nossos associados é de cerca de 850 milhões de euros. Temos diversos tipos de acordos com o mercado e temos alguns acordos com entidades que nos prestam serviços de negociação comercial, como a Euromadiport; temos um cartão de crédito para comerciantes, do BPI, e desenvolvemos alguns negócios com outras entidades, independentemente dos contratos que existam. Nesse aspeto, no setor grossista nacional, em termos de número de unidades, contamos com um conjunto de unidades com bastante peso, que abrangem mais de 40 pontos de venda de cash & carry. O nosso objetivo aqui é impulsionar condições comerciais melhores e mais próximas do que conseguem os grandes grupos económicos e, acima de tudo, valorizar o comércio de proximidade. Os nossos associados têm organizadas mais de 1100 lojas, 700 das quais no Aqui é Fresco em que o “master franchising” é também associado da Unimark, e representamos cerca de 10% do comércio de proximidade alimentar do país. Com a pandemia, este comércio foi bastante valorizado, porque a restrição à circulação das pessoas, o número de pessoas por metro quadrado, a alteração dos horários das lojas e mesmo o próprio teletrabalho levaram a um aumento dessa frequência do comércio de proximidade. Tivemos capacidade para enfrentar bem este desafio e conseguimos manter um patamar de preços perfeitamente competitivo em relação às grandes superfícies, sendo que as grandes superfícies fazem as promoções de 50 e 70% e nós optamos por seguir um preço de prateleira competitivo, mantendo também algumas promoções fortes. Sob esse ponto de vista, queremos oferecer um serviço personalizado e temos investido na cooperação com os comerciantes independentes, para que estes avancem para o digital, que é um dos grandes desafios neste momento.

Parece-lhe que a pandemia pode representar uma oportunidade para a valorização deste setor do comércio de proximidade?

Esse é o grande desafio que colocamos aos comerciantes e as ações têm sido globalmente positivas. Eles recuperaram a visita de muitos clientes que antes lhes davam menos atenção – evidentemente que os consumidores irão sempre visitar diferentes formatos de comércio – mas este tipo de comércio pode representar uma alternativa para quem não tem muito tempo para filas e não quer ocupar demasiado tempo com as compras semanais. O nosso preço de prateleira é competitivo, portanto as pessoas têm vantagens. Como este tipo de lojas não tem a obrigação de ter uma rigidez de gama, adaptam-se melhor aos produtos e aos consumidores locais.

Qual a estratégia da Unimark para os desafios ligados ao comércio de proximidade, bem como à resolução de alguns problemas que o setor possa atravessar?

Vamos manter uma atividade promocional regular – nós temos um folheto mensal que anda próximo dos 200 produtos e iremos mantê-lo. Vamos tentar que ele seja mais competitivo. Vamos fazer ações focadas na comemoração do nosso aniversário de 25 anos e dos 15 anos da marca UP, mas acima de tudo, o que pretendemos é consolidar o nosso funcionamento e continuar a mostrar à indústria e aos fornecedores que somos um canal interessante, já que representamos praticamente 10% do mercado alimentar e muitos já perceberam que somos uma boa escolha, para diminuir a sua dependência dos grandes operadores. É esta conjugação de ações que tentaremos aprofundar no próximo ano.

www.unimark.pt

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