“O ERASMUS tem impacto real na vida dos estudantes”

A Agência ERASMUS+ é um organismo que tem um papel fundamental no desenvolvimento da Educação e Formação. Responsável por promover e avaliar, a nível nacional, as candidaturas ao programa ERASMUS, recebeu duas novas atribuições, agora que se inicia um novo ciclo deste programa de educação. A diretora da Agência, Ana Cristina Perdigão, destaca a importância do programa para a formação académica e pessoal dos cidadãos europeus.

0
850

Qual é o papel estratégico desta Agência?

O nosso âmbito de ação prende-se com a Educação e com a Formação. O que fazemos é divulgar as possibilidades que o programa ERASMUS oferece às entidades que, em Portugal, trabalham nas áreas da Educação e Formação e que podem ser instituições de natureza pública ou privada diretamente ligadas ao ensino, como por exemplo, os agrupamentos escolares, os centros de formação ou as instituições de ensino superior ou outros atores cujo trabalho se reflita nestes públicos. O programa ERASMUS tem várias ações-chave e, embora a mais conhecida do público em geral seja a ação-chave 1 – a mobilidade dos estudantes, particularmente a dos estudantes do ensino superior –, na realidade essa possibilidade existe para todos os setores de ensino e formação – ensino escolar, ensino e formação profissional, ensino superior e educação de adultos. Existem também outras relevantes oportunidades para lá da mobilidade de estudantes – geridas a nível nacional ou europeu, que se baseiam no desenvolvimento de projetos de cooperação interinstitucional. No caso das ações a nível nacional, é à Agência Nacional ERASMUS que compete divulgar as oportunidades de candidatura, receber e avaliar essas candidaturas e selecionar os projetos que irão ser apoiados. Se for uma ação centralizada em Bruxelas, compete-nos divulgar essas ações junto de todas as entidades que nelas possam ter interesse. São oportunidades fantásticas de as instituições nacionais trabalharem em parceria com outros atores internacionais, o que se reflete, depois, na qualidade da Educação e Formação a nível nacional e, em última análise, no desenvolvimento do próprio país.

Ao longo do tempo, as instituições têm mostrado abertura para conhecerem todos os instrumentos que têm à sua disposição e como utilizá-los?

Sim, sem dúvida. Em Portugal há uma ampla adesão ao programa, por parte das instituições ligadas à Educação e Formação. As entidades conhecem bem todas as potencialidades do programa e a prova disso é que o número de candidaturas que recebemos é muito superior ao valor dos apoios que temos para atribuir. Esta Agência sempre procurou dar a conhecer o programa de forma clara e aberta e esta preocupação de chegarmos a todos, de forma transversal, combina muito bem com as prioridades transversais traçadas pela Comissão Europeia para este novo programa ERASMUS.

Como é feita a divulgação das potencialidades do programa ERASMUS?

Além das ações de promoção regulares e das sessões de trabalho que fazemos, a propósito de cada convite para apresentação de candidaturas, onde procuramos criar condições para que sujam excelentes propostas, nós temos estado a desenvolver um roteiro pelo país – começámos em Bragança e já estivemos em Viana do Castelo e em Évora – onde procuramos contactar diretamente com os jovens que são os últimos destinatários do programa. O feedback que obtemos é muito positivo e constante – todos afirmam que o programa teve impacto real na sua formação pessoal e académica. O impacto pode ser diferente, considerando a idade e as experiências que cada um teve, mas a opinião é sempre de que o ERASMUS mudou a sua maneira de estar e de ver a vida.

De que prioridades transversais falamos, no novo ciclo de ERASMUS?

As prioridades transversais destacadas para este novo ciclo de ERASMUS são a Inclusão, a Transformação Digital, a Sustentabilidade Ambiental e a Participação Democrática. O objetivo é que os projetos apoiados tenham em consideração estas prioridades, de forma a avançarmos, enquanto Europa, numa direção conjunta e tendo em consideração estas quatro questões, que estão também muito presentes no dia a dia e nas preocupações dos jovens, cujo desenvolvimento pessoal pode beneficiar largamente de uma experiência ERASMUS. De notar que há algumas preocupações que são agora mais explícitas neste novo programa, mas que não deixavam de estar presentes anteriormente. O importante é assegurar que o programa ERASMUS progrida em número de pessoas impactadas, mas que sirva simultaneamente estes valores. Relativamente à sustentabilidade ambiental, por exemplo, quando um jovem participa num programa de mobilidade como o ERASMUS, temos o cuidado de lhe sugerir que considere as suas opções de meio de transporte quando viaja, de forma a reduzir a pegada ecológica. São pequenos gestos, mas com muito significado num momento importante para a formação do cidadão.

Estas prioridades são aplicáveis a todos os setores da Educação e Formação abrangidos pelo programa ERASMUS?

Sim, estas prioridades transversais estão ativas em todos os setores. Nós tratamos o programa de uma forma muito transversal, embora todos eles tenham especificidades e regras próprias, mas o ERASMUS é um elo comum, é algo que funciona igualmente bem em todos os setores de ensino e formação.

Quais são as duas novas atribuições que a Agência ERASMUS terá para este novo ciclo?

Trata-se de utilizar o programa ERASMUS também como uma ferramenta para a internacionalização das instituições de ensino e formação e de gerir a verba que o Governo disponibilizou através do PRR para o alojamento dos estudantes do Ensino Superior. Relativamente à internacionalização do Ensino e Formação, à semelhança do que acontece em vários países europeus, a Agência ERASMUS não estará limitada à gestão do programa, mas procurará também apoiar as estratégias de internacionalização das entidades nacionais que operam nestes setores. A nossa ação passa por proporcionar encontros internacionais, onde exista oportunidade de fazer novas parcerias ou pertencer a novas Redes. Esta função vem perfeitamente ao encontro do programa ERASMUS, que está dotado de uma vertente internacional, para estabelecer e desenvolver contactos com entidades de ensino e formação do mundo inteiro, e não só da União Europeia, pedindo às instituições que considerem o “valor acrescentado europeu”.

No que respeita ao alojamento, este sim é um aspeto mais recente no que respeita às atribuições da agência. Vamos fazer o acompanhamento desse tema, procedendo à gestão de fundos que vêm do PRR, para uma área que é relevantíssima para o ensino e formação.

Fez recentemente um ano que foi designada como diretora da Agência ERASMUS+. Quão importante é, para si, esta oportunidade?

A minha formação é em Direito da União Europeia, portanto estou a trabalhar naquilo que gosto e no âmbito de um projeto no qual acredito profundamente. A tomada de consciência, por parte das pessoas que fazem o seu período de mobilidade, de que a Europa é um espaço único para trabalhar, estudar e viver é algo que é uma conquista inegável deste projeto, por isso poder contribuir para consolidar este espírito europeu, que é algo que vai muito além da geografia e que tem a ver com os valores da democracia e da tolerância, é muito gratificante.

Qual a sua expectativa para o novo ciclo de ERASMUS?

Queremos que, no fim deste período, consigamos alcançar as metas que a própria Comissão Europeia fixou, que são muito ambiciosas: triplicar o número de mobilidades e conseguir que públicos mais diversificados beneficiem de todas as oportunidades que o ERASMUS oferece.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here