“O fim do Golden Visa é desastroso para o mercado imobiliário de luxo”

A A1 Algarve tem mais de 25 anos de atividade de mediação imobiliária, no setor do luxury real estate. Agnieszka Kijonka, a CEO desta agência, é clara ao afirmar que o fim dos Golden Visa poderá prejudicar seriamente o mercado imobiliário de luxo, mas acredita, simultaneamente, que 2023 pode ser um bom ano para este nicho de mercado.

0
549

Que análise faz à forma como este setor, em particular, se desenvolveu, considerando as facilidades de investimento que a legislação portuguesa confere?

O mercado imobiliário está a clamar há 25 anos por uma regulamentação mais apertada, uma vez que
qualquer pessoa se pode chamar agente imobiliário depois de ter pago a taxa IMPIC. Faz falta uma formação em integridade e serviço profissional ao cliente. Quando se trata de legislação para atrair compradores, aguardo com esperança a sanidade dos nossos políticos. Vivi tempos em que era necessário chegar a todos os clientes no seu país de origem, mesmo sem a Internet. A Internet ajudou-nos a chegar aos clientes, mas todas as vantagens
fiscais que atraem os compradores de propriedades são uma bênção para o nosso país. Portugal vive do
turismo e do investimento no setor imobiliário. Tenho orgulho em dizer que aqui no Algarve contribuímos significativamente para ganhar o dinheiro que paga as escolas, infraestruturas, apoio social e sistema de cuidados de saúde em Portugal. Com as medidas corretas do governo, poderíamos tornar-nos um Monte Carlo da Península Ibérica. Aumentar impostos e cortar vantagens pelo investimento é um estímulo completamente
contra-produtivo.

O Golden Visa está em questão, recentemente, e fala-se mesmo no seu fim. Que impacto teria tal decisão na escolha de Portugal para investir, por parte de alguns dos vossos clientes?

O fim do GV seria desastroso para o mercado imobiliário de luxo, especialmente desde que o foco se deslocou de China para os EUA. Os políticos que apelam ao fim do Golden Visa deveriam considerar os seguintes números: desde outubro de 2012 até agora foram concedidos um total de 10.393 autorizações de residência para a atividade de investimento por via de compra de bens imóveis. Os vistos emitidos para a aquisição de bens imóveis representam cerca de 86% do total de vistos emitidos. No que se refere ao Investimento total, em termos cumulativos, foi captado um total de 6.609.272.282,02 €. Deste montante, 5.927.094.447,50 € correspondem a aquisição de bens imóveis. Em outubro de 2022, o investimento angariado através do programa de Autorização de Residência para Investimento ascendeu aos 44 milhões de euros, o que representa 109% face a outubro de 2021.

Como se posiciona a A1 Algarve, relativamente ao próximo ano? Quais os objetivos já delineados para 2023?

A A1 teve um forte aumento durante a pandemia e também no período pós-pandémico. Como consequência da pandemia muitos nómadas digitais vêm da Europa, mas também de países fora da UE. Se a Libra vai aumentar em 2023, os ingleses vão voltar a comprar e, por último, mas não menos importante, a situação geopolítica na Europa Oriental continua a atrair muitos europeus do Norte, inseguros, para as nossas costas. Em 2023 vamos
continuar a ajudar a encontrar residências para os migrantes e espero muito sinceramente que o Estado nos ajude por não cancelar a opção do Golden Visa. Isto permitir-nos-á manter uma posição sólida no mercado.

Tendo em consideração as previsões já executadas pelas principais instituições financeiras mundiais, como perspetiva que o setor imobiliário se comporte – com enfoque no mercado de luxo – no próximo ano?

Os preços dispararam de forma demasiado exponencial, um sinal de que se podia formar uma bolha. Ao mesmo tempo, porém, a procura ainda é muito elevada, mas há cada vez menos propriedades para comprar. Vejo esta tendência continuar em 2023, mas a incerteza quanto à política monetária global aumentou. Isto está a impedir muitos investidores de se comprometerem rapidamente. Esta atitude de esperar para ver irá provavelmente atrasar o mercado. É preciso lembrar que o mercado de luxo é um mercado de nicho. Uma segunda casa ou uma casa de férias não é comprada porque é necessária, mas porque o cliente a quer, porque é extravagante e tem
dinheiro para isso.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here