Enquanto sócia de uma empresa, como avalia a questão de género e o que ela pode influenciar na forma como a gestão da empresa é efetuada?
Enquanto sócia de uma empresa, não considero o género relevante para o desempenho das minhas funções, muito menos para a gestão da empresa. As empresas são compostas por pessoas. Ser homem ou mulher, no meu ponto de vista, não influencia em nada a gestão. O que influencia a gestão é o conhecimento do negócio, o foco, a determinação, a exigência, a razoabilidade, as escolhas e a paixão pelo trabalho que se desenvolve.
Como lhe é possível conciliar a vida profissional e a pessoal? Quão importante é, para tal, fazer uso da inteligência emocional e funcional, de forma a gerir e equilibrar os vários lados de uma mesma pessoa?
Este é o maior desafio para mim. Para me sentir realizada preciso de equilíbrio entre família / trabalho / amigos. Agora que o meu filho já é adolescente é bem mais simples. Tive anos da minha vida em que, todas as noites, depois de dar banho, jantar e deitar a criança fazia serão a trabalhar. Considero que se tivermos rodeados de pessoas compreensivas, inteligentes e altruístas, conseguimos esse equilíbrio. A inteligência funcional tem de se aliar à emocional, sempre. Obviamente que da nossa parte temos que dar tudo! Temos de relevar e abraçar todos os valores que consideramos os mais importantes por forma a que possamos atingir os objetivos profissionais e pessoais.
Tendo em conta que divide a sociedade e administração da empresa com o seu irmão, que impacto tem esta divisão de tarefas administrativas entre um homem e uma mulher?
A gestão da Transportes Serra Galega entre duas pessoas de géneros diferentes é excelente! Eu trato de tudo o que tem a ver com a gestão de forma geral. O meu irmão e sócio, Márcio, está dedicado à parte operacional. Trata de algumas compras, supervisiona a frota e sua manutenção e ainda é motorista. No nosso caso, é maravilhoso, porque somos pessoas muito diferentes, mas que se complementam na gestão da empresa. Um exemplo: ele olha para a estética/marca das viaturas; eu olho para o custo/benefício; eu sou o desassossego, ele a calma. Na verdade, é ele que tem a prática, a experiência na parte produtiva da empresa. Uma pessoa que conhece bem as viaturas, clientes, locais de carga, locais de descarga, mercadorias… é genial. O Márcio é a confiança, a pessoa que preciso para poder seguir o caminho traçado
A Transportes Serra Galega
Que análise faz ao setor e à sua evolução?
É um setor essencial na sociedade. Sem transportes não há bens essenciais e não essenciais em circulação. É um serviço basilar mas, infelizmente, muito pouco valorizado, essencialmente por nós, transportadores. Em 17 anos à frente deste negócio, o que vejo no setor é uma tremenda falta de gestão profissional. Esta carência leva a que no setor haja uma disparidade nos preços bastante prejudicial para o desenvolvimento saudável da atividade. A maior evolução do setor está nas ferramentas ao nosso dispor, desde tecnologia de comunicação e gestão de frota até aos veículos, que são realmente mais eficientes, fiáveis, confortáveis e também muitíssimo mais dispendiosos.
Quais as dificuldades pelas quais o setor dos transportes de mercadorias passa, sobre as quais importa falar e, sobretudo, resolver? Que medidas lhe parecem urgentes?
O setor sofre pelos motivos sobejamente conhecidos. Os custos são imensos. Desde o início da guerra na Ucrânia que tem sido uma luta para fazer face aos obstáculos causados pela subida brusca do combustível. Esta crise energética provocou uma inflação tremenda que nos deixou com sérias dificuldades para podermos manter clientes e funcionários satisfeitos. Creio que alguns fatores que podem efetivamente ajudar o setor serão maior profissionalismo na gestão das empresas de transportes, por forma a fazermos repercutir no preço de venda o valor justo do serviço. Nenhuma empresa consegue prestar serviço de qualidade com veículos a avariar constantemente, nem com funcionários que são mal pagos. Outra questão premente seria a redução da carga
fiscal imediata para empresas e funcionários. Seria certamente algo que deixaria todos com mais margem no final do mês e com mais confiança para arriscar e dar continuidade aos seus projetos.
Como antecipa o futuro do setor? Que contributo diferenciador poderia existir caso mais mulheres assumissem posições de liderança nesta área?
Relativamente a haver mais mulheres a assumir posições de liderança nesta área, penso que pode ser positivo pelo equilíbrio entre géneros, há umas tarefas em que as mulheres são melhores e há outras em que os
homens são muito mais eficientes. Portanto o segredo está no equilíbrio e complementaridade. Sou uma mulher de esperança, positiva e que acima de tudo acredito nas capacidades de trabalho das pessoas que estão comigo neste projeto. O futuro vai ser árduo, mas compensador para mim e para a minha equipa. O futuro é uma surpresa. Sempre um desafio. Venha ele, estamos prontos!











