“O setor imobiliário é um refúgio para os investidores”

A LMDS é uma marca imobiliária nascida para apoiar os mercados da retoma bancária e também de fundos de investimento. Luís Silva, o diretor da empresa, salienta a dificuldade em encontrar imóveis para comercializar e lembra que este é um setor onde a crise não chegou.

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Equipa do Porto

Agora que o país volta a atravessar uma crise, existe a possibilidade de os imóveis serem novamente bens em risco, para as famílias?

Penso sinceramente que a curto/médio prazo não vai acontecer o que se passou anteriormente! Nós fomos todos apanhados no meio desta pandemia, quando estávamos a viver uma época de forte crescimento; como é obvio, veio estagnar esse crescimento, mas não “quebrou”. A economia vai crescer, vai criar emprego…as famílias vão poder pagar, as casas não vão ser crédito malparado para os Bancos (a curto e médio prazo); há 10/15 anos passámos longos anos estagnados e com os índices económicos negativos, o que para as famílias foi dramático. Agora há é falta de mão de obra.

O ano 2021 está a chegar ao fim e, aquando da nossa primeira entrevista, salientou que os preços das casas se tinham mantido, em plena pandemia. No futuro, qual será o comportamento do mercado?

De uma coisa tenho quase a certeza: os preços não vão baixar nos próximos dois a três anos. A procura é tanta que a oferta que se vislumbra não dará para satisfazer a procura real existente. O mercado está com muita liquidez. Os preços vão continuar a subir, embora de uma forma mais lenta.

Neste momento, como avalia a necessidade de mais oferta, no mercado habitacional? Existem tipologias específicas que têm mais procura?

De uma forma geral, e falando geograficamente, a falta de habitação é generalizada em qualquer ponto do país, mas nos principais centros urbanos isso é mais notório. Dando um exemplo, se hoje me pedem um T3 em Ramalde, eu se calhar não tenho nada para mostrar. Arriscaria a dizer que metade das transações hoje feitas são através de partilha entre mediadores (o que quer dizer da falta de produto para oferecer). As tipologias com mais procura são T2 e T3.

A LMDS não procura crescer em número de agências, mas em faturação, de acordo com a sua última entrevista à Valor Magazine. Este ano já é exemplo desse crescimento em faturação?

Sim, é verdade, não é nosso objetivo abrir mais lojas. Estamos com um crescimento de 10 por cento relativamente ao período homólogo de 2020.

Quais os principais problemas que o setor tem de resolver, de forma a tornar ainda mais apetecível a área imobiliária ao investimento?

A área imobiliária sempre foi apetecível. Sempre foi um refúgio para os investidores. É necessário aliviar a carga fiscal, que ainda é elevadíssima (num arrendamento, cerca de 30 por cento da renda é para impostos – o que poderia fazer com que as rendas fossem mais acessíveis, se os impostos fossem mais leves).

Parece-lhe que a retoma está a ter lugar? 2022 será um ano de efetiva recuperação?

Falando da nossa área, Imobiliária e Mediação Imobiliária, para haver retoma teria de ter havido uma quebra, uma crise, e isso nunca aconteceu! A nossa crise é pela falta de oferta, de produto, de imóveis para venda. A mediação imobiliária mudou, não sei por quanto tempo, mas mudou! O nosso foco, por força da falta de imóveis, é o imóvel e não o cliente comprador. No passado, tínhamos “um cliente” para comprar, hoje temos “este imóvel” para vender…