“Portugal é um país com uma política migratória muito acolhedora”

A EI! Assessoria Migratória trabalha desde 2014 a garantir que os imigrantes que vêm das mais variadas regiões do mundo conseguem chegar a Portugal e instalar-se de uma forma simples e burocraticamente descomplicada. A cargo de Gilda Pereira, a fundadora da agência, e da restante equipa ficam todas as dificuldades e desafios de alguém que chega a Portugal e precisa de encontrar casa e legalizar a sua situação no país. 2022 começou com muitos pedidos de imigração e Gilda Pereira espera que assim continue.

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Como se posicionou a EI!, numa altura em que as fronteiras reabriram, com restrições, para poder continuar a ajudar quem a procurava?

Por incrível que possa parecer, a procura dos nossos serviços aumentou, porque as dificuldades das pessoas que estavam em mobilidade aumentaram. Antes do fecho das fronteiras e da necessidade de apresentar comprovativos, as pessoas – algumas delas – conseguiam fazer as coisas sozinhas e não tinham tantas dúvidas acerca da mobilidade. Depois, na sequência de todas estas mudanças, passaram a ter mais dúvidas, o que as fez recorrer mais aos nossos serviços.

Na nossa última entrevista, tinha deixado claro a dificuldade que existia no vosso trabalho devido à não uniformização de procedimentos por parte de algumas instituições estatais, como Embaixadas e Consulados. Com a pandemia, isso melhorou ou o problema adensou-se?  

Efetivamente, adensou-se ainda mais o problema, principalmente no que diz respeito aos Consulados e às medidas que cada país tomou em relação à pandemia. Agora, para além de cada país funcionar de forma diferente em relação ao Consulado, nós temos de ter em atenção as medidas que cada país tomou em relação à pandemia. Quando damos entrada a um Visto na Austrália, não é a mesma coisa de quando o fazemos no Reino Unido, não só pelas especificidades do Consulado, mas também pelas especificidades impostas pela pandemia.

Considerando todas as mudanças do mercado de trabalho e a possibilidade de se poder trabalhar à distância, a EI! já voltou a trabalhar particularmente o segmento corporate da imigração ou ainda continua a apostar na imigração individual?

Neste momento temos um equilíbrio, porque o facto de as pessoas poderem escolher faz com que muitas delas queiram trabalhar em Portugal, principalmente quando falamos de países europeus. Além disso, muitas empresas estão a fixar-se em Portugal, sobretudo devido aos salários mais baixos que aqui se praticam. No entanto, considerando os serviços que prestamos, neste momento estamos mais ou menos equilibrados no que respeita ao segmento corporate e aos reformados que pretendem fixar a sua residência aqui, nomeadamente cidadãos oriundos dos EUA, Canadá e, agora com o Brexit, muitos ingleses.

Além destes dois tipos de imigração, e ainda considerando as questões de mobilidade que se aplicam ao trabalho, é possível que tenhamos outro segmento de imigração a despoletar, constituído por famílias que vêm viver para Portugal e trabalhar remotamente?

Penso que sim. Eu diria, aliás, que isso já se nota e reflete-se no nosso trabalho. Um dado curioso – 2020, tendo sido, por definição, o ano da pandemia – foi também o ano em que Portugal emitiu mais Autorizações de Residência.

O que pode ter levado a que isso acontecesse?

Muitas pessoas dizem que foi a resposta que o Serviço Nacional de Saúde português deu, porque houve muitos serviços de saúde, noutros países, que não deram resposta capaz ao problema da pandemia, e a forma como os portugueses acataram as medidas restritivas de combate à pandemia – nós não tivemos quaisquer manifestações contra as medidas, ao contrário do que aconteceu noutros países.

Isso significa que surgiram novos países representativos da imigração em Portugal?

Sim, surgiu a África do Sul, também, devido à instabilidade que por lá se vive, bem como os Emirados Árabes Unidos e Singapura, estes dois países em particular porque têm uma política de imigração muito fechada, que não permite às pessoas que não têm trabalho renovarem a Autorização de Residência. O que acontece é que muitas pessoas, depois de trabalharem uma vida inteira nesses países, de criarem laços e constituírem família, são obrigadas a voltar para o seu país de origem, porque não podem ficar ali. Acabam por vir para Portugal, porque é um país com uma política migratória muito acolhedora.  

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