“Programa Mais Habitação”: “O fim dos Vistos Gold refreará o interesse no interior do país”

A DAICB é uma imobiliária que reconhece a importância de um bom estudo de mercado para assegurar o cumprimento das necessidades dos clientes. Maria Rodrigues, engenheira civil e diretora desta agência, situada em Castelo Branco, partilha a sua opinião sobre o “Programa Mais Habitação” e o impacto deste no mercado imobiliário do interior do país.

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Como concretizam a vossa estratégia de reconhecimento do mercado?

Na DAICB existe uma grande preocupação com aquilo que consideramos ser um bom estudo de mercado. Temos na nossa equipa peritos avaliadores que concretizam avaliação imobiliária; só assim será possível ajudar a definir o valor justo do imóvel, garantindo a segurança no que respeita à negociação, quer para o proprietário, quer para o comprador e para a imobiliária. O que assistimos diariamente são consultores imobiliários a realizarem estudos de mercado sem qualquer critério, sensibilidade ou sem o mínimo de conhecimento do mercado imobiliário. Aliado a esta problemática, assistimos a uma busca desenfreada por angariação, inúmeros casos em que os consultores imobiliários estão a criar falsas expectativas aos proprietários. É urgente ter-se atenção a estes casos, porque isto irá influenciar os mercados e resultar em imóveis com valores de venda muito acima do valor
real.

Como lhe parece que este Programa “Mais Habitação” possa influenciar o mercado imobiliário?

O Programa “Mais Habitação” não irá resolver o problema da habitação no nosso país, porque não podem ser os proprietários a cumprir medidas de ação social. Grande parte do problema da habitação agravou-se com o crescimento da imigração. Se, por um lado, tínhamos já uma grande maioria de portugueses à procura de
um imóvel para arrendar porque não conseguia comprar casa, vieram a estes juntar-se inúmeras famílias que chegaram, e chegam, ao nosso país e necessitam de ter acesso a uma habitação. Se o Programa “Mais Habitação” irá influenciar o mercado imobiliário no interior? Sim, claro que vai, não só aqui, como na generalidade do país, quanto mais não seja pela concorrência desleal que irá proporcionar. Além disso, existirá uma desaceleração nos mercados com o fim dos Vistos Gold no interior, assim como também irá influenciar o turismo, uma vez que o programa também irá ter em conta o Alojamento Local.

Quais os desafios que são particularmente sentidos em zonas do interior do país, relativamente à habitação?

Com o pós-Covid, as zonas do interior assistiram a um grande aumento de famílias a mudarem-se do litoral para o interior, assim como muitas famílias estrangeiras, seja pela qualidade de vida, seja pelo baixo custo de vida, seja pela segurança. Nos últimos três anos a procura por imóveis nesta zona do país tornou-se evidente, contudo, continuamos a sentir os mesmos desafios, nomeadamente a falta de nova construção para fazer face à imensa procura existente na zona do interior. Em Castelo Branco, um apartamento novo de tipologia T3 atinge os 285 mil euros, e a construção unifamiliar cerca de 400 mil euros. O grande desafio no interior, e de grande parte do país, é a construção de habitação nova a preços acessíveis.

Tendo em consideração a conjuntura atual, isso afetará os projetos de ter uma casa nova?

Começa a perceber-se uma ponderação na decisão das famílias relativamente à aquisição de imóvel, sejam elas nacionais ou internacionais. Contudo, continua a haver procura e liquidez. No que respeita aos clientes investidores, atravessamos uma Era em que ter dinheiro estagnado no banco é sinónimo de perda de capital, o que faz com que a melhor opção seja o investimento em imobiliário. De igual forma, a procura por parte de
estrangeiros continuará, uma vez que o nosso país é bastante atrativo. Se analisarmos a longo prazo, é bem possível equacionar um cenário de uma recessão imobiliária. Após este período, é expectável que comece a registar-se uma desvalorização do preço dos imóveis, isto porque já se verifica a indisponibilidade por parte dos bancos em conceder financiamento às famílias.