Que janelas se fecharam e que janelas se irão abrir, na bioindústria?

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Filipa Sacadura, secretária-geral da P-BIO

No final de 2019, era difícil de imaginar um ano como o de 2020. De facto, a pandemia provocada pelo vírus Sars-CoV-2 veio provocar mudanças drásticas a todos os níveis e obrigou a que todos, de forma mais ou menos vincada, se tivessem de readaptar a uma nova realidade. As empresas de biotecnologia em Portugal não foram exceção, tendo, desde o momento em que foi decretada a pandemia pela OMS, tido um papel ativo na luta global contra a Covid-19. A partir de março de 2020, foram várias as empresas biotecnológicas nacionais que adaptaram os seus planos de investigação e desenvolvimento ou as suas linhas de produção para poderem ter um contributo ativo no diagnóstico de infetados, no desenvolvimento de novas terapias para o tratamento de doentes ou até mesmo no estudo e desenvolvimento da tão desejada vacina para a Covid-19.

Outra das grandes mudanças de 2020 deu-se ao nível da perceção geral da importância da biotecnologia e das ciências da vida no dia-a-dia das pessoas. Se, no final de 2019, o conceito de biotecnologia era abstrato para a maioria das pessoas, em 2020 passou a fazer parte do léxico comum, havendo cada vez mais uma consciencialização da importância da biotecnologia e das ciências da vida para o futuro da nossa sociedade e da necessidade de se apostar mais nesta área, de forma a podermos ser mais pró-ativos na resposta a situações como a que vivemos. O grande desafio para o período pós-Covid-19 é conseguir que o setor da biotecnologia e ciências da vida seja considerado um setor estratégico nacional e que receba investimento e políticas que sejam favoráveis ao seu crescimento. Isto aplica-se não só à biotecnologia aplicada à saúde, de forma a termos capacidade para responder melhor e de forma mais atempada a futuras crises sanitárias, mas também à biotecnologia aplicada à bioeconomia, de forma a podermos ter um papel ativo na resposta à crise climática global que certamente marcará a agenda pública dos próximos anos, e mesmo décadas.

Por isso, é fundamental que Portugal se posicione desde já como um player na criação de soluções baseadas em conhecimento e de elevado valor acrescentado que visem responder a desafios globais, o que só será possível com uma forte aposta no sector da biotecnologia e das ciências da vida e no desenvolvimento de novos negócios nesta área. Será essa a missão da P-BIO para 2021.

www.p-bio.org

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