Como garantem a segurança dos perfis dos cuidadores que congregam na vossa plataforma?
Os cuidadores que querem prestar serviços pela QuemCuida registam-se na plataforma, enviam registo criminal, currículo e certificados, e marcam uma entrevista. Nela, validamos competências e motivação. Se cumprirem os
requisitos, são aprovados. Assim, asseguramos que todos os perfis são reais e verificados. As avaliações dos clientes também comprovam a qualidade dos cuidadores.
Como fazem esta “ponte” entre o cuidador e quem precisa dele?
A QuemCuida é uma plataforma peer-to-peer, o que significa que a relação contratual é entre a pessoa que procura o serviço e o cuidador. Esta define os cuidados, localização e horários, e a plataforma filtra os cuidadores disponíveis.
Pode escolher o cuidador que prefere, conforme o perfil. Estamos disponíveis para apoiar no registo e na contratação inicial, como de resto, tem sido a prática.
O que nota, a nível de procura por ajuda, online? Esta tem aumentado?
Pela natureza destes serviços, que exigem confiança total, o online pode não parecer o meio mais óbvio. Mas a acessibilidade que permite é uma vantagem muito grande, já que a necessidade de apoio surge, muitas vezes, de forma inesperada e requer resposta rápida. Quando precisamos de alguém para cuidar de um familiar, falamos com conhecidos ou contratamos uma empresa, o que pode demorar dias ou semanas. Porque não consultar um site com
pessoas selecionadas? O que notamos é que as pessoas procuram estes serviços, mas o fator confiança é determinante na sua escolha.
“Estudos internacionais mostram que, em Portugal, a maioria dos
cuidados a idosos dependentes é prestada por cuidadores informais, muitos deles em idade ativa,
com custos na produtividade ainda não medidos”.
Dados do INE demonstram que ainda existem muitas famílias que, apesar de precisarem de ajuda, não a têm, seja por razões económicas, ou por falta de cuidadores. Esta ferramenta tecnológica ajuda, de certa forma, a combater esta necessidade?
Os cuidados ao domicílio caracterizam-se por uma enorme diversidade de necessidades e geografias difíceis de compatibilizar com estruturas fixas. Por isso, muitos serviços têm horários rígidos, pensados para rentabilizar
recursos. Do lado de quem procura, os apoios são quase sempre dados através de serviços definidos, o que limita a escolha e não serve as necessidades efetivas. A plataforma permite escolher os cuidadores e os serviços apenas
para o que efetivamente se precisa.
Quais os principais desafios que o setor dos cuidados domiciliários apresenta?
Estudos internacionais mostram que, em Portugal, a maioria dos cuidados a idosos dependentes é prestada por cuidadores informais, muitos deles em idade ativa, com custos na produtividade ainda não medidos (absentismo ou abandono precoce do mercado de trabalho). Além disso, a maior longevidade em-nos mostrando que, a partir dos 50 anos, aumenta a sobreposição entre idades de cuidadores e de pessoas cuidadas, resultando em idosos a cuidar de outros idosos. Estas pessoas precisam de apoio, pois, de outra forma, quem sofre são os mais frágeis.
Faria sentido uma cooperação mais eficaz entre projetos privados e públicos para proporcionar a mais famílias a possibilidade de recorrer a um cuidador, garantindo a qualidade de vida do idoso e também dos restantes familiares?
Ninguém duvida de que apoiar quem cuida dos seus familiares é a estratégia mais acertada para enfrentar o crescimento da necessidade de cuidados. Ainda não avançámos mais, em parte, por razões culturais: nas sociedades familiaristas do sul da Europa, atribui-se à família o dever integral de cuidar dos mais velhos. O grande problema é que as famílias de hoje não estão a conseguir responder.










