“Queremos aproximar os setores social e do património”

A Galbilec é uma empresa dedicada às áreas de Engenharia e Arquitetura, com um foco particular nas áreas social e da saúde. Com o mote “Somos 360. Somos Galbilec”, a empresa promove um acompanhamento de proximidade junto dos clientes num princípio de prestação global de serviços 360. José Figueiras, diretor executivo da Galbilec, sublinha a ambição de, no futuro, conseguir aproximar os setores social e do património.

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A área social, em Portugal, ainda está carente de soluções?

Sim, sem dúvida. Eu vejo as dificuldades do setor social por duas perspetivas. A primeira prende-se com o facto de ser um setor que funciona como extensão daquilo que são as obrigações do Estado, sendo que neste âmbito quem delega o apoio no setor social, acaba por não dar abertura a financiamentos de forma séria para fazer face às necessidades de investimento. A segunda, tem que ver com o facto de ser um setor com uma gestão constituída por voluntários. Isto é, quem está à frente destas instituições, em muitos dos casos, são voluntários. Portanto, se adicionarmos à falta de acesso a financiamento, as dificuldades no âmbito da gestão, temos um grande problema, que somente com alterações jurídicas, políticas, mas acima de tudo culturais, é que isto se muda.

Como pode a Galbilec ajudar, através dos seus conhecimentos técnicos específicos, neste setor?

A nossa forma de atuação no mercado vai muito para além daquilo que é o desenvolver um projeto com base naquilo que é um regulamento legal. Nós conseguimos sempre dar contributos que, por um lado, visam preparar estes edifícios para aquilo que são as necessidades dos seus utilizadores a longo prazo e por outro garantir que a distribuição dos espaços permita que a utilização destes edifícios seja muito mais eficiente do ponto de vista da gestão operacional.

Quais os exemplos paradigmáticos que pode realçar nesta área?

Neste momento, estamos a iniciar um projeto que já está em fase de licenciamento urbanístico, para a construção de uma “Estrutura para Idosos do Futuro” em que a visão da direção da instituição está perfeitamente alinhada com a nossa. Conseguimos casar estas duas ideias e estamos, agora, a desenvolver um projeto que, na sua implementação, é pioneiro, em Portugal. Este será um edifício com capacidade para cem pessoas e contará com três fases de acompanhamento durante o processo de envelhecimento dessas pessoas. No entanto, como já referido, o projeto ainda está numa fase muito preparatória de licenciamento. Importa referir que vamos candidatá-lo ao Plano de Recuperação e Resiliência e estamos com uma forte expectativa de conseguir financiamento.

Portugal atravessou, nestes últimos dois anos, um período complicado, considerando as dificuldades que a pandemia causou em algumas atividades económicas. Como lhe parece que o país vai reagir no que diz respeito à possibilidade de retoma económica?

A meu ver temos dois problemas. O primeiro problema são os incentivos que o Estado tem a obrigação de promover e que estão a ser aplicados em setores que não alavancam a desenvolvimento económico a curto prazo. Por exemplo, o Plano de Recuperação e Resiliência que serviria para fazer face à crise provocada pela pandemia, como um incentivo imediato, na verdade muito pouco contribuirá para os setores de atividade mais prejudicados nos últimos dois anos. Julgo que se queremos desenvolver a economia, temos de pensar na retoma imediata destes setores. O segundo problema tem que ver com a dotação muito grande de investimento para os próximos sete anos, acima de sessenta mil milhões de euros, mas temos muitas dificuldades ao nível da capacidade produtiva para gastar todo este dinheiro. Não basta ter o dinheiro disponível, é preciso ter capacidade para o gastar. Isto faz com que, a muito breve prazo, possamos estar com um colapso nervoso porque não estamos a conseguir cumprir com os objetivos. Sinceramente, vejo tudo isto mal encaminhado.

Quais os desafios que se podem colocar à Galbilec para 2022?

Enquanto empresa, pretendemos consolidar os serviços 360 que já vêm sendo desenvolvidos ao longo destes 11 anos. Estamos a acrescentar outros posicionamentos em termos de setor de atividade, e criámos recentemente a nossa marca Galbilec Património, que visa especializar a nossa atividade dentro daquilo que deve ser a salvaguarda e valorização do património em Portugal. A nossa intenção para os próximos anos é contribuirmos para um percurso de aproximação entre os setores social e do património por forma a que funcionem em complemento.