Talento para resistir

O gestor Luís Martins e os engenheiros Paulo Festas e Pedro Lobo são, respetivamente, o presidente do Conselho de Administração, o COO e o CEO da Climacer, uma empresa cujos trabalhos de climatização têm uma forte base de Engenharia. O seu trabalho é sempre analisado e planeado previamente, de forma a assegurar que, quando o mesmo tem início, este não pára até estar concluído. No entanto, existem problemas no setor que continuam a estar em evidência e que são realçados nesta entrevista.

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Paulo Festas (COO), Luís Martins (Presidente do Conselho de Administração ) e Pedro Lobo (CEO)

O país atravessa, neste momento, uma crise económica causada, particularmente, pela pandemia. Como vê a Climacer a possível recuperação económica do país, já a partir do próximo ano?

A recuperação económica depende de diversos fatores, infelizmente pensamos que a mesma não seja imediata. Em geral, Portugal aprendeu economicamente pouco com a pandemia, os primeiros projetos/concursos à luz do PRR que temos tido acesso continuam com o problema que se arrasta há anos, preço-base anormalmente baixo, acabando os concursos por se arrastar sem concretização imediata e com um produto final com qualidade ajustada. Por outro lado, temos vindo a sofrer sucessivos aumentos de preço das matérias-primas, prazos dilatados no fornecimento, falta de mão de obra geral, e a especial ainda mais escassa, sendo que os projetos em curso e a iniciar continuam com preços e prazos de condições pré-pandemia.

Quais lhe parece que são os principais pontos, do ponto de vista económico e de mercado, a ter em conta no próximo ano, na sua opinião?

Estarmos atentos aos preços e prazos das matérias-primas, análise constante do mercado e das oportunidades para novos projetos. Um acompanhamento efetivo das condições económicas dos nossos clientes e parceiros. Uma boa capacidade financeira ajuda a mitigar estas situações.

Tendo em consideração o período que atravessámos ao longo de todo o 2021, como se posicionou a Climacer no mercado e que análise pode fazer deste ano, internamente?

A Climacer continuou a sua missão, confirmando a nossa posição no mercado nacional. Internamente, mantivemos a aposta na base sólida dos nossos colaboradores de todos os departamentos, neste ano em específico bastante atípico, com acompanhamento e apoio constante aos colaboradores. Reforçando a formação e atividades de reforço da união e solidez entre todos, conseguimos atingir os objetivos e, acima de tudo, reforçámos as parcerias com os nossos clientes que, cada vez mais, contam com a Climacer como o seu parceiro ideal para os seus projetos, desde a fase de início dos mesmos.

Quais as principais alterações que denotam no mercado?

Um mercado bastante atípico. Numa altura que devia ser de estabilidade e união, deparamo-nos com o mercado a aceitar ofertas desajustadas tecnicamente aos projetos, sendo o preço quase o único fator. É uma situação transversal que vai em cadeia desde as construtoras, instaladores e aos fornecedores. Dificuldades na cadeia de distribuição, dos fornecedores em geral, devido aos constrangimentos logísticos que se verificaram em 2021. As margens deixaram, há muito tempo, de serem comerciais para serem financeiras, provocando uma pressão nas empresas que impede o investimento nos recursos, quer humanos, quer materiais e, consequentemente, o seu crescimento.

Os desafios da Engenharia continuam, cada vez mais, presentes na construção dos edifícios, sobretudo quando sabemos a importância da ventilação nos mesmos. Como analisa a efetiva importância que já é dada a este setor, aquando da planificação de um edifício?

Infelizmente ainda estamos numa fase de pandemia em que a população em geral e os promotores começam a despertar (mas ainda só a pensar) que os edifícios, desde sempre e agora ainda mais, devem ser eficientes energeticamente e com uma atenção redobrada na Qualidade do Ar Interior dos edifícios, que só se consegue com sistemas de AVAC bem concebido, instalados, comissionados e conduzidos. A Engenharia da Climacer, departamento de Produção, Comissionamento e Service, está preparada para colaborar na execução, comissionamento e manutenção de todo o tipo de edifícios, nunca esquecendo que é neles que a nossa população passa o maior parte do dia.

No plano internacional, como se posiciona a Climacer, quer relativamente ao portfolio de trabalhos desenvolvidos, quer relativamente ao futuro?

É um segmento em que, cada vez mais, somos abordados, sendo um claro objetivo no processo de crescimento e consolidação da Climacer. Como digo, é um objetivo, não uma necessidade e, como tal, vai sendo ponderada até à sua concretização, sempre com um plano de internacionalização pensado com detalhe, por forma a não prejudicar a base do negócio da empresa.

Existem projetos que gostasse de destacar, desenvolvidos neste último ano?

Para a Climacer, todos os projetos são de destaque, desde a mera intervenção, do nosso departamento de Service numa unidade de ar condicionado até ao edifício de serviços com 40.000m2. Mas também não podíamos de deixar de sublinhar a nossa participação na primeira Faculdade de Medicina privada, neste caso da Universidade Católica, construção de novas áreas produtivas da farmacêutica Bluepharma e edifício-sede da Ageas.

Como antecipa 2022, no plano nacional, para a Climacer?

A Climacer vai continuar a apostar na união e base sólida de toda a equipa, contacto direto e permanente com os nossos clientes/parceiros e fornecedores, sempre atenta aos pontos já referenciados, pois acreditamos que os mesmos serão bastante importantes para o sucesso e concretização dos objetivos para 2022.

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