Uma indústria virada para o futuro

A APF nasceu em 1964 e veio adaptando os seus serviços às necessidades do mercado e dos associados. O presidente, Luís Filipe Villas-Boas, salienta a importância da indústria de fundição nacional, que é responsável por um volume de negócios de cerca de 600 milhões de euros.

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Luís Filipe Villas-Boas, presidente

Quais as principais questões relativas ao setor que ocupam a APF?

O setor de Fundição, tal como a esmagadora maioria dos setores industriais, tem como principal preocupação a recuperação económica. São tempos exigentes, nos quais temos de gerir as nossas organizações quase no dia-a-dia, planeando em paralelo os próximos anos que são, mais do que nunca, imprevisíveis. Para além da situação económica, o setor depara-se também com preocupações de caráter ambiental, que são atualmente transversais a toda a Europa, nomeadamente ligadas ao Green Deal, como as emissões para o meio ambiente, a descarbonização e a eficiência energética.

Este é um setor economicamente importante para o país?

A indústria de Fundição nacional é hoje constituída por empresas de alta tecnologia, responsáveis por um volume de negócios próximo dos 600 milhões de euros, ligadas ao fornecimento do setor automóvel, indústria metalomecânica, construção civil, cerâmica, mineira e remoção de terras, elétrica e eletrónica, naval, máquinas agrícolas e industriais, ferroviária, eólica, indústria aeronáutica e aeroespacial. É uma indústria eminentemente exportadora, com uma quota de cerca de 90% da sua produção, sendo o mercado alemão o mais representativo, seguido do francês, do italiano e de outros países da Europa, bem como de outros continentes. A indústria pode e deve aumentar a sua importância na economia através do desenvolvimento de projetos de inovação impulsionados pelos fundos provenientes da UE, no âmbito da recuperação económica.

Sendo um setor que emprega cerca de seis mil pessoas, e obtendo novas quotas de mercado a cada ano, que fatores explicam esta evolução?

Esta evolução prende-se essencialmente com a capacidade de adaptação que o setor possui, aliada ao investimento em novas tecnologias, bem como nos seus recursos humanos. Esta característica é, desde logo, evidenciada no peso que a indústria automóvel tem no setor, representando cerca de 70% do volume de produção e que se traduziu num volume de negócios de 320 milhões de euros em 2019.

Como se caracterizam atualmente as fundições nacionais?

As empresas de fundição nacionais são, tanto ao nível dos investimentos em equipamento como das condições de trabalho, em tudo equiparadas às suas congéneres europeias, pois concorrem nos mesmos mercados de elevado grau de exigência. Relativamente aos recursos humanos, captar profissionais qualificados e, em especial, os jovens para a fundição é o principal desafio do setor, sempre que existe necessidade de mão-de-obra. É importante destacar que da fundição portuguesa saem peças para os Bentley, Rolls-Royce, Lamborghini, Maserati, mas também para a Mercedes e outros carros mais acessíveis ao grande público. Não há carro nenhum fabricado na Europa que não tenha peças fundidas em Portugal.

As fundições nacionais já têm implementados processos que asseguram a melhoria na proteção ambiental e na sua própria sustentabilidade?

É um setor que pode, a montante, ser considerado um paradigma do conceito de Economia Circular, fruto do reaproveitamento que faz do metal em fim de vida. Os resíduos, ou subprodutos da sua atividade, são constituídos esmagadoramente por areias não reutilizáveis provenientes dos seus processos de moldação. Para além disso, cada vez, mais as fundições possuem certificações na área ambiental, que demonstram uma preocupação premente com esta área. As fundições, hoje, são empresas de engenharia, com as suas emissões controladas e monitorizadas, com investimentos elevados em processos e equipamentos que lhes permitem reduzir o nível das emissões.

Que evolução prevê para este setor, nos anos que se seguem?

Com esta nova situação causada pela pandemia torna-se mais difícil fazer previsões para o futuro. O que é certo é que a indústria automóvel foi afetada e a indústria de fundição, consequentemente, também o foi. Por isso, espera-se que os anos que se seguem sejam de uma recuperação económica, através de medidas de apoio do Governo, mas não só. Será igualmente necessário um esforço acrescido por parte dos empresários.

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